Thales Silva – Minimalista

Escrito por em 26/05/2014

Mais ou menos há um ano, resenhei o disco de estreia da banda mineira A Fase Rosa, intitulado Homens Lentos. Esse disco capturou a minha atenção por ser uma mistura peculiar das inúmeras vertentes da MPB com sonoridades pop’s, mantendo e enfatizando a riqueza da cultura nacional com uma abordagem contemporânea.

Neste mês de maio, Thales Silva, guitarrista, vocalista e compositor, decidiu me surpreender mais uma vez com o lançamento do seu primeiro trabalho solo intitulado Minimalista. Disco que vai na mesma direção do projeto do qual faz parte com A Fase Rosa, talvez mais ousado nos arranjos e nas melodias e, ao mesmo tempo, simples, singelo e rico em detalhes. O minimalismo do título se resume num espaço vazio em que Thales desenha, com traços finos, as onze faixas que compõem o álbum.

Esse projeto não é um simples resgate da MPB, mas uma renovação dela, olhando para novos e amplos horizontes sem medo de experimentar novos caminhos. Uma busca que agrega valor ao legado de grandes nomes da música nacional como, por exemplo, Caetano Veloso, podemos perceber a sua influência nos vocais de “Menino Preto”, enquanto a faixa de abertura do disco, “Saudade”, é uma homenagem à black music, em todas as suas vertentes, e nos remete a Gilberto Gil, com um groove samba contagiante.

Mas Thales também está atento à cena independente contemporânea de artistas como Metá Metá, que andam na mesma direção e à procura de uma renovação da identidade musical brasileira, embora sigam estéticas diferentes.

Outro diferencial são os temas das letras que transitam entre a leveza de amores que se tornam amizades, reflexões sobre o quotidiano da vida urbana e as suas contradições, com foco no aspecto social. Uma espécie de denúncia explícita da política atrasada que não quer enxergar a realidade de uma grande cidade como Belo Horizonte, que, ao final, é a mesma de muitas outras grandes metrópoles não só brasileiras, mas do mundo inteiro.

Ao ouvir pela primeira vez o disco, vocês poderão perceber como as palavras não são suficientes para descrever a alquimia que torna Minimalista um trabalho que se destaca no panorama independente. A coisa melhor a fazer é ouvir álbum prestando atenção nas muitas citações e referências que encontramos espalhadas nas faixas que o compõe, um exercício que nos revela as intuições que inspiraram Thales no processo criativo, e que fazem do disco uma das mais agradáveis surpresas de 2014.

 Paz!

 Mauro Lussi

Coordenador de programação musical e DJ da Rádio UFSCar

Segunda-feira

 1. Saudade

 2. Neguinha

 3. Amarelo

 Terça-feira

4. Boniteza

5. Não sabe

 Quarta-feira

6. Conversation

 7. O Grande Espelho

 Quinta-feira

 8. Coisa linda

 9 .Menino preto

 Sexta-feira

 10. Sara

 11. Síndrome de Estocolmo

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