Tiê – A Coruja e o Coração

Escrito por em 04/04/2011

Tie-A_Coruja_e_o_Coracao_3Se, no departamento do pop nacional, a estação passada foi marcada por vozes fortes e gritalhonas, o novo front das cantoras brasileiras está calmo, suave e, por vezes, até pueril. A nova tradição popular pode ter vida curta se as doces vozes desgastarem o repertório contínuo de temas iguais.

Tiê vem de um primeiro disco que “de cara” foi rotulado Lo-Fi, no formato voz-violão, melancolia e solidão. Chega 2011, e a autêntica paulista surge em novo panorama. Ausente de minimalismos, “A Coruja e o Coração” tem a combinação da macia voz de Tiê com a banda e faz das simples letras a estética astral do álbum.

O caminho encontrado permitiu à cantora investir sua voz em um estilo que se distancia um pouco da vigente obviedade do pop. A junção da voz tranquila ao Indie Folk é notada positivamente, não livrando-a, porém, desse novo molde popular que está, inclusive, integrado ao álbum nas participações especiais.

E eis o grande negócio do disco: a abundância de convidados e instrumentos. Entre composições inéditas-autorais, temos a boa surpresa das participações de Jorge Drexler, Marcelo Jeneci, Karina Zeviani e Hélio, e regravações de músicas de Thiago Pethit, Dorgival Dantas e Tulipa Ruiz. Com tantos renomados em um só álbum, imagino que Tiê não terá nada mais nada menos que todos os comentários voltados pra ela e seu novo trabalho.

O álbum começa com uma espécie de dedicatória à filha, que nasceu no ano passado. Acompanhada por piano e naipe de cordas, Tiê canta, serena, “Na Varanda da Liz”. A partir daí, uma dezena de baladas seguem curtas e cativantes. “Só Sei Dançar com Você”, música de Tulipa Ruiz, ganha um ar mais bucólico com um banjo e o acordeom tocado por Marcelo Jeneci.

A veia Indie Folk continua com Tiê cantando a saudade e o que ela faz para matá-la mesmo quando é impossível, em “Pra Alegrar Meu Dia”. Na mesma linha, temos as inglesas “For You and for Me” e a veloz “Hide and Seek”, com a participação de Hélio Flanders. É como se quisessem selar um elo entre o alt-country e a nova música brasileira. Assim como em “Mapa-Mundi”, composição de Thiago Pethit, que ganha uma versão mais campestre.

Mas é ao ouvir a lindíssima “Perto e Distante”, que temos a completa certeza da evolução natural do trabalho de Tiê. A faixa traz um dueto com o cantor e compositor uruguaio Jorge Drexler, enquanto o trompete e o piano elétrico (tocado por Jeneci) dão o acompanhamento esperançoso.

Violão flamenco e palmas são os únicos acompanhamentos de Tiê ao apresentar sua versão dramática de “Você Não Vale Nada”, clássico composto por Dorgival Dantas e popularizado pelo grupo sergipano de forró eletrônico Calcinha Preta.

Ainda temos a valsa suave “Te Mereço”, acompanhada de violoncelo, e o compartilhamento dos vocais entre Tiê e Karina Zeviani, em “Piscar o Olho”, que se aproxima de maneira bem latente ao que era proposto em Sweet Jardim, seu primeiro disco, embora soe de forma mais descompromissada, solta e quase ausente de sofrimento. E “Já É Tarde”, com versos em Espanhol, uma levada leve e um rico arranjo.

Ao longo de todo o disco, Tiê segue narrando histórias confessionais, em letras simples com um ar infantil e bobo. “A Coruja e o Coração” é uma coleção de baladas de sedução imediata, mas ainda nos moldes da mais nova tradição.

Sara Antonelli
Estagiária em Programação Musical
Rádio UFSCar

A seguir, a lista da músicas que você ouve de segunda à sexta-feira, às 10h00 na Rádio UFSCar:

Segunda
Na Varanda Da Liz
Só Sei Dançar Com Você

Terça
Piscar O Olho
Perto E Distante

Quarta
Pra Alegrar O Meu Dia
Já É Tarde

Quinta
Mapa Mundi
For You And For Me

Sexta
Hide And Seek
Você Não Vale Nada
Te Mereço

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