Sobre a 13ª edição do Festival João Rock

Escrito por em 08/06/2014

A décima terceira edição do Festival João Rock, que rolou neste sábado, 31, no Feapam (local originalmente usado para feiras agropecuárias) trouxe um lineup recheado de artistas que tiveram seu auge durante os anos 90, como Paralamas, Nando Reis, Nação Zumbi, CPM 22 e Raimundos. Dois veteranos da música brasileira pontuaram o início e o final do festival (Zé Ramalho e Jorge Ben Jor, respectivamente), de forma que praticamente não sobrou espaço para bandas e artistas do novo rock nacional, que apareceu timidamente representado por Vespas Mandarinas e Vanguart.

É de se entender. Ribeirão Preto não é lá a cidade mais famosa por seu consumo de música independente, então pareceu natural que um festival como o João Rock jogasse seguro no lineup. A organização, no geral, foi boa. Sem muitos atrasos nem problemas técnicos. Para quem quisesse dar uma pausa entre os shows, rolava algumas atividades à parte, como a pista de skate, a tirolesa e uma espécie de bungee jumping improvisado. Como em todos os festivais, a alimentação era extremamente superfaturada, tipo de coisa que já nos acostumamos a relevar. Uma solução bem legal, encontrada pela organização para evitar atrasos, foi a divisão do Palco João Rock, principal do evento, em dois, de forma que enquanto um artista se apresentava em um deles, o seguinte já se preparava no palco ao lado.

No tocante aos shows, nada muito surpreendente. Os nomes de peso que recheavam o lineup entupiram seus setlists de hits. Mesmo bandas menores do lineup tinham seu público fiel, como foi o caso da carioca Ponto de Equilíbrio, uma das principais bandas de reggae do Brasil, que mandou um discurso politicamente carregado, de conotações anticapitalistas, passando uma mensagem de justiça social e paz. Ironicamente, a mesma galera que aplaudiu a apresentação dos cariocas de pé, não perdeu tempo em fazer coro com o “desabafo” raso de Falcão, d’O Rappa, criticando o governo Dilma, a Copa, a FIFA, num discurso  tão óbvio quanto banal. Esse clima esquizofrênico se repetiu ao longo da noite, quando os Paralamas do Sucesso encerraram seu show com um cover de “Que País É Esse?”, com o público respondendo ao refrão com um “é a porra do Brasil!”; para logo em seguida, no show do veterano Jorge Ben Jor, o mesmo público levantar orgulhosamente a bandeira nacional ao som de “País Tropical”.

joaorock

E por falar nos Paralamas, a banda liderada por Herbert Vianna fez um show digno de coletânea, passeando por toda a sua discografia. Tecnicamente, foi uma apresentaçao confusa, pois Vianna e o baterista João Barone não estavam sintonizados, cada um tentava puxar a música para seu ritmo, e o resto da banda ficava perdida no meio; mas isso pouco importou para o público, que dançou bastante ao som dos gigantescos hits do repertório do grupo. Sai Paralamas e já no palco ao lado entrava Jorge Ben Jor. O bem-humorado cantor veio acompanhado de uma banda extremamente habilidosa, que colocou a galera pra dançar com um groove infeccioso, num show repleto de potpourris de seus grandes sucessos – num setlist que, apesar de sólido, deixou a desejar, principalmente pela falta de músicas do aniversariante Tábua de Esmeralda. Mas tudo bem, pois outro aniversariante foi muito bem celebrado no show seguinte: a Nação Zumbi subiu ao palco com fome de tudo (com o perdão do trocadilho) numa apresentação performática, que contou com um repertório destruidor, misturando velhos clássicos com faixas de seu excelente novo disco e finalizando num bloco-homenagem ao seu debut, “Da Lama Ao Caos”, que comemora 20 anos de existência. A banda toda estava afiadíssima, mandando pedrada atrás de pedrada para um público que, apesar de cansado, respondia ensandecido ao peso das alfaias. Destaque fica para o guitarrista Lúcio Maia que roubou a cena com uma noite inspirada.

Depois do show da Nação, nada mais restava. Foi um final catártico para um dia longo de atrações. Ponto para a organização, que conseguiu montar um festival que agradou a todos, digno de um nome de peso como o João Rock. Mesmo que no outro palco estivesse rolando Raimundos numa homenagem ao Charlie Brown Jr.

Diana Ragnole, estagiária em Programação Musical

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