The Baggios – Sina

Escrito por em 30/09/2013

“Saca só este som, é tipo um White Stripes brasileiro” disse um amigo meu quando colocou o autointitulado álbum de estreia do The Baggios pra tocar. Ouvindo os primeiros acordes de “O Azar me Consome” a comparação me pareceu justa. Era como se aquela dupla sergipana tivesse se apropriado do mesmo impulso blues-rocker visceral que tomava conta da sonoridade de sua cara-metade norte-americana, e o tivesse somado a uma dose bem medida de regionalismos, que transparecia nos vocais de Julio Andrade, uma espécie de  Raul Seixas mais arretado. Assim, o duo de Sergipe mostrava que não era só gringo que podia brincar de fazer blues.

Por mais que o lançamento de  2011 tenha rendido boas críticas aos baggios, as comparações devem ter cansado os garotos. Ficar à sombra de outras bandas não é bom pra ninguém e, vamos encarar, qualquer duo de blues rock hoje em dia vai ter que encarar comparações com o White Stripes, se até o Black Keys sofreu com isso, não seria diferente com uma banda nacional se aventurando pela mesma proposta estética. Estas comparações, somadas a uma boa dose de pressão e expectativa que todo bom debut gera, configuraram um terreno nada fácil para o lançamento do novo disco do The Baggios, Sina. Embora há quem diga que toda boa banda tem que passar por essa provação.

Dito isso, já afirmo que a dupla passou fácil pelo teste do segundo disco. Com Sina, os sergipanos conseguiram conservar a essência do disco antigo e, ao mesmo tempo, evoluir com sua sonoridade.

O The Baggios joga seguro, sem fazer qualquer alteração muito drástica no seu blues rock certeiro, mas aposta no aprimoramento e na implementação de novos elementos que não destoem de sua proposta inicial. Resumindo: sai do lugar, mas não muda de estrada.

Em Sina o foco se desloca um pouco do blues rock anos 2000 pro rock clássico dos anos 70. Se a referência da estreia ficava realmente por conta do White Stripes, aqui os baggios pendem muito mais pra riffagem estilo Led Zeppelin, Jimi Hendrix e Black Sabbath, “Blues do Aperreio”, “Sem Condição”, “Um Rock pra Zorrão” e “Sina” são bons exemplos disto. As influências do folk e do country também flertam de forma mais certeira com o rock, como na faixa “Salomé me Disse”.

Cantado 100% em português desta vez, os charmosos vocais em inglês com sotaque carregado fazem falta, mas o conteúdo regional encaixado nas letras compensa. As faixas de Sina soam mais maduras e honestas, adotando mais e mais elementos e paisagens da região do Sergipe. Sinal de que, mais que emular uma tendência, o que o The Baggios faz é se apropriar dela.

the-baggiosCom energia de sobra e entrosamento quase que sobrenatural entre as guitarras de Julio Andrade e o groove pegada de Gabriel Carvalho, o disco cumpre a promessa deixada pelo debut homônimo e mostra que esses baggios vieram para ficar.

Ainda vai ter gente comparando com White Stripes, claro, mas como eu disse antes, seria assim com qualquer duo.

O que importa é que com Sina o The Baggios não deve mais explicação a ninguém, pois a banda conseguiu firmar seu lugar com uma obra cativante, sem nenhuma faixa pulável e, isso, por si só, já é um grande feito.

Henrique Gentil
Bolsista em Programação musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta, às 9h45, na Rádio UFSCar

segunda-feira
Afro
Blues do Aperreio
terça-feira
Sem Condição
Salomé me Disse
quarta-feira
Sina
Esturra Leão
quinta-feira
Vagabundo Arrependido
Um Rock Pra Zorrão
De Malas Prontas
sexta-feira
Domingo
Tardes Amenas
Descalço

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