Tatá Aeroplano – Na Loucura & Na lucidez

Escrito por em 04/08/2014

Segundo episódio da carreira solo de umas das figuras mais representativas da fértil geração de músicos independentes da cena paulistana: Tatá Aeroplano. Fundador e vocalista dos Cérebro Eletrônico e Jumbo Elektro, DJ, provocador cultural e compositor, dá sequência ao seu projeto solo, começado em 2012, com um primeiro álbum autointitulado.

Na loucura & na lucidez chega ao público nesses dias, seguindo e evoluindo na mesma direção do álbum de estreia. Oito faixas autorais, duas a menos do precedente, acompanhado pelos “velhos” amigos Dustan Gallas, Junior Boca e Bruno Buarque, além da participação do Meno Del Picchia e do poeta Arruda, respetivamente nas letras de “Entregue A Dionísio” e “Onde somos um”, essa com a Bárbara Eugênia nos vocais.

Quem assina as liricas de “A Hora que eu te espero” é um admirador, que responde ao nome de Alan Brasileiro e postou na fanpage do Facebook o texto, do qual o Tatá tinha quase esquecido a origem, que lhe capturou a atenção e sucessivamente musicou e gravou.

Esse episódio resume muito bem o espirito com o qual foi começado o processo de produção do disco, de forma completamente espontânea, seguindo um caminho não definido e deixando que o momento determine o rumo.

Isso não significa deixar-se ir à deriva numa progressão caótica, mas simplesmente deixar que o processo criativo siga na direção escolhida, aberto e atento às emoções e aos sentimentos que surgem no imediato, e que talvez nunca mais seremos capazes de reproduzir.

A dicotomia coração/razão é a tônica do disco inteiro. A faixa que abre, “Na loucura”, é mais um exemplo de como o processo criativo foi guiado de maneira intuitiva, gravada numa só sessão, praticamente ao vivo. Violão e percussões quase na surdina, determinando o andamento, na sequência o baixo, a bateria e uma guitarra emergem num crescendo, que termina literalmente na loucura do título, momento catártico no qual cada elemento sai do controle para depois reencontrar o rumo, na última música do disco, “Na lucidez”, completando assim um ciclo que é a ordem natural da existência e dos acontecimentos que a compõe.

Entre os dois extremos há a melodia simples e sincera de “Mulher abismo”, onde a loucura é se abandonar à paixão e balançar ao ritmo seguindo mais uma vez os instintos e o coração. A seguinte, “Entregue a Dionísio”, explícita já no título, é uma fotografia daquela boemia sempre presente no panorama urbano, um universo onde tudo acontece se você deixa acontecer, se você está disposto a se entregar.

Todas as faixas do álbum têm uma duração acima de 5 minutos, até chegar aos nove de “Na Lucidez”, que o encerra; mais um sinal que esse disco foi pensado sem seguir as regras do mercado.
Colocar limites, que sejam de estilo, técnicos ou estéticos, à um trabalho artístico, comporta sempre uma perda no sentido do valor intrínseco do mesmo e, nesse caso, resultaria na banalização das composições.

Não podemos colocar rótulo nenhum em Na loucura & Na lucidez, um disco que nasce de um processo autêntico que não tenta se parecer com nada, mas que é a expressão peculiar de um artista que se distingue pelo bom gosto, criatividade efervescente e sinceridade, apaixonado pela vida em todos o seus aspectos.

Não tenha medo da loucura!

Paz!

Mauro Lussi coordenador de programação musical e DJ da
Rádio UFSCar

Segunda-feira

1. Na Loucura

Terça-feira

2. Amiga Do Casal De Amigos
3. A Hora Que Eu Te Espero

Quarta-feira

4. Mulher Abismo
5. Entregue A Dionísio
Quinta-feira

6. Onde Somos Um
7. Perdidos Na Estrada

Sexta-feira

8. Na Lucidez


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