Seychelles – Seychelles III

Escrito por em 05/08/2013

Com 10 anos de banda, o Seychelles certamente tem muito do que se orgulhar. Neste período, não apenas conseguiram cair nas graças da crítica e do público moderninho-alternativo, com os dois excelentes álbuns, Ninfa do Asfalto e Nananenem, como também arrancaram comentários elogiosos de veteranos do rock paulistano, como Edgard Sacandurra (ex-Ira, que inclusive dá uma canja na faixa “Amigo Impulsivo”) e Clemente Nascimento (Inocentes).

Naturalmente, como parte da comemoração pela década de conquistas, o grupo lança agora em 2013 seu terceiro LP. Neste novo trabalho, meramente chamado de III, a banda conseguiu canalizar toda a sua essência em 14 faixas que justificam sua posição privilegiada na cena rock n’ roll paulistana.

Já se tornou mérito do Seychelles reinventar-se a cada álbum. O impulso contínuo da banda em direção ao experimentalismo dentro do gênero do rock, chega a ser refrescante, em meio a um cenário que há tanto tempo parecia condenado à mesmice – e é a isso que se deve seu êxito. Em Seychelles III você não encontrará nada parecido ao que já foi feito por aí. Pelo contrário, o trabalho do grupo em absorver influências diversas e imprimir nelas sua própria marca é primoroso: ecos de Secos e Molhados e Mutantes pairam por toda a obra por meio dos timbres de guitarra e arranjos vocais – sobretudo na faixa de abertura, “Salvem as Crianças”. Entretanto, as faixas são entregues com vigor e agressividade dignos das bandas punk brasileiras da década de 80, numa estética futurista que garante ao grupo transcender o rótulo “retrô”.

Para que a obra se tornasse digna dos 10 anos de banda, a produção do disco foi minuciosa: o álbum ficou maturando por 3 anos e neste tempo passou por 7 estúdios diferentes. Tanto esmero trouxe resultados: cada riff de guitarra, cada solo, cada verso, virada de bateria ou barulhinho esquisito entra incisivo, soando como um álbum de rock deve soar. É daí também que se entende a evidente multilateralidade do trabalho: Seychelles III é um disco hiperativo, que quebra o ritmo imposto a cada faixa, e que acaba atirando (e acertando) pra todos os lados. É difícil achar uma banda que se encontra tão confortável em subverter o próprio estilo como a Seychelles faz, ora nervosa com o hard rock de “Viatura em Chamas”, ora eletro-dark com “Appaloosa”, quase rockabily em “O Assalto ou psicodélica” com “A Serpente e o Dragão”.

Primorosamente executado, Seychelles III é um excelente apanhado de músicas que celebram em grande estilo uma década de bom trabalho, ao mesmo tempo em que aponta para um futuro empolgante, certamente calcado na experimentação contínua que alimenta o grupo. Enfim, é um disco pra qualquer banda de rock se orgulhar de ter na discografia.

Henrique Gentil
Bolsista em Programação musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta, às 9h45, na Rádio UFSCar.

segunda-feira
Salvem as Crianças
Amigo Impulsivo
From the Roads
terça-feira
Viatura em Chamas
Fiore del Cuore
Visão Além do Alcance
quarta-feira
Produto pro Ar
O Assalto
Ghosts are Gone
quinta-feira
A Serpente e o Dragão
Armação
Filhinho do Papai
sexta-feira
Tantos Animais
Appaloosa

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