Tulipa Ruiz – Efêmera

Escrito por em 02/01/2010

“Cuida bem da sua forma de ser. Amanhã o dia vai ser diferente de outro dia”. Aqui é a oitava faixa de Efêmera, o disco de estreia da filha do músico e jornalista Luiz Chagas, e irmã de Gustavo Ruiz – banda DonaZica -, Tulipa Ruiz. Estreia madura e desapressada da meio-paulista-meio-mineira de seus 30 anos, que resolveu passar por seu “retorno de saturno” nesse momento atual – vide o título do álbum) -, aproveitando para mudar de vida, passando de ilustradora a cantora. A frase citada no início do parágrafo foi a primeira que foi captada e guardada pelo meu cérebro após escutar as 11 faixas do disco.

Tulipa foi criada no interior das Minas Gerais, após sua mãe se separar de seu pai, Luiz Chagas, guitarrista que acompanhou Itamar Assumpção durante toda a sua carreira. Seu irmão também resolveu trilhar pela vida de músico – é um dos guitarristas e produtores mais interessantes da atual geração. Apesar de toda essa musicalidade, Tulipa tornou-se jornalista e então ilustradora, mantendo o cantar por perto, mas sem invadir seu horário comercial. Até o ano passado, 2009, quando Tulipa resolveu sair da agência na qual trabalhava e dedicar-se prioritariamente à música, preparando seu primeiro disco após diversas parcerias com amigos.

O disco traz elementos variados que declaram suas diversas influências. Ecos da Vanguarda Paulista podem ser ouvidos em faixas como Pedrinho e Da menina, a Tropicália está em A ordem das árvores, Brocal Dourado remete ao rock brasileiro dos anos 80 e assim por diante. Entretanto, a sonoridade de Tulipa não soa como uma “revisita” a todos esses momentos e sim como uma apropriação para a reinvenção. O ato antropofágico de engolir o universo a seu redor, com todas as crias já crescidas do passado, para criar uma sonoridade fresca e – porque não – pop(ular). Efêmera cresce dentro de nós a cada escuta, demonstrando uma sinceridade tranquila e esperta.

Com a consciência da dimensão que as coisas têm, Tulipa se utiliza com cuidado da sua própria forma de ser, no hoje, e faz um disco que há de se tornar perene.

Yasmin Muller
Radialista e DJ da Rádio UFSCar
@djyasmina
Disco da Semana 26 de maio de 2010

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