Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes

Escrito por em 18/05/2018

Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes

 

Em 18 de maio, o Brasil celebra o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A data foi instituída oficialmente no País por meio de uma Lei de 2000, em memória do “Caso Araceli Crespo” – menina de oito anos, que foi violentada e assassinada em 18 de maio de 1973. Por isso, Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual de Crianças e Adolescentes organiza e estimula a realização de diversas atividades pelo País sobre a prevenção contra a violência sexual.

Para marcar a data, a Unidade Saúde Escola, a USE, da UFSCar promoveu a roda de conversa “Abuso sexual: comunidade UFSCar, vamos conversar sobre isso?”. O evento contou com transmissão de webconferência sobre violência sexual, organizada Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, e com debate entre os participantes, mediado por Maria Tereza Ramalho, terapeuta ocupacional da USE-UFSCar. Participaram alunos, professores, técnico-administrativos e terceirizados da UFSCar, profissionais e usuários da rede de saúde, além de outros interessados em atuar como promotores da qualidade de vida de crianças e adolescentes.

De acordo com dados do Disque 100 – serviço para registro de denúncias disponibilizado pela Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República – em 2016, foram registrados 15.707 casos, sendo que 57% das vítimas tinham entre 0 e 14 anos; desse total, 13 mil foram atendidas. Em 2017, foram 22.324 denúncias de violência sexual registradas no Disque 100. Apesar desses números, há um déficit de informações sobre os casos de violência sexual infantojuvenil no Brasil. Para Sabrina Mazo, docente do Departamento de Psicologia da UFSCar, a subnotificação é um problema real.

“Trabalhamos com a perspectiva dessa subnotificação já que muitos casos não chegam ao conhecimento dos órgãos de proteção devido ao medo e vergonha das vítimas e seus familiares, por exemplo. Isso certamente dificulta o estabelecimento de políticas que poderiam atuar no combate a esse tipo de violência”, afirmou a docente. Mazo alerta que o abuso sexual de crianças e adolescentes acontece em todas as camadas sociais, mas há mais denúncias entre aquelas que utilizam os serviços públicos de saúde, que são obrigados a notificar os casos. “Em contrapartida, nas classes sociais que acessam serviços particulares há uma dificuldade maior de identificação das ocorrências”, acrescentou ela.

De acordo com a pesquisadora da UFSCar, a maior suscetibilidade de crianças e adolescentes a esse tipo de abuso se explica pelas características de dependência desse público; pelo fato das pessoas, muitas vezes, não acreditarem nos relatos, considerando-os como fantasia ou mentira; e também pela erotização infantil, dentre outros fatores. Para ela, a prevenção depende que pais e cuidadores, assim como a escola, fiquem atentos a sinais que podem denotar abusos. Muitas vezes por se sentir culpada, envergonhada ou acuada, a criança acaba não verbalizando que sofreu ou está sofrendo abusos. Em outras situações, a vítima tenta contar, mas não é ouvida.

Assim, de acordo com a especialista, quando identificado algum sinal, o melhor a se fazer é, antes mesmo de conversar com a criança, procurar ajuda de um profissional que possa oferecer a orientação correta para cada caso. Além disso, Mazo reforça que para mudar essa triste realidade é importante que a sociedade e o poder público promovam um trabalho em rede, em que profissionais sejam sensíveis, não culpabilizem as vítimas e reconheçam os fatores de risco existentes. Ela também defende que é preciso favorecer canais de denúncia e serviços especializados com profissionais capacitados para atender as vítimas. Para mais informações sobre o Disque 100, acesse www.sdh.gov.br/disque100.

Luina Almeida conversou com a pedagoga Miriam de Oliveira, diretora da escola Imaculado Coração de Maria, em Araraquara, para falar mais sobre esse importante assunto. Ouça no Podcast do Rádio UFSCar Notícias – edição da tarde de 18 de maio.

 


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