Uma Viagem Especial na Programação de Férias

Escrito por em 31/01/2018

Neste verão, a Rádio UFSCar pegou carona nas Ondas Latinas e preparou uma programação especial que dá destaque aos artistas da música e do cinema latino americano. A série homenageia nomes da cultura tradicional e contemporânea, em diversos gêneros e estilos.

Fique ligado e mergulhe nesta onda rica, colorida e “caliente” da “Latinoamérica” com a gente. No mês de fevereiro com três edições diárias ao vivo: informações e curiosidades da música  às 9h e às 15h, e dicas de produções audiovisuais  às 17h.


 

Dia 01/02 – México

#1 Natalia Lafourcade

Natalia Lafourcade é cantora, compositora e instrumentista. Seu último álbum, lançado em 2017, Musas vol.1, resgata e homenageia a cultura latino americana e o folclore de sua terra natal, o México. A obra contou com a experiência e a sabedoria dos violonistas Juan Carlos Allende (México) e Miguel Peña (Argentina), também conhecidos como Los Mocorinos, dupla que acompanhou a marcante cantora “ranchera” Chavela Vargas de 2006 a 2012.

Com apenas 14 anos, Natalia Lafourcade deu início a sua carreira, passando por diversos gêneros, como o pop, a bossa nova e o jazz fusion, mas foi a partir de seu quinto disco, um tributo ao compositor e cantor mexicano Agustín Lara (2012) e após o sucesso do disco Hasta La Raiz (2015), que Natalia passou a dedicar seu trabalho à exaltação das belezas de suas raízes latino americanas, até chegar ao Musas.

Devido ao sucesso do disco Hasta La Raiz, vencedor de diversos prêmios incluindo Grammys Latinos, a cantora decidiu por realizar todo o trabalho do Musas em um local afastado das possíveis pressões e expectativas do público e da mídia “Para mí era el perfecto escape porque nadie me estaba presionando, ni viendo qué iba a hacer como siguiente disco” disse ao jornal El Universal.

Em entrevista cedida ao canal HuffPost México, Natalia Lafourcade disse que a criação do Musas foi fortemente influenciado pela força de mulheres empoderadas como Maria Grever, Frida Kahlo, Mercedes Sosa, Clarice Lispector, entre outras. O disco apresenta 12 faixas, 5 autorais e 7 canções de importantes compositores como Violeta Parra, Roberto Cantoral, Simón Díaz e David Aguilar e foi realizado com instrumentos acústicos, entre eles violões, contrabaixo, jarana, percussão e a tradicional marimba. O volume 1 do Musas tem como única convidada a cantora cubana Omara Portuondo, de 86 anos, em “Tú me acostumbraste”.

#2 Chavela Vargas

Chavela Vargas foi uma importante e peculiar figura da música “ranchera” mexicana. Reconhecida pelo estilo único e intenso de interpretar este gênero musical popular mexicano, baixava o ritmo das melodias de canções tradicionais, cantando-as de forma ainda mais emocional e sofrida. Nascida em Porto Rico, chegou ao México com 17 anos e somente aos 30 deu início à sua carreira de cantora e instrumentista, apadrinhada por José Alfredo Jiménes. Ficou famosa com a interpretação de “Macorina”, canção de rebeldia do século XVII . À frente de sua época, chamava atenção por andar sempre vestida com roupas masculinas, com um poncho roxo, além de fumar e beber muito. Entre seus amigos estavam: Diego Rivera, Frida Kahlo, Picasso, Pablo Neruda, Gabriel García Márquez, entre outros.

No final dos anos 70, Chavela Vargas se retirou dos palcos e abandonou sua carreira por conta de problemas com o alcoolismo, permanecendo no anonimato até o início dos anos 90. Chavela retornou à cena artística cantando no famoso bar “El Hábito”, em Coyoacán. No local, foi apresentada para Pedro Almodóvar que a convidou para ir à Espanha, e assim, retomou seu sucesso, conquistando reconhecimento internacional. No cinema, participou de obras como Grito de Piedra (1991) e Frida (2002), e suas interpretações foram usadas em trilhas musicais, como em “De Salto Alto”, (1991) e Babel (2006).

Chavela assumiu publicamente sua homossexualidade aos 81 anos. Gravou mais de 20 discos, sendo o último lançado aos 93 anos. Morreu em 2012, em Cuernacava – México.

#3 Babel

BABEL (2006)
Drama – Ficção – 143min – Cor – 16 Anos
Direção: Alejandro González Iñárritu.

Para encerrar a nossa primeira visita ao México, as Ondas Latinas da Rádio UFSCar trazem, em sua primeira pílula cinematográfica, a indicação do filme Babel (2006), uma coprodução entre México, Japão e Estados Unidos.

O filme foi dirigido pelo mexicano Alejandro González Iñárritu, ganhador de dois Oscar de Melhor Diretor por seu trabalho nos filmes Birdman ou A Inesperada Virtude da Ignorância (Birdman or The Unexpected Virtue of Ignorance, 2015) e O Regresso (The Revenant, 2016).

Gravado nos países que o coproduziram e também no Marrocos, o filme também conta com um elenco internacional: do México, o astro Gael Garcia bernal e a veterana Adriana Barraza, do Japão, a revelação Rinko Kikuchi e, por fim, os hollywoodianos Cate Blanchett e Brad Pitt.

Babel mostra quatro histórias interligadas em uma narrativa não linear que explora temas como dificuldade de comunicação, isolamento e histeria na sociedade globalizada. Susan (Blanchett) e Richard (Pitt) estão de férias no Marrocos tentando reanimar o seu casamento. Uma tragédia ali ocorre e desencadeia-se, aos poucos, a ligação entre eles e os núcleos na fronteira Estados Unidos/México e no Japão.

Babel segue a linha do cinema “hiperrrealista” que virou moda entre os realizadores da América Latina em meados dos anos 90 e conclui a “trilogia da morte” ou “trilogia da perda” de Iñárritu. Ele é antecedido pelos filmes “Amores Brutos” (Amores Perros, 2000) e “21 Gramas” (21 Grams, 2003). Também marca o fim da parceria de Iñárritu com o roteirista mexicano Guillermo Arriaga.

Na trilha sonora, o filme também conta com a versão de Chavela Vargas de “Tu Me Acostumbraste”, música apresentada hoje na Rádio UFSCar na voz de Natalia Lafourcade. As duas foram as nossas homenageadas do México na programação de estreia do Ondas Latinas.

Premiado inúmeras vezes ao redor do mundo, incluindo o prêmio de Melhor Direção no Festival de Cannes de 2006, Babel é um drama intenso, emotivo e visualmente impactante, que alerta para os rumos contraditórios da globalização, onde barreiras geográficas caem a todo instante, mas sem a devida quebra das barreiras socioculturais.

Essa foi a primeira dica de cinema da nossa programação especial de verão. Amanhã o Ondas Latinas volta a partir das 9h com uma visita especial aos nossos queridos “hermanos” da Argentina.


 

Dia 02/02 – Argentina

#1 Perotá Chingó

O grupo Perotá Chingó é fruto de uma viagem das cantoras argentinas Julia Ortiz e Dolores Aguirre pela costa do Uruguai. As amigas viveram a experiência na estrada a dedo, violão e voz, e encontraram novas bagagens musicais. Foi na praia de Cabo Polônio que a dupla gravou em vídeo a canção Rie Chinito e obteve o alcance de mais de 4 milhões de visualizações, dando início ao projeto Perotá Chingó.
A banda ficou completa com a entrada de Martin Dacosta na percussão e Diego Cotelo no violão. O trabalho do Perotá Chingó tem como referências as músicas folclóricas de raiz que vão sendo acumuladas em cada lugar que passam, tendo como proposta artística, um intercâmbio musical e cultural por todo o mundo. O repertório do grupo é composto pelas influências de diversos ritmos e estilos, composições de diferentes autores e de autoria própria. As canções da banda contam com a riqueza dos zambas argentinos, chacareras, sambas brasileiros, candombes, música popular do Chile, reggae, joropo venezulano, entre outros.

 

#2 La Yegros

A música da cantora argentina La Yegros apresenta riquezas da música urbana e da folclórica latino americana, misturando o rap, o funk e a música eletrônica, com a cúmbia, o chamamé e outros ritmos tradicionais. Seu primeiro álbum Viene de Mi, lançado em 2013, apresenta a combinação da tropical music, do dance, do reggae e da música árabe. La Yegros e sua banda já se apresentaram em mais de 20 países, incluindo o Brasil, participando de importantes festivais. Em 2016, lançou o disco Magnetismo, que contou com as participações de Sabina Scuba do Brazilian Girls, Olivier Araste do Lindigo Puerto Candelaria e Gustavo Santaolalla. La Yegros possui como parceiro musical o compositor Daniel Martin e suas canções dão destaque para o empoderamento feminino.

 

#3 O Pântano

O PÂNTANO (La Ciénaga, 2001)
Comédia/Drama – Ficção – 103min – Cor – 16 Anos
Direção: Lucrecia Martel.

Nossa dica audiovisual de hoje, em homenagem a Argentina, é o filme O Pântano (La Ciénaga), lançado em 2001, primeiro longa da diretora argentina Lucrecia Martel. Depois de quase 15 anos na realização de curtas-metragens, Martel começa com o O Pântano uma aclamada carreira na direção de longas e, já por este filme, ganhou o prêmio de Melhor Longa de Estreia do Festival de Berlim.

O Pântano conta a história de uma família burguesa decadente e de seus empregados que passam férias numa casa de verão.

Gravado nos arredores de Salta, cidade natal de Lucrecia Martel, o filme é trabalhado em tons de ironia e mistura tragédia e comédia no decorrer de situações corriqueiras. O filme possui uma atmosfera instigante criada pelo som, que é marca registrada de Lucrecia Martel. Os sons do ambiente – latidos, trovões, objetos, folhas – são exagerados para contrastar com a inércia física das personagens, que reflete ora seus conflitos, ora o marasmo, ora a luxúria, dentre outros estados corpóreos e emocionais.

O Pântano é considerado um dos grandes triunfos do cinema latino-americano no século 21. Considerado por um grupo de críticos de Nova York como o melhor filme latino da década passada, O Pântano e sua diretora, Lucrecia Martel, foram responsáveis por reintroduzir uma faceta mais social e sutil no Novo Cinema Argentino iniciado nos anos 90, com as desigualdades históricas e hierárquicas da sociedade denunciadas em pequenas situações domésticas.

Com O Pântano, finalizamos mais uma edição do Ondas Latinas. A viagem pela Latinoamérica volta na segunda-feira, às 09h da manhã, com um passeio pelo Peru. Fique ligado na programação de verão da Rádio UFSCar e escute diferente!

 

Dia 05/02 – Peru

#1 Susana Baca

Susana Baca é cantora, compositora e professora. Considerada uma das divas da música peruana, já recebeu dois prêmios Grammy: o primeiro em 2002, pelo disco “Lamento Negro” e o segundo em 2011, pela canção “Latinoamerica” em colaboração com o grupo porto-riquenho Calle 13. Foi nomeada Ministra da Cultura de seu país e Presidente da Comissão de Cultura da Organização dos Estados Americanos. Difusora da música peruana, seu repertório inclui temas cancioneiros, cantigas afro-peruanas e composições de poetas populares, além de ritmos e influências culturais latino-americanas e africanas. Com 74 anos, Susana Baca permanece realizando apresentações e turnês pelo mundo, recebendo prestígio internacional.

 

#2 Bareto

A banda Bareto iniciou a carreira em 2003, interpretando versões de Bob Marley, Skatalites e entre outros. O grupo passou a conquistar o público peruano a partir do álbum Boleto (2006), em que a sonoridade mistura o reggae e o ska jamaicano com ritmos latinoamericanos. Com o álbum Cumbia (2008), ganhou reconhecimento do público e da crítica, recebendo um disco de ouro e um de platina. O disco, faz uma homenagem a intérpretes populares como Juaneco y su combo, Chacalón, Los Shapis e Los Mirlos. O grupo já recebeu duas indicações ao Grammy com os discos “Ves Lo Que Quieres” (2012) e “Impredecible”(2015) que recebeu expressivas críticas internacionais. As canções da banda apresentam, em tom sarcástico, críticas ao cotidiano, embaladas pela cumbia peruana e a fusão de diferentes ritmos, acrescentados a cada álbum da banda.

 

#3 A Teta Assustada

A TETA ASSUSTADA (La Teta Assustada, 2009)
Drama/Musical – Ficção – 95min – Cor – 14 Anos
Direção: Claudia Llosa

No Ondas Latinas de hoje, nossa dica de cinema é o filme peruano “A Teta Assustada” (La Teta Assustada), dirigido pela cineasta Claudia Llosa e lançado no Brasil em 2009.

O filme conta a história de Fausta, que sofre de “teta assustada”, rara doença transmitida pelo leite materno de mulheres que foram violentadas. Amedrontada por conta da crença na doença, Fausta precisa lidar com os seus medos uma vez que sua mãe morre.

A diretora Claudia Llosa mescla linguagem documental e realismo fantástico com peças musicais para trazer, em um filme cheio de metáforas, uma interessante reflexão sobre a mulher na sociedade peruana.

“A Teta Assustada” foi o primeiro filme peruano a ser indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, e colecionou passagens em importantes festivais de cinema ao redor do mundo, tendo ganhado o Prêmio Urso de Ouro no Festival de Berlim.

“A Teta Assustada” é um coprodução Peru e Espanha, tem 95 minutos e classificação indicativa de 14 anos.

Amanhã voltamos com mais Ondas Latinas, às 09h. Do Peru a Porto Rico!

 

Dia 06/02 – Porto Rico

#1 iLe

A cantora porto-riquenha Ileana Cabra, mais conhecida iLe, começou sua carreia com apenas 16 anos, convidada pelos seus irmãos René Pérez Joglar e Eduardo Cabra para compor a banda Calle 13. Após 10 anos sendo a voz feminina do grupo, iLê lança seu primeiro disco solo o “iLevitable” (2016) que recebeu o prêmio Grammy na categoria Melhor Álbum Latino de Rock, Urbano ou Alternativo. Com uma nova proposta rítmica, diferente da vivida no Calle 13, seu álbum apresenta um repertório que combina influências da música caribenha e da música tradicional latina, como mambo, o bolero, o Boogaloo (ritmo que mistura a Salsa com o Soul), com a sonorização moderna. A obra conta com a maioria das composições feitas por mulheres, de autoria da própria iLe, de sua mãe e sua irmã, permitindo assim, segundo a cantora, “ uma maior intensidade emocional para as canções”.

 

#2 El Gran Combo de Puerto Rico

Formada em 1962 pelo músico Rafael Ithier, a orquestra El Gran Combo apresenta até os dias de hoje a Salsa porto-riquenha para o mundo. No início, sua formação contava com 19 instrumentistas e 7 cantores. Alcançou o reconhecimento internacional graças ao seu terceiro álbum o Acánagna de 1964, ficando no topo das paradas de sucesso em Porto Rico, Panamá e Nova Iorque. A conquista também contribuiu para o El Gran Combo ganhar fama no Brasil, Argentina, Venezuela e Colômbia. A El Gran Combo recebeu o título de honra da La Universidad de la Salsa por sua importância e dedicação à Salsa. Em 2017, a banda que agora conta com 16 integrantes, completou 55 anos de carreira, com mais de 60 discos gravados em estúdio.

#3 Mala Mala

MALA MALA (2014)
Documentário – 90min – Cor – 14 Anos
Direção: Antonio Santini e Dan Sickles

A dica de cinema do Ondas Latinas de hoje, homenageando Porto Rico, é o documentário Mala Mala, primeiro longa-metragem da dupla Antonio Santini e Dan Sickles, lançado em 2014 mundialmente.

Santini, que é porto-riquenho, ganhou, em conjunto com Sickles, o Prêmio do Grande Júri no Festival de Sundance de 2017 pelo seu documentário seguinte: “Dana”.

Mala Mala tem como objeto de estudo a comunidade transgênera de Porto Rico e traz, em uma linguagem ao mesmo tempo delicada e descontraída, a história de nove personagens da comunidade LGBTQ e os desdobramentos de questões identitárias e sexuais em suas vidas.

O filme é pioneiro em explorar a interligação da cultura queer, historicamente marginalizada em Porto Rico, com as diferentes facetas de identidade sexual e de gênero.

Mala Mala também conta com a participação de April Carrión, drag queen e ex-participante do reality show RuPaul’s Drag Race. O documentário tem 90 minutos, classificação indicativa de 14 anos e está disponível no catálogo brasileiro do Netflix.

Essa foi nossa breve indicação cinematográfica sobre Porto Rico. As Ondas Latinas saem da ilha por hoje e voltam ao Cone Sul para apresentar curiosidades da música e do cinema do Uruguai! Fique ligado na programação da Rádio UFSCar e escute diferente!

 

Dia 07/02 – Uruguai

#1 La Vela Puerca

La Vela Puerca é uma das bandas mais importantes bandas do rock latino. Formada em 1995, por um grupo de amigos, combina o rock, o reggae e o ska com elementos da cultura uruguaia. Com mais de 20 anos de carreira, o La Vela Puerca já lançou 8 discos e 2 DvDs, e já se apresentou na Argentina, Brasil, México, Paraguai, Chile, Estados Unidos e Espanha. Graças a qualidade musical e a insistência da banda, que trabalhou duro para conseguir apresentar sua música fora de seu país de origem, o rock uruguaio passou a ter mais visibilidade, abrindo caminho para outras bandas do mesmo estilo. Em 2017, o La Vela Puerca lançou um combo especial, com fotos, vídeos e gravações musicais, em comemoração às duas décadas de trabalho e parceria, já que os membros da banda permanecem os mesmo desde o início.

 

#2 Ana Prada

A cantora e compositora uruguaia Ana Prada começou sua carreira em 1994, acompanhando seu primo Daniel Drexler no grupo La Caldera e fez parte do coro de outros músicos uruguaios. Seu primeiro disco solo “Soy Sola” de 2006 apresenta a fusão da cultura folclórica do litoral Uruguai, como valsecito, milonga, chacarera e carnavalito com a música contemporânea, além de composições autorais. A obra foi bem recebida pela crítica e rendeu a nomeação aos prêmios Carlos Gardel e Graffiti. Em 2009, o álbum Soy Pecadora apresentou mais influências da música pop e o seu último álbum da trilogia Soy, o Soy Otra de 2013 apresenta características tradicionais da América Latina.

 

#3 O Banheiro do Papa

O BANHEIRO DO PAPA (El Baño del Papa, 2007)
Drama – Ficção – 98min – Cor – 10 Anos
Direção: César Charlone e Enrique Fernández

Nossa dica de cinema de hoje viaja ao Uruguai para indicar o filme O Banheiro do Papa ou El Baño del Papa, uma coprodução entre Uruguai, Brasil e França, lançado em 2007.

O filme foi dirigido pela dupla César Charlone e Enrique Fernández. Charlone é um fotógrafo e cineasta uruguaio, mas é radicado no Brasil. Charlone é conhecido por seu trabalho como fotógrafo em Cidade de Deus, que lhe rendeu indicação ao Oscar de Melhor Fotografia em 2004, e também por ter dirigido a série 3%, primeira produção brasileira da Netflix.

O Banheiro do Papa conta a história de Beto e de sua família em uma pequena comunidade uruguaia que anseia pela visita do papa João Paulo II. Beto é muambeiro e, para sanar os problemas financeiros da família, tem a ideia de construir um banheiro público que alugará durante a visita do papa.

O filme mistura drama e comédia para contar as peripécias de Beto e também como a visita de uma figura ilustre modifica a rotina de uma pequena comunidade.

O Banheiro do Papa teve boa recepção de crítica e público e ganhou o prêmio de Melhor Filme nos importantes festivais brasileiros de Gramado e da Mostra Internacional de São Paulo. É baseado em fatos reais e classificação indicativa de 10 anos.

https://www.youtube.com/watch?v=KHfhw9AU-Dw

Dia 08/02 – Colômbia

#1 Totó La Momposina

A cantora, dançarina e professora Totó La Momposina é a uma das principais representantes da música folclórica da Costa do Caribe Colombiano, onde a cultura africana, indígena e espanhola se misturam. “A música que toco tem suas raízes em uma raça mestiça; sendo africana e indígena, o coração da música é completamente percussivo.”, explica Totó na biografia de seu site oficial. Nascida em uma família de músicos, conheceu desde cedo os ritmos cumbia, chalupa, garabato, mapale e o bullerenge. Formou sua primeira banda nos anos 60, mas foi no início dos anos 90 que sua fama internacional foi iniciada, com as apresentações na turnê WOMAD (World of Music, Arts and Dance) realizada em três continentes. Também com grande importância para sua carreira foi a sua apresentação em Estocolmo em 1982, durante a entrega do prêmio Nobel de Literatura, concedido ao escritor colombiano Gabriel García Márquez.
Totó já ganhou três das sete sete indicações ao Grammy Latino e recebeu uma indicação ao Grammy Americano.

 

#2 Ondatrópica

O coletivo Ondatrópica mistura a rica tradição da música colombiana com elementos contemporâneos. Formado por aproximadamente 50 músicos de diferentes gerações apresenta em sua obra o resultado da luxuosa fusão da cúmbia, curralão, gaiata e o porro com o hip hop, funk, dub, jazz e ska. Os dois discos, “Ondatrópica” (2012) e “Baile Bucanero” (2017), tiveram boa aceitação pelo público e pela crítica, levando a apresentação do grupo por diversos países, incluindo o Brasil. O projeto foi criado pelo maestro e instrumentista Mario Galeano da banda Frente Cumbiero e pelo produtor britânico Will Holland também conhecido como Quantic, e reúne um elenco de peso, com figuras lendárias da música.
Em entrevista para o jornal O Estadão, o Mario Galenado, explicou sua teoria sobre a riqueza sonora colombiana “A razão é primeiro geográfica. Pense que estamos falando de um país entre dois mares, o Pacífico e o Atlântico, com uma Cordilheira dos Andes e uma parte amazônica. Essa variedade cria muitas Colômbias. Somos cinco países em um só.”

 

#3 A Estratégia Do Caracol

A ESTRATÉGIA DO CARACOL (La Estrategia del Caracol, 1993)
Comédia/Drama – Ficção – 116min – Cor
Direção: Sergio Cabrera

Começa agora mais um Ondas Latinas. E para finalizar nossa viagem à Colômbia, nossa dica de cinema de hoje é o filme A Estratégia do Caracol (La Estrategia del Caracol), dirigido por Sergio Cabrera e lançado em 1993.

A Estratégia do Caracol é uma dramédia (mistura de drama e comédia) baseada em fatos reais que narra a história de inquilinos que tentam evitar a demolição do antigo prédio em que moram.

O prédio fica em um dos bairros mais pobres da capital colombiana Bogotá e isso serve de base para mostrar uma gama de personagens de diversas classes sociais e origens e como a burocracia e os interesses políticos e ideológicos permeiam o cotidiano desses moradores.

A Estratégia do Caracol era um projeto antigo do cineasta Sergio Cabrera e só foi levado adiante quando o escritor Gabriel Garcia Marquéz viu o esboço do filme. Ainda assim o filme demorou quatro anos para ser finalizado, devido a problemas de financiamento.

Mas a combinação de um filme que traz a realidade da Colômbia em uma perspectiva otimista transformou o filme em um grande sucesso de público e crítica. A Estratégia do Caracol é um dos dez filmes colombianos mais vistos em seu país natal, e o filme acumulou diversos prêmios internacionais, com destaque para o prêmio Fórum do Novo Cinema do Festival de Berlim em 1994.

Essa foi mais uma dica de cinema do Ondas Latinas. Amanhã tem mais Ondas Latinas na Rádio UFSCar, às 9h da manhã. Fique ligado na programação da Rádio UFSCar e escute diferente!

 

Dia 09/02 – Brasil

#1 Pinduca

Natural da cidade de Igarapé-Miri, interior do Estado do Pará, o cantor e compositor Pinduca é conhecido em todo o Brasil como o Rei do Carimbó. Nascido em uma família de músicos iniciou sua carreira com apenas 14 anos tocando pandeiro, e logo ingressou em Orquestras . Seu primeiro disco Carimbó e Sirimbó do Pinduca de 1973 vendeu o número expressivo para a época de 15.000 cópias, da Bahia até Manaus. Pinduca é o criador dos ritmos Sirimbó, Lári-Lári e Lamgode, lançou mais de 30 discos sendo o “No embalo do Pinduca”, que reúne músicas de sua carreira, indicado ao prêmio Grammy Latino 2017 na categoria Melhor Álbum de Música de Raízes Brasileiras.
Segundo Pinduca “O carimbó é a música e a dança folclórica do Pará. É afro-brasileira, com influência indígena e portuguesa, e retrata o cotidiano do caboclo.” O curimbó (tambor), afochê, banjo, flauta, ganzá, maracá, pandeiro e reco-reco são os instrumentos utilizados para tocar o carimbó.

 

#2 Dona Onete

Considera a Diva do Carimbó Chamegado, a cantora e compositora paraense Dona Onete lançou seu primeiro disco aos 72 anos. Antes de se dedicar à carreira artística, foi professora de História e e secretária da Cultura no município de Igarapé-Miri no Pará. Suas canções apresentam o folclore do Pará, embalados pela cúmbia, o carimbó, o merengue, o bolero, lambada e a guitarrada. Logo com o primeiro trabalho, Feitiço Caboclo (2012) obteve uma calorosa recepção da crítica e do público.Seu segundo álbum, Banzeiro (2016), apresenta canções inspiradas na sabedoria cultural da cantora, com características da mistura da cultura negra com a cabocla.
Dona Onete já se apresentou pelo Brasil e o mundo, só na Europa já realizou mais de 3 turnês, foi capa da revista Songlines em 2017 e participou do Rádio UFSCar ao Vivo em agosto de 2016.

 

#3 Amor, Plástico e Barulho

AMOR, PLÁSTICO E BARULHO (2015)
Drama/Romance – Ficção – 86min – Cor – 14 Anos
Direção: Renata Pinheiro

O Ondas Latinas retorna com mais uma dica de cinema, dessa vez homenageando nossa querida pátria mãe, Brasil. E nossa dica de hoje é mais um sucesso da safra contemporânea do cinema brasileiro: Amor, Plástico e Barulho.

Amor, Plástico e Barulho foi finalizado em 2013, mas lançado comercialmente apenas no início de 2015 aqui no Brasil. O longa é o filme de estreia da diretora Renata Pinheiro, conhecida por seus trabalhos como diretora de arte, com destaque para alguns sucessos do cinema contemporâneo nordestino, como Tatuagem e Amarelo Manga.

O filme retrata, com glamour e fantasia, o imaginário do mundo da música brega. Maeve Jinkings (Maéve Jínquins) e Nash Laila (Nésh Láila) interpretam as protagonistas Jaqueline e Shelly. A primeira é vocalista da banda fictícia Amor com Veneno e a segunda é aspirante a cantora de brega. O filme também reverte a estrutura clássica de rivalidade entre a mulher veterana e a mulher aprendiz ao trazer uma interessante consciência feminina de sororidade na relação estabelecida entre as protagonistas.

Amor, Plástico e Barulho também é conhecido pela sua intersecção com o mundo real da música: além de trazer às telas a vertente da música brega, muito popular no Norte e no Nordeste do país, há, na trilha sonora, colaborações com DJ Dolores, Yuri Queiroga e Dedesso da banda Vício Louco.

O filme ainda utiliza o pano de fundo do brega e do sucesso para fazer uma interessante crítica sobre a frivolidade do sucesso e das relações humanas, onde tudo é “descartável”, como é o caso do estado decadente da cantora personagem Jaqueline. Com essa abordagem, foi um sucesso de crítica e ganhou três importantes prêmios no Festival de Brasília de 2013: Atriz, Atriz Coadjuvante e Direção de Arte.

Em abril de 2016, Renata Pinheiro esteve em São Carlos para apresentar o filme em uma plateia cheia no Teatro Florestan Fernandes, como parte da programação da 16ª SeIS – Semana de Imagem e Som.

O Ondas Latinas faz uma breve pausa nesse carnaval (que tem uma programação toda especial feita pela Rádio UFSCar) e volta na quinta-feira, dia 15/2, com mais dicas de música e cinema do nosso continente pra você.

 

Dia 15/02 – Chile

#1 Violeta Parra

Nascida em 1917, Violeta Parra foi uma das maiores compositoras e cantoras do Chile, também conhecida por seu trabalho como artista plástica e ceramista e, principalmente, como folclorista.Violeta começou a tocar violão desde os nove anos de idade, mas optou definitivamente pela música aos 15. Juntamente com sua irmã Hilda, fundou a dupla “Las Hermanas Parra”, dedicada a interpretar músicas folclóricas na noite chilena.

Seu primeiro álbum, de 1949, também foi com sua irmã. Mas foi só a partir de 1952 que Violeta Parra dedicaria-se a pesquisar as raízes folclóricas do Chile e compor os temas que a fariam famosa. Violeta chegou a catalogar cerca de 3 mil canções tradicionais, organizadas posteriormente em uma publicação literária.

Seus temas foram inspiradores para a geração seguinte, que iniciaram, no ano de sua morte, em 1967, o Nueva Cancion Chilena, movimento conhecido pelo resgate folclórico e incorporação de instrumentos hispanoamericanos na música do Chile.

Violeta Parra ficou conhecida pelo teor político em favor dos oprimidos de suas canções e pelo lirismo ao descrever o cotidiano da parcela pobre da sociedade chilena. Assim, suas canções embalaram importantes momentos revolucionários do Chile.

Importante compositora, a força de Violeta Parra também ecoou no Brasil através de gravações de Milton Nascimento (em parceria com Mercedes Sosa) e Elis Regina.

 

#2 Inti-Illimani

Inti-Illimani é um conjunto musical chileno formado em 1967. É um dos grupos de maior renome internacional do país sul americano, conhecido como uma das maiores expressões do movimento da Nueva Canción Chilena.

O Nueva Canción Chilena teve início no fim dos anos 1960, em meio a um momento turbulento no cenário sóciopolítico do Chile e, seu maior objetivo era o resgate da cultura de raiz e das expressões folclóricas do Chile através da música.

“La Exiliada de Sur”, que você escutou no início do Ondas Latinas de hoje, é uma composição de Violeta Parra, grande inspiração para os músicos da Nueva Canción Chilena.

O Inti-Illimani nasceu com estudantes da Universidad Técnica do Chile como resposta ao anseio por reformas políticas e sociais. A formação clássica conta com os três fundadores Horácio Durán, Jorge Coulon e Max Berrú e também Horácio Salinas, José Seves e Marcelo Coulon.

O conjunto seguiu em atividade pelas décadas seguintes, com entrada e saída de alguns membros até que, em 2004, foi dividido em dois grupos: o Inti-Illimani Nuevo e o Inti-Illimani Histórico.

 

#3 Violeta Foi Para o Céu

Começa agora mais uma dica de cinema da programação do Ondas Latinas, nosso especial de férias sobre nosso querido continente. E a dica de hoje, para combinar com o que você escutou às 9h e às 15h, é o filme Violeta foi para o céu.

O filme é uma cinebiografia da artista chilena Violeta Parra. Lançado no final de 2011 e dirigido pelo também chileno Andrés Wood, o filme é uma biografia que traz às telas diversos momentos da vida de Violeta – sua infância em Ñuble, suas viagens nacionais e internacionais, além do romance com o suíço Gilbert Favre.

Ele é baseado no romance homônimo escrito pelo filho de Violeta Parra, Ángel Parra. No elenco, a escolhida para interpretar a artista chilena foi a atriz Francisca Gavilán.

Violeta foi para o céu também foi bem recebido pela crítica, tendo ganhado o prêmio de Melhor Filme Internacional no Festival de Sundance em 2012 e indicado a Melhor Filme Hispanoamericano no prêmio Goya de 2011;

Violeta foi para o céu é uma coprodução entre Chile, Argentina e Brasil, tem 110 minutos e classificação indicativa de 14 anos.

 

Dia 16/02 – Cuba

#1 Buena Vista Social Club

Em mais uma edição do Ondas Latinas, agora em homenagem à ilha de Cuba, vamos falar de Buena Vista Social Club.

Buena Vista Social Club é um conjunto de músicos cubanos formado em 1996. Os músicos foram organizados pelo produtor executivo Nick Gold, produzidos pelo guitarrista americano Ry Cooder e dirigidos pelo cubano Juan de Marcos González. O intuito do projeto é o de reviver a cultura musical cubana pré-ditadura.

O nome Buena Vista Social Club foi inspirado no clube homônimo exclusivo para membros existente nos anos 1930 na capital Havana. Seus principais gêneros são o bolero, o son cubano e o danzón.

O primeiro álbum do grupo foi um sucesso internacional desde o seu lançamento e levou o diretor alemão Wim Wenders (Vim Vênders) a gravar um documentário, também intitulado Buena Vista Social Club, lançado em 1999, sucesso de crítica e indicado ao Oscar de Melhor Documentário. Foi para o filme de Wenders que o Buena Vista Social Club reuniu todos os membros do seu conjunto pela primeira vez em uma única apresentação, ocorrida em Amsterdã, nos Países Baixos, em 1999, na gravação do segundo álbum do conjunto.

O Buena Vista Social Club é um dos principais responsáveis pelo aumento de interesse em ritmos latinos observado nos Estados Unidos e no mundo na década de 90. O conjunto faz apresentações pelo mundo com o título de Orquesta Buena Vista Social Club.

Além dos seus três álbuns no currículo, possui vários álbuns com membros em destaque que também são considerados como parte da obra do Buena Vista Social Club.

Este ano a Orquesta Buena Vista Social Club se apresenta em São Paulo, no dia 12 de maio, com a participação especial da veterana cubana Omara Portuondo.

 

#2 Celia Cruz

Celia Cruz foi a mais popular e famosa cantora latino-americana do século XX. Cubana natural de Havana, Celia posteriormente se naturalizou americana. Nascida em 1925 e falecida aos 77 anos em 2003, Celia era conhecida como a “Rainha da Salsa” ou “La guarachera de Cuba”.

Os apelidos devem-se aos ritmos pelos quais ela ficou conhecida. Guaracha é um tipo de música popular cubana que existe desde o século XVIII, conhecido pelo seu ritmo rápido e letras pitorescas. Já a salsa é um dos sons latinos mais conhecidos, em si uma mistura de outros gêneros musicais, em especial o “som cubano” (que em si é uma mistura de percussão e guitarra afro-cubanos e canções espanholas), mambo, chá chá chá e até mesmo o bolero.

Celia Cruz estudou teoria musical, voz e piano no Conservatório Musical de Havana e iniciou sua carreira cantando na Rádio García Serra. Mas seu sucesso veio a partir dos anos 1950, quando assumiu a voz da banda Sonora Matancera, por onde permaneceu por 15 anos.

Quando Fidel Castro assumiu o governo de Cuba, Celia Cruz já morava nos Estados Unidos e foi proibida de voltar ao seu país de origem. Lá mesmo ela construiu sua longa e popular carreira, sempre baseada na música latina, principalmente a cubana.

Celia continuou trabalhando até adoecer com um câncer no cérebro, que a levou à sua morte em 2003. Premiada ao longo da sua carreira, Celia também recebeu homenagens póstumas, com destaque ao musical Azúcar!, de 2005, nome também da exibição em sua homenagem no Museu Nacional da História Americana, em Washington.

 

 

#3 Memórias do Subdesenvolvimento

MEMÓRIAS DO SUBDESENVOLVIMENTO (Memorias del Subdesarollo, 1968)
Drama – Ficção – 95min – P&B – 14 Anos
Direção: Tomás Gutiérrez Alea

Começa agora mais uma edição do Ondas Latinas. Na nossa dica de cinema de hoje, vamos falar do filme Memórias do Subdesenvolvimento.

Memórias do Subdesenvolvimento é um filme cubano dirigido por Tomás Gutiérrez Alea, lançado em 1968.

Cconsiderado um dos filmes mais importantes da cinematografia latinoamericana, o filme narra a história de Sérgio, escritor de origem burguesa, que reflete sobre as mudanças políticas de Cuba e suas relações interpessoais após toda a sua família ir embora para Miami.

O filme, que acompanha a visão de Sérgio, interpretado pelo ator Sérgio Corrieri, conta, de forma não-linear e descontinuada, com mistura de drama e comédia, os efeitos da pós-revolução cubana e da ascensão de Fidel Castro na população da ilha.

Foi restaurado em 2005 e relançado pela Criterion Collection e, atualmente faz parte da coleção de restaurações do Projeto Cinema Mundial de Martin Scorsese. O filme tem 95 minutos, em preto e branco, e possui classificação indicativa de 14 anos.

 

Dia 19/02 – Venezuela

#1 Ali Primera

Nascido em 1941, o músico Ali Primera foi cantor, poeta e ativista político, também conhecido como “O cantor do povo venezuelano”. De família pobre, começou a trabalhar aos seis anos, ajudando no sustento de sua mãe e seus cinco irmãos. Nos anos 60, durante a graduação no Curso de Química, começou a compor e a cantar como um divertimento, até passar a dedicar-se integralmente à música, tendo êxito logo com suas primeiras canções. Seu primeiro disco, “Gente de mi Tierra” foi gravado na Alemanha, durante a continuação de seus estudos, com bolsa oferecida pelo partido comunista.

Por suas composições abordarem o sofrimento relativo à miséria e à desigualdade social, ganhou rapidamente empatia e voz entre a população mais pobre do país. Devido ao cunho crítico de sua obra, Ali não tinha espaço nas gravadoras e na mídia venezuelana, o que o levou a criar o seu próprio selo de discos, o Cigarrón, que contou com a companhia discográfica Promus para a distribuição comercial de suas obras. Ingressou em partidos do movimento comunista e durante sua carreira apresentava-se em fábricas, colégios, sindicatos e na Universidad Central de Venezuela.

Ali Primera gravou 18 discos, tendo entre suas músicas mais famosas “Paraguaná paraguanera”, Casas de cartón, Canción mansa para un pueblo, entre outras. Seu estilo musical foi a música popular, folclórica e de protesto.

Ali morreu em 1985 vítima de um acidente de trânsito. Sua obra foi declarada patrimônio cultural venezuelano em 2005.

 

#2 Tomates Fritos

Tomates Fritos é uma banda venezuelana de rock formada na cidade de Puerto La Cruz em 1996. Inspirado em rock’n’roll clássico e no folk norte-americano dos anos 60, a banda mescla em sua discografia melodias pop-rock com o que há de contemporâneo no rock cantado em espanhol.

Atualmente, a banda tem seis discos – o primeiro de 1997, chamado Cosecha (Cossétchá), e o sexto, lançado em 2016, leva o título da banda.

Tomates Fritos é um grupo de rock que faz parte da importante leva latinoamericana de rock, como Aterciopelados, da Colômbia e Molotov, do México, com os quais o Tomates Fritos já participou de apresentações conjuntas.

Sua formação vem de festivais de música independente da Venezuela, local de maior disseminação do rock neste país. Tocando inicialmente no Festival Nuevas Bandas (1998), Tomates Fritos vai passar por outros festivais importantes do país, como Festival Ni Tan Nuevas Bandas (2010), Sin Mordaza (2013) e o Suena Caracas (2014), este último o maior festival de música latinoamericana da Venezuela.

 

#3 Pelo Malo

PELO MALO (2013)
Drama – Ficção – 93min – Cor – 14 Anos
Direção: Mariana Rondón

O filme do Ondas Latinas de hoje, em homenagem à Venezuela, é o drama Pelo Malo. O filme, dirigido pela cineasta Mariana Rondón e lançado aqui no Brasil em 2014, é uma observação sobre as contradições em volta da identidade e do papel de gênero, sexualidade, raça e classe na sociedade contemporânea da Venezuela.

Pelo Malo, em espanhol, significa “cabelo ruim”. O filme conta a história de Junior, interpretado por Samuel Lange Zambrano, um menino de 9 anos que sonha em alisar seus cabelos crespos para ficar mais parecido com um cantor de cabelos compridos a quem ele admira. Enquanto isso, sua mãe Marta, preocupa-se com o jeito diferente do filho.

Pelo Malo foi reconhecido internacionalmente com o Prêmio Concha de Ouro de Melhor Filme no Festival Internacional de San Sebastián na Espanha, e indicado ao prêmio de Melhor Filme no Festival de Mar del Plata, na Argentina.

Pelo Mala é uma coprodução entre Venezuela, Peru, Argentina e Alemanha, tem 93 minutos e classificação indicativa de 14 anos.

 

Dia 20/02 – Colômbia

#1 Monsieur Periné

A banda colombiana Monsieur Periné começou como um projeto de amigos que se reuniam para tocar canções brasileiras e boleros. Inicialmente, em 2009, apresentavam-se em pequenos eventos sociais, como casamentos, e graças a boa recepção do público, decidiram levar o projeto a um nível maior. Com formação de oito integrantes, lançaram o primeiro álbum em 2012, o Hecho a Mano, que recebeu ótima aceitação na Colômbia e um disco de ouro logo após três semanas de seu lançamento. O rápido sucesso levou o Mounsieur Periné para uma extensa turnê pela América Latina e a Europa. O segundo disco, Caja de Música, de 2015, apresenta uma concepção mais elaborada que o disco de estreia, contando com a experiência obtida nos dois continentes em que passaram e com os conhecimentos de Eduardo Cabra, da banda porto-riquenha Calle 13, no processo de produção. A música do Monsieur Periné mistura o pop, o swing e o jazz, com influências da música francesa e o sabor latino americano.

 

#2 Bomba Estéreo

Formado em 2005 em Bogotá – Colômbia, o Bomba Estéreo mistura a cumbia, a salsa, o dance e o rap com a música psicodélica e o groove. Logo com o primeiro disco “Vol. 1” de 2006, o grupo despertou o interesse da mídia e do público colombiano, com o segundo disco “Estalla/Blow Up” de 2008 conquistaram fama internacional e um disco de ouro. O terceiro álbum “Elegancia Tropical” de 2012, liderou as vendas da iTunes Store e em 2015, lançaram o disco “Amanecer”, pela Sony Music, que foi indicado ao Grammy Latino.

A obra do Bomba Estéreo conta com a produção artística de Simón Mejía e a voz da cantora e rapper Li Saumet. O grupo já passou por 40 países realizando turnês, quatro continentes e em grandes festivais como o Lollapalooza, Rock in Rio, Outside Lands, entre outros.

O quinto álbum da banda, “Ayo” de 2017, apresenta melodias dançantes e canções que abordam temas como a angústia do cotidiano, o empoderamento pessoal e autorreflexão, com letras cantadas em inglês e em espanhol.

 

#3 O Abraço da Serpente

O ABRAÇO DA SERPENTE (El Abrazo de la Serpiente, 2016)
Drama/Aventura – Ficção – P&B – 16 anos
Direção: Ciro Guerra

O filme da dica de cinema do Ondas Latinas de hoje, novamente em homenagem à Colômbia, é O Abraço da Serpente.

Lançado em 2016, o filme é um drama histórico dirigido pelo cineasta colombiano Ciro Guerra, que, com ele, ganhou o prêmio da Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes em 2015.

O Abraço da Serpente conta duas histórias envolvendo o protagonista indígena Karamakate, um na sua juventude em 1909 e outro já com ele mais velho, em 1940. Ambas histórias trazem a perspectiva indígena da invasão de um espaço sagrado por outros povos (brancos).

Karamakate é o único sobrevivente de sua tribo e é procurado, nas duas narrativas, por estrangeiros que buscam uma planta sagrada, chamada “yakruna”. O filme mistura drama e aventura em seus 125 minutos explorando a paisagem amazônica, as tradições indígenas e a relação conflituosa estabelecida com a presença dos estrangeiros.

O filme é o mais recente sucesso internacional do cinema latino-americano, com indicações ao Oscar, Indie Spirits e prêmios importantes nos festivais Cannes e Sundance.

O Abraço da Serpente é uma coprodução entre Colômbia, Venezuela e Argentina e tem classificação indicativa de 16 anos.

 

Dia 21/02 – Paraguai

#1 Luis Alberto Del Paraná

Nascido em 1926, o cantor, compositor e instrumentista Luis Alberto Del Paraná foi um importante difusor da música paraguaia, que levou a música raíz de seu país várias partes do mundo. Com seu grupo Los Paraguayos, recebeu a “ Missão Oficial Cultural” do Governo Nacional, para serem embaixadores da música paraguaia na Europa, sendo um dos primeiros músicos latino-americanos respeitados mundialmente.

Luis Alberto apresentou sua obra em mais de 76 países, além de dividir os palcos com renomados artistas como Louis Armstrong, Nat King Cole, Edith Piaf e Frank Sinatra. Gravou mais de 51 discos e 500 canções, recebeu oito discos de ouro, entre muitas premiações, e é até hoje, o artista paraguaio que mais vendeu discos.

Luis Alberto Del Paraná morreu em Londres, em 1974, a chegada de seu corpo em Assunção foi transmitida pelas rádios do Paraguai e de alguns países vizinhos, e provocou grande comoção popular, levando milhares de pessoas para as ruas.

 

#2 Iván Zavala

Iván Zavala é um cantor pop de apenas 26 anos oriundo de Assunção, capital do Paraguai. Desde pequeno começou a tocar piano e a partir dos oito anos começou a escrever suas primeiras composições. Depois disso, aprendeu a tocar guitarra, que veio a ser o seu principal instrumento.

Ivan fez sucesso no seu país natal e em vários países latino-americanos por conta de um vídeo cover que fez da música “Someone Like You” da cantora britânica Adele. Seu vídeo viralizou e assim a sua carreira foi lançada no cenário pop latino, com a ajuda do produtor argentino Juan Blas Caballero que, em seu currículo, tem as produções da também cantora pop Paulina Rubio (México).

Ivan Zavála mistura influências latinas e de pop/rock no seu repertório, que é majoritariamente de música pop. Ele já lançou três álbuns: “Imposible”, de 2013, “Ida y Vuelta” de 2016 e o álbum ao vivo “IVAN Tour Imposible”, de 2014.

 

#3 O Tempo Nublado

O TEMPO NUBLADO (El Tiempo Nublado, 2014)
Documentário – 92min – Cor – Livre
Direção: Aramí Ullon

Começa agora mais uma dica de cinema do Ondas Latinas. O filme de hoje, do nosso vizinho Paraguai, é o documentário O Tempo Nublado, de 2014.

O filme é dirigido pela cineasta Aramí Ullon, e é uma coprodução entre Paraguai e Suíça, país onde a diretora reside.

O documentário é autobiográfico e fala da relação de Aramí Ullon com sua mãe idosa, que sofre de epilepsia e Doença de Parkinson desde que Aramí era criança. A premissa de O Tempo Nublado segue o dilema de Arami quando a saúde da mãe deteriora e surge a questão – o que fazer com nossos pais quando eles envelhecem e adoecem?

O documentário traz o tema da doença e da família para o centro de sua narrativa, mas também explora o dilema de Arami entre permanecer com a vida construída na Suíça ou voltar ao Paraguai. Assim, o filme traz uma observação do contraste da sociedade paraguaia com as oportunidades que os expatriados procuram na Europa.

El Tiempo Nublado é um documentário que aborda as questões da velhice e da complicada relação entre pais e filhos quando confrontados com uma doença degenerativa.

O filme teve boa repercussão internacional e foi o primeiro filme paraguaio a ser submetido à seleção do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, embora não tenha sido selecionado.

 

Dia 22/02 – México

#1 Lila Downs

A mexicana Lila Downs é cantora, compositora, produtora e atriz. Com formação musical adquirida nos Estados Unidos, terra natal de seu pai, começou sua carreia aos 25 anos. Sua obra amplia o conteúdo do gênero world music ao acrescentar ritmos e instrumentos tradicionais da América Latina, elementos do folclore mexicano e canções interpretadas em espanhol, mixteco, zapoteca e inglês.

Seu primeiro álbum de sucesso, o La Sandunga de 1999, vendeu 500.000 cópias em todo o mundo. Una sangre, um de seus discos mais vendidos, teve lançamento simultâneo nos Estados Unidos, México e Espanha, e suas canções abordam temas como a imigração e a discriminação.

Lila Downs já realizou trabalhos com Totó La Momposina, Juanes, Natalia Lafourcade, Ninã Pastori, entre outros. Tem mais de 10 discos gravados e é ganhadora de um Grammy Awards e cinco Grammy Latino, sendo o último conquistado com o álbum Salón Lágrima Y Desejo, de 2017, na categoria Melhor Álbum Pop Vocal Tradicional.

 

#2 Los Choclok

A banda Los Choclok foi formada em 2009 por jovens músicos do sul de Veracruz, no México. Herdeiros da tradição da música Jarocho, misturam a cumbia e ritmos caribenhos como reggae e o ska com elementos contemporâneos, criando uma identidade musical rica e inovadora.

As letras de suas canções trazem uma análise crítica da realidade vivenciada pelos jovens de sua cidade natal. A música dos Los Choclok é alegre e enérgica, utilizam de instrumentos como: acordeon, jarana, güiro, xequerê, guitarra, baixo, teclados, percussão e metais.

O trabalho do Los Choclok pode ser conferido no álbum Sonido Místico de 2015 e no single Te Busqué de 2018.

 

#3 A Jaula de Ouro

A JAULA DE OURO (La Jaura de Oro, 2013)
Longa-metragem, 108min – Cor – 14 anos
Direção: Diego Quemada-Diez

Começa agora mais uma dica de cinema do Ondas Latinas. Hoje falamos um pouco sobre A Jaula de Ouro, de 2013

O drama marca a estreia do diretor mexicano Diego Quemada-Díez, em longas-metragens.

O road movie conta a história de três adolescentes que abandonam sua aldeia na Guatemala e embarcam em uma viagem perigosa para tentar a vida nos Estados Unidos, atravessando pela fronteira do México.

Os artistas iniciantes, Brandon López, Rodolfo Dominguez, Karen Martinez que interpretam o trio de jovens corajosos em busca de uma vida melhor, passaram pelas mãos de Fátima Toledo, preparadora de elenco mais conhecida do Brasil.

 

Dia 23/02 – Equador

#1 Swing Original Monks

Como muitos dos artistas latino-americanos da atualidade, a banda indie equatoriana Swing Original Monks, mistura ritmos tradicionais com a música contemporânea. A banda é composta por integrantes da América Latina, Europa e Estados Unidos, que se encontraram no Equador.

A união de músicos de diferentes partes do mundo, proporcionou uma mescla de culturas e influências, resultando em uma obra com elementos do jazz, merengue, balkan, música eletrônica, cúmbia, enfim, em inúmeras possibilidades musicais.

Alcançaram o sucesso logo com o primeiro disco, o La Santa Fanesca de 2013, recebendo convites para turnês na Europa, Estados Unidos e alguns países da América Latina, só no Equador, realizaram mais de 200 shows.

Em 2014, o disco foi reeditado em Porto Rico com produção de Eduardo Cabra do Calle 13, e recebeu o nome de SOMOS.

 

#2 Rocola Bacalao

Rocola Bacalao é uma banda equatoriana conhecida por representar a fusão latina que representa o cenário musical no Equador contemporâneo. Formada em 1999 por Paolo Moncagatta e Iván Mendieta, Rocola Bacalao começou tocando em festivais pequenos de seu país natal que, mais tarde, tornaram-se importantes festivais internacionais de difusão de tendências musicais no país.

O som do Rocola Bacalao mistura cumbia, merengue, salsa, ska, reggae e swing com música tradicional equatoriana e até mesmo o rock’n’roll. As influências viajam por toda a América Latina não só nas influências de gênero, mas também na composição das letras: em sua maioria, falam de problemas sociais que acometem o Equador e o nosso continente, como corrupção, trabalho infantil, dentre outros.

Ao longo de seus quase 20 anos, a banda acumula cerca de 500 apresentações ao redor do mundo, tornando-se o ato musical do Equador de maior projeção internacional. Foi também por duas vezes apontada como a melhor banda da América do Sul pela edição latinoamericana da revista Rolling Stone (2005 e 2007).

Rocola Bacalao tem cinco álbuns em sua discografia, sendo o último lançado em 2013, intitulado Gases Nobles & Metales Pesados.

Esse foi mais um Ondas Latinas, fique ligado na nossa programação e escute diferente.

 

#3 Sem Mortos Não Há Carnaval

SEM MORTOS NÃO HÁ CARNAVAL (Sin Muertos No Hay Carnaval, 2016)
Drama/Thriller – Ficção – 100min – Cor – 16 Anos
Direção: Sebastián Cordero

Em mais uma dica de cinema do Ondas Latinas, agora em homenagem ao Equador, falamos do filme Sem Mortos Não Há Carnaval. O filme é o sexto longa-metragem do diretor equatoriano Sebastián Cordero, conhecido pelos filmes “Ratas, ratones, rateros” (1999) e “Viagem à Lua de Júpiter” (2013).

O filme pertence ao gênero thriller, que significa um clima de suspense dentro de um enredo tipicamente policial, e conta a história de um jovem rico que está tentando despejar 250 famílias que ocupam a terra que ele herdou e o conflito estabelecido com o líder da ocupação e dos moradores da terra em questão.

Sem Mortos Não Há Carnaval faz uma reflexão sobre todas as camadas sociais que compõe a população de uma cidade equatoriana e mostra como as tensões sociais encontram resposta comumente através da violência.

Sem Mortos Não Há Carnaval estreou no Brasil em 2016 durante a 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O filme é uma coprodução entre Equador, México e Alemanha e foi filmado inteiramente em locação na cidade de Guayaquil, no Equador.

O filme ainda conta com o protagonismo de Andrés Crespo, ator, realizador, escritor e locutor equatoriano, famoso por seus vários papeis no cinema local, inclusive da sua parceria com o diretor Sebastián Cordero.

Dia 26/02 – Bolívia

#1 Bonny Lovy

Bonny Lovy é o pseudônimo artístico de Oscar Mario Paz, boliviano natural da cidade de Santa Cruz de la Sierra. Fenômeno pop da nossa vizinha Bolívia e um sucesso em vários outros países da América Latina, Bonny Lovy é também engenheiro de som, tendo estudado em Porto Rico e se formado com honras.

Conhecido em sua adolescência pelo programa infantil Unitoons, Oscar Mario Paz voltou a fazer sucesso quando se lançou como Bonny Lovy, um cantor pop que mistura o reggaeton apreendido na cena musical de Porto Rico, país onde foi criado, com referências cômicas do seu background na publicidade e televisão. Lovy comenta que suas músicas são sempre muito diferentes uma da outra e, mesmo não tendo palavras tão explícitas, costuma ter um tom um pouco jocoso ou aberto a interpretações.

O cantor dominou as paradas de sucesso de países como Peru e Paraguai com o seu hit “Muchachita”, do seu primeiro álbum intitulado BonnyLovyAndo.

Bonny Lovy produz suas músicas, canta, compõe e ainda edita os seus próprios videoclipes.

 

 

#2 Astronauta Suburbano

Astronauta Suburbano é o nome do projeto solo do músico boliviano Jhonny Rojas, oriundo de Cochabamba. Depois de estadia em algumas bandas do cenário independente como Los Pendek’s, Rojas, que ainda é integrante da banda Passto, decidiu experimentar mais ainda e sair em carreira solo.

O projeto Astronauta Suburbano traz em sua sonoridade o que Rojas chama de pop esotérico: uma sonoridade que coloca os sintetizadores em primeiro plano, mas sem deixar a influência da música pop e do rock alternativo como eixo condutor do projeto.

Astronauta Suburbano lançou o seu primeiro disco, homônimo, em 2015., com 14 faixas, que trazem como inspirações bandas famosas pelo seu flerte do rock com o eletrônico – o shoegaze do My Bloody Valentine e o pop psicodélico do Grizzly Bear. Jhonny Rojas compôs todas as melodias e letras, gravou todos os instrumentos separadamente e mixou sozinho em seu pequeno estúdio caseiro.

 

 

#3 El Caso Boliviano

EL CASO BOLIVIANO (2015)
Documentário – 75min – Cor – 18 anos
Direção: Violeta Ayala

Começa agora mais uma dica de cinema da nossa programação especial de férias, o Ondas Latinas. Em homenagem à Bolívia, o filme de hoje é o El Caso Boliviano, documentário lançado em 2015 e dirigido pela cineasta Violeta Ayala.

El Caso Boliviano conta a história de três garotas norueguesas presas na Bolívia por posse de 22kg de cocaína. A repercussão principal do caso trouxe uma percepção de inocência para uma das acusadas e é esta a premissa de Violeta Ayala: por que apenas uma delas teve a culpa aliviada?

Violeta traz para El Caso Boliviano a exploração do sensacionalismo midiático e quais implicações as atitudes da mídia e a percepção de massa tem sobre o sistema jurídico frágil na sociedade contemporânea.

El Caso Boliviano recebeu críticas positivas, tendo sido exibido em importantes festivais internacionais voltados ao cinema documental, como o HotDocs em Toronto, no Canadá e no prestigioso Festival de Sydney, na Austrália.

No Brasil, o filme foi exibido em mostras e pela TV Brasil. El Caso Boliviano tem 75 minutos e classificação indicativa de 18 anos.

 

Dia 27/02 – Brasil

#1 Francisco, El Hombre

Francisco, El Hombre é um quinteto brasileiro, formado em Campinas, no estado de São Paulo, em 2013. O grupo é composto pelos irmãos Sebastián e Mateus Piracés-Ugarte, ambos mexicanos naturalizados brasileiros, e mais três componentes brazucas: Andrei Kozyreff, Juliana Strassacapa e Rafael Gomes.

A banda é conhecida pela sua música empolgante que mistura elementos de rock e música latina, com destaque para elementos próprios do Brasil e do México. Eles próprios dizem que sua música é uma pachanga folk – pachanga sendo um ritmo latino que mistura son cubano e merengue, e é conhecido por seu estilo vivo e letras instigantes.

Formada pela própria influência da viagem dos irmãos Sebastián e Mateus pelo continente latino-americano, no início da carreira Francisco, El Hombre viajava em turnês improvisadas e de baixíssimo orçamento, tocando em bares, aniversários e em outras oportunidades que iam aparecendo.

O nome da banda é inspirado em figura homônima do folclore colombiano, onde o Franciso é um tocador de acordeão que vaga pelas ruas, o que condiz com a vontade dos irmãos que vieram para Campinas e formaram a banda para largar todas as amarras que tinham com a sociedade.

Francisco, El Hombre tem dois EPs, “Nudez” (2013) e “La Pachanga!” (2015) e seu primeiro álbum foi lançado em 2016 com o título “SOLTASBRUXA”.

 

#2 BaianaSystem

BaianaSystem é um grupo brasileiro integrado por Russo Passapusso, Roberto Barroso, SekoBass e Filipe Cartaxo, criado em 2009, em Salvador.

O nome do grupo deriva-se de suas principais influências musicais: a guitarra baiana e o soundsystem jamaicano. O objetivo inicial do BaianaSystem foi o de trazer novas sonoridades à guitarra baiana, instrumento criado e popularizado na década de 1940 responsável pela formação do trio elétrico.

A banda também bebe de outras fontes com fortes bases afrolatinas: pagode, samba-reggae, frevo, kuduro, cumbia, dentre outros. O estilo fez com que o BaianaSystem ficasse conhecido por seus shows enérgicos e empolgantes. Por ser um sistema de som, suas apresentações ao vivo podem variar em número de integrantes e a banda conta com diversos parceiros musicais.

Atualmente a banda tem dois álbuns e um EP lançados: BaianaSystem (2010), Pirata (EP, 2013) e Duas Cidades (2016). Recentemente, a banda também ganhou projeção internacional ao ter uma de suas músicas “Playsom”, como parte integrante da trilha sonora do jogo Fifa 2016.

 

 

#3 Como Nossos Pais

COMO NOSSOS PAIS (2017)
Drama – Ficção – 102min – Cor – 14 anos
Direção: Laís Bodanzky

Nossa dica de cinema de hoje, novamente em homenagem ao Brasil, traz informações sobre o filme Como Nossos Pais, de 2017, dirigido pela cineasta Laís Bodanzky.

Como Nossos Pais traz a história de Rosa, interpretada pela atriz Maria Ribeiro que, diante da sua vida comum, se vê jogada em um turbilhão de dúvidas e dramas: uma desconfiança, uma doença e uma revelação bombástica constroem a narrativa da personagem.

O filme foi bastante elogiado por trazer às telas uma história sensível que discute as mudanças na mulher diante da nova dinâmica de relacionamentos e papeis sociais. O filme foi ganhador de seis kikitos, premiação do Festival de Gramado, incluindo os prêmios de Melhor Filme e Melhor Direção.

Como Nossos Pais tem o título inspirado na canção homônima de Belchior, lançada em 1976, mais famosa na voz de Elis Regina.

O filme ainda conta com Paulo Vilhena e Clarisse Abujamra no elenco.
Como Nossos Pais é o 5º longa-metragem da diretora Laís Bodanzky, também conhecida pelos filmes “Bicho de Sete Cabeças” (2001) e “As Melhores Coisas do Mundo” (2010). Como Nossos Pais tem classificação indicativa de 14 anos.

 

 

Dia 28/02 – América Latina

#1 Fusión Latinoamericana

Aqui esta o nosso último dia de Ondas Latinas aqui na Rádio UFSCar. Para finalizar nossa programação especial de férias, hoje o Ondas não dedica suas pílulas a um país específico do continente, mas sim a gêneros musicais e cinematográficos que propõem uma integração entre os países da América Latina.

A fusión latinoamericana foi um movimento iniciado no Chile, na década de 60, que tem por objetivo fundir elementos folclóricos da América Latina com outros gêneros musicais como jazz, rock ou mesmo música erudita.

É um gênero conhecido por sua riqueza instrumental e conceitual e foi, juntamente, com o Nova Canción Chilena e o neofolclore, um dos três gêneros responsáveis por enaltecer a música de raiz da América Latina.

Com o passar dos anos, outros gêneros foram incorporados às experimentações: como o reggae, pop, música instrumental e música atonal.

Expoentes dessa vertente musical incluem as bandas Los Jaivas, Los Blops e Congreso, todas chilenas.

 

 

#2 Nova Canção Latino Americana

A Nova Canção Latino Americana ou Neofolclore foi um movimento cultural surgido nos anos 1960 na América Latina com forte caráter de denúncia social e reivindicação identitária. Com a predominância crescente da música anglo-saxônica nos países latinos, o movimento incorporou os gêneros tradicionais europeus e americanos aos elementos de raiz latinos e trouxe consigo canções de protestos que clamava pela preservação da cultura local.

Artistas de vários países latino-americanos como Chile, Argentina, Cuba, Venezuela, México, Bolívia e Nicarágua propuseram, então, essa renovação folclórica, com mescla de ritmos tradicionais locais com inovações musicais. Especificidades em cada país foram surgindo naturalmente e temos, como maiores expressões dessa época, a Nova Canção Chilena, o Novo Cancioneiro Argentino e a Nova Trova Cubana.

 


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