Thiago Pethit – Estrela Decadente

Escrito por em 24/09/2012

Em 2010, Thiago Pethit conseguiu cativar um bom público com seu debut, Berlim, Texas. O álbum, lançado de maneira totalmente independente, era um amálgama de composições dolorosamente intimistas com influências que vinham do folk, da música de cabaré dos anos 30, ao indie lo-fi e pop atual. Era, portanto, a promessa de que algo grandioso viria de Pethit. Estrela Decadente vem com a pretensão de cumprir essa promessa.

Ao invés de insistir na mesma fórmula de seu primeiro trabalho, Pethit, sabiamente, optou por expandir suas influências, sua banda, enfim, a sonoridade geral da obra, e consequentemente, expandir também o seu apelo.

O cantor adiciona à sua lista de referências os anos 80 na excelente faixa “Moon”, o rock n’ roll do fim dos anos 50 e começo dos anos 60 em “Dandy Darling” e “So Long New Love”.No entanto, é quando Pethit abraça, de fato, a melancolia, o encontramos em sua melhor forma: o belíssimo dueto com Mallu Magalhães em “Perto do Fim” é de partir o coração pela interpretatividade das duas vozes e “Devil In Me”, a faixa mais interessante do álbum, com sua melodia sombria que apenas complementa uma letra emocionalmente pesada,isso parece funcionar como o ponto final perfeito para a obra.

Talvez por conta do sucesso de “Berlim Texas”, Thiago entra no palco consideravelmente mais confiante. É uma nova persona que Pehtit encarna, retratada perfeitamente na capa do novo disco: uma espécie de James Dean glam rocker com a boca manchada de batom. Essa confiança toda reflete em suas músicas, as letras são mais egocêntricas e autoindulgentes. Pethit não tem medo de assumir a persona e pensar grande em suas composições que, muitas vezes, podem até soar pretensiosas devido à grande gama de referências que tentam imprimir. Às vezes, essa autoindulgência machuca a música, como por exemplo na faixa final, “Surabaya Johnny”, que seria uma das melhores do disco se não fosse pelos excessos teatrais no decorrer da música, porém às vezes ele acerta – e como acerta: a faixa de abertura, “Pas De Deux”, é uma das melhores composições do cantor, justamente por causa da maneira como ele consegue conduzir a música indo da pegada de cabaré anos 30 para um pop anos 2000 e retornando em questão de segundos. São momentos assim que fazem a experiência do álbum valer a pena.

Repleto de participações especiais, o disco é compacto e não extende suas boas-vindas. Pethit apresenta seu pop nostálgico em pouco mais de meia hora: tempo suficiente para que a nova fase do cantor seja apreciada sem cansar. A “estrela” de Pethit, muito embora chame-se “decadente”, está sim, em ascensão.

Henrique Gentil,
Bolsista em Programação musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você ouve de segunda a sexta , às 9h45, na Rádio UFSCar:

segunda- feira
1. Pas De Deux
2. Moon
terça-feira
3. Dandy Darling
4. Perto do Fim
quarta-feira
5. So Long, New Love
6. Estrela Decadente
quinta-feira
7. Haunted Love
8. Devil In Me
sexta-feira
9. Surabaya Johnny

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