Trupe Chá De Boldo – Bárbaro

Escrito por em 02/08/2010

_ trupe“Barbarize!” Isso é o que a Trupe Chá de Boldo diz a nós, mundo. No melhor sentido! O disco começa com “Chega de Tristeza”, segue para “A Vida que Te Beija”, passa a “Sai Emo”, tudo isso contra o tédio e a tristeza generalizada dos tempos atuais. Cada faixa com seu estilo, mas todos celebrando a alegria de viver, o amor, o sexo, a cachaça, o carnaval!

A trupe é formada por 13 amigos, de São Paulo, e as circunstâncias de seu surgimento são obscuras e incertas, passando por várias teorias inventadas. Invenção, por sinal, é a palavra de ordem nesse misto de festa, banda, teatro e carnaval que é a Trupe Chá de Boldo.

A faixa-título começa com um canto raiz de matriz africana e se torna um rock bem-humorado à la Raul Seixas; “Mar de Rosas” é uma marchinha clássica de Carnaval; “Olhar Ímpar” começa como bossa e vira algo entre a marchinha e o brega; e “À Lina” encerra o disco ao ritmo do calipso com momentos samba-rock, bossa, pop e grita “eu quero quebrar as paredes” finalizando com um texto-poema-visceral declamado por uma voz grave, clamando a Dionísio – deus grego do vinho, das festas, da alegria, dos ciclos vitais.

Nos espetáculos da Trupe – e no site oficial -, mais um toque de bom-humor e criatividade: um realejo cheio de cartões com mensagens que são retiradas por uma maritaca – uma espécie de papagaio – especialmente para cada pessoa que passa por lá. As mensagens são frases espertinhas e provocadoras ou mesmo nonsense, entre elas “Te amo porra”, “Libere o Eros dentro de você”, “Gaste muita saliva esta noite”, “Ventre em polpa”, “Fume Haxixe” e, é claro, a frase inicial dessa resenha.

O disco foi produzido por Alfredo Bello, o DJ Tudo, gênio da produção e pesquisa musical brasileira, e se utiliza de uma instrumentação variada. Além de baixo, guitarra, bateria, temos percussão, trompete, saxofone, clarinete, gaita, cavaquinho, violão, e três vocais femininos a acompanhar Gustavo “Gallo” Simões (violão e voz) nos gritos e festejos. O bando – e não banda, como eles próprios gostam de frisar – têm influências que vão desde a óbvia Tropicália até Roberto Carlos, Sidney Magal, passando por Jorge Mautner, Tom Zé e a Vanguarda Paulistana – Itamar Assumpção.

A segunda faixa, “A Vida que Te Beija”, começa com “Não, tristeza não. Essa é quando a alma veste luto e já não luta”. É uma ode à alegria, com seu refrão em convite: “Vem cantar como quem resiste/Resistir/Como quem deseja”. O primeiro disco da Trupe Chá de Boldo nos dá esperanças de que a depressão Emo saia do foco da geração atual, voltando à celebração livre das noites de amor e calor. E pra curar a ressaca – e todo o resto -, sempre chá de boldo.

Entre no site do bando – www.trupechadeboldo.com – e tire seu recadinho do realejo! O meu foi “Avante às entranhas!” ao fim dessa resenha. Seja corpo, dance! Consiga parar de pensar por um minuto. “Ame e dê vexame”!

Yasmin Muller
Programadora Musical da Rádio UFSCar
@djyasmina

Lista das músicas que você ouve durante toda a semana, às 10 horas.

Segunda-feira:
1 – Chega de Tristeza
2 – A Vida que Te Beija
3 – Sai Emo

Terça-feira:
4 – Bárbaro
5 – Fora
6 – Na Tua

Quarta-feira:
7 – Pirata
8 – Tango

Quinta-feira:
9 – Mar de Rosas
10 – Quero Você

Sexta-feira:
11 – Olhar Ímpar
12 – Eu Não Presto
13 – À Lina

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