Notícia

Mais etanol na gasolina: entenda o que muda para os motoristas com a nova mistura aprovada pelo governo

Publicado em 14/07/2026 Por Rádio UFSCar Ouvir Baixar
Mais etanol na gasolina: entenda o que muda para os motoristas com a nova mistura aprovada pelo governo

Foto: Pexels/Engin Akyurt


O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou o aumento da quantidade de etanol anidro misturado à gasolina. A partir de 1º de agosto, a proporção passará dos atuais 30% para 32%, em medida válida por 180 dias, com possibilidade de prorrogação por mais seis meses.


A decisão marca mais um capítulo da trajetória do etanol no Brasil, iniciada em 1975 com a criação do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), lançado pelo governo federal como resposta à crise mundial do petróleo. Anos depois, em 1979, o Fiat 147 a álcool popularizou o combustível no país, que ganhou ainda mais espaço com a chegada dos veículos flex.


Segundo a professora Adriana Ferreira Palhares, do Departamento de Engenharia Química da UFSCar, o aumento da mistura traz vantagens ambientais, já que o etanol contribui para elevar a octanagem do combustível, favorecendo motores mais eficientes e menos poluentes. No entanto, também exige atenção a algumas características do biocombustível.


"O etanol atrai água. Em misturas com uma grande quantidade de etanol, o controle de qualidade de toda a cadeia logística precisa ser muito mais rigoroso para evitar corrosão de tanques e componentes dos veículos, principalmente os mais antigos, que não foram projetados para esse tipo de combustível", explica.


A docente destaca ainda que o etanol possui menor densidade energética do que a gasolina, o que significa que produz menos energia por litro. Além disso, seu preço pode sofrer oscilações em função dos períodos de entressafra da cana-de-açúcar.


"O etanol tem menor eficiência energética, é higroscópico, ou seja, absorve água com facilidade, e isso pode comprometer a qualidade do combustível ao longo da cadeia logística. Também há a questão do preço, que depende das entressafras", afirma.


Brasil não é o único país a adotar a mistura


Embora seja referência mundial na produção de etanol a partir da cana-de-açúcar, o Brasil não está sozinho na utilização do biocombustível.


De acordo com Adriana Palhares, os Estados Unidos utilizam misturas entre 10% e 15% de etanol na gasolina, enquanto a maior parte dos países da União Europeia trabalha com percentuais entre 5% e 10%, impulsionados por metas de descarbonização.


Outros países também vêm ampliando a participação do etanol. O Paraguai já utiliza misturas próximas de 25%, enquanto a Índia estabeleceu um cronograma para atingir 20% de etanol na gasolina como estratégia para reduzir a dependência das importações de petróleo.


Híbridos movidos a etanol podem ser alternativa


Para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, a professora destaca que o país também pode investir em outras fontes renováveis, como o biometano produzido a partir de resíduos do agronegócio e o hidrogênio verde obtido por meio de energia eólica e solar.


Outra alternativa apontada pela pesquisadora é a expansão dos veículos híbridos movidos a etanol.


"A hibridização combina o motor elétrico com um motor a combustão abastecido com etanol. Dessa forma, é possível aumentar a eficiência dos veículos sem depender imediatamente de uma ampla infraestrutura nacional de recarga para carros totalmente elétricos", explica.


Impactos variam conforme o tipo de veículo


O professor André Bernardo, também do Departamento de Engenharia Química da UFSCar, explica que a maior participação do etanol na gasolina pode afetar de maneira diferente os veículos.


Segundo ele, tanto o etanol quanto o biodiesel possuem menor densidade energética, fazendo com que os veículos percorram menos quilômetros com a mesma quantidade de combustível.


Nos veículos flex, a mudança tende a não provocar impactos significativos. Já nos automóveis movidos exclusivamente a gasolina — especialmente modelos antigos ou importados que não são flex — a nova mistura pode reduzir o desempenho e aumentar o desgaste de alguns componentes.


"Com mais etanol na gasolina, os carros vão rodar menos quilômetros com o tanque. Os veículos flex praticamente não sentirão diferença, mas os carros que não são flex podem apresentar problemas mecânicos, como entupimento de bicos injetores", conclui o pesquisador.


Texto: Pedro Guilherme

Mais notícias

Rádio UFSCar passa a integrar Rede Nacional de Comunicação Pública
Notícia

Rádio UFSCar passa a integrar Rede Nacional de Comunicação Pública

27/08/2026
Queima prescrita busca prevenir incêndios florestais na UFSCar
Notícia

Queima prescrita busca prevenir incêndios florestais na UFSCar

26/08/2026
Notícias Rádio UFSCar veicula série especial sobre Eleições 2026
Notícia

Notícias Rádio UFSCar veicula série especial sobre Eleições 2026

21/08/2026
Rádio UFSCar celebra 19 anos com o lançamento de seu novo site oficial
Notícia

Rádio UFSCar celebra 19 anos com o lançamento de seu novo site oficial

21/08/2026
Pesquisa da UFSCar identifica mais de 13 mil empresas criadas por ex-estudantes
Notícia

Pesquisa da UFSCar identifica mais de 13 mil empresas criadas por ex-estudantes

20/08/2026
Onovolab e Toyota Mobility Foundation apresentam Startups selecionadas para soluções de mobilidade
Notícia

Onovolab e Toyota Mobility Foundation apresentam Startups selecionadas para soluções de mobilidade

20/08/2026
Rádio UFSCar leva ouvintes ao João Rock 2026 e celebra parceria iniciada em 2018
Notícia

Rádio UFSCar leva ouvintes ao João Rock 2026 e celebra parceria iniciada em 2018

22/07/2026
Rádio UFSCar segue regras do TSE durante período de Defeso Eleitoral
Notícia

Rádio UFSCar segue regras do TSE durante período de Defeso Eleitoral

06/07/2026
UFSCar reforça compromisso com a pauta antirracista em encontro estadual de pesquisadores negros
Notícia

UFSCar reforça compromisso com a pauta antirracista em encontro estadual de pesquisadores negros

15/07/2026