Conselho Universitário debate e se manifesta sobre greve estudantil em curso na UFSCar

Escrito por em 15/06/2016

Foi realizada na manhã desta terça-feira (14/6) Reunião Extraordinária do Conselho Universitário (ConsUni) da UFSCar que debateu a greve estudantil em curso na Instituição. A convocação da Reunião foi motivada por solicitação da ADUFSCar de que o Conselho apreciasse a interrupção do calendário acadêmico e sua posterior reorganização.

Inicialmente, o Reitor da UFSCar e Presidente do ConsUni, Targino de Araújo Filho, recuperou a história institucional de respeito aos movimentos de todas as categorias que compõem a comunidade universitária, bem como as quatro notas já publicadas pela Administração Superior desde o início das mobilizações, em 19 de maio, 24 de maio, 3 de junho e 9 de junho. As notas expressam esse respeito e, também, a preocupação com a instabilidade do País neste momento histórico, além de esclarecerem os diferentes boatos que vêm sendo insistentemente veiculados ao longo desse processo. Durante a Reunião, o Presidente do Conselho voltou a associar a veiculação de tais boatos ao contexto eleitoral para sucessão à Reitoria, lamentando os danos à Instituição que decorrem de sua circulação interna e externamente à Universidade.

Em seguida, Araújo Filho expressou o entendimento da Administração de que não cabe ao ConsUni decretar greve e/ou interromper o calendário antes do término dos movimentos de paralisação e/ou greve, mas sim a defesa do direito à manifestação e, também, de que não haja retaliação e/ou punição a participantes desses movimentos.

O Reitor também relatou que a Administração tem recebido pressões e/ou pedidos de orientação sobre como dar prosseguimento às atividades regulares de ensino apesar da greve estudantil, reiterando que a opção de sua gestão é pelo caminho do diálogo e da negociação, e não pelo uso de medidas de força.

assembleia1Letícia Longo

Seguiu-se longo debate sobre estes e outros temas no Conselho que, dentre outros aspectos, destacou a particularidade de uma greve estudantil desta proporção e em um cenário em que as demais categorias não estão em greve. Além disso, integrantes do Conselho destacaram a existência de dois modos de organização na Universidade – por categoria, nas entidades representativas; e a organização institucional, que tem nos órgãos colegiados o seu espaço de debate e tomada de decisão. De outro lado, avaliou-se também a existência de uma crise de representação que talvez seja uma das principais causas do apelo, neste momento, à organização institucional para que faça a mediação dos conflitos inerentes a qualquer processo de mobilização, quando tradicionalmente essas negociações se davam por meio das entidades representativas.

Diante destas e inúmeras outras ponderações, o Conselho aprovou por unanimidade manifestar publicamente seu reconhecimento do movimento estudantil deflagrado em 23 de maio – inicialmente como paralisação e posteriormente como greve – como direito da categoria e, também, por assumir publicamente o compromisso de, após o fim do movimento, encaminhar a rediscussão do calendário acadêmico frente aos impactos da paralisação/greve. O ConsUni também aprovou a publicação de duas moções, uma contrária à prática de retaliação e/ou punição de participantes da greve estudantil e outra em repúdio a quaisquer atos de violência no ambiente universitário e com apelo para que tais ocorrências sejam denunciadas às instâncias competentes na Universidade, especialmente a Ouvidoria da UFSCar.

Confira a íntegra dos documentos aprovados:

– Manifestação do Conselho Universitário sobre a greve estudantil

– Moção do Conselho Universitário contra retaliações e/ou punições de participantes da greve estudantil

– Moção do Conselho Universitário em repúdio a quaisquer atos de violência no ambiente universitário

Fonte: Reitoria da UFSCar


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