Sexy Fi – Nunca te vi de boa

Escrito por em 04/03/2013

Às vezes mudar o rumo das coisas é o que falta para que encontremos nossa voz e identidade. E foi mais ou menos o que aconteceu com a banda Sexy Fi. Sexy Fi é a ressurreição da banda brasiliense antes conhecida como Nancy, uma banda que fazia um rock independente bem despojado e que chegou a tocar em alguns festivais no Brasil e também no exterior. A mudança de rumo aconteceu em 2009, quando a vocalista Camila Zamith saiu de Londres e passou a morar em São Paulo. E entre 2010 e 2011, Camila reuniu-se com JP Praxis, Ivan Bicudo, Marlon Tugdual e Diogo Saraiva e formou o Sexy Fi. A banda Nancy amadureceu, saiu da puberdade e agora virou adulta.

Além do nome, a mudança envolveu também alguns integrantes, mas a sonoridade se manteve parecida. Em Nancy era possível reconhecer influências de Mulato Astatke e de Portishead, influências que ainda são encontradas no Sexy Fi. Mas a banda repaginada que ouvimos  lançou o álbum Nunca te vi de boa, que contou com a produção de ninguém mais ninguém menos que John McEntire, produtor e baterista do Tortoise e, também, com a mixagem de Grag Calbi, conhecido por trabalhar com Mogwai, Grizzly Bear e Norah Jones. Coisa de gente grande mesmo.

Nunca te vi de boa tem uma sonoridade muito interessante e original, se percebemos suas nuances.Trata-se de uma inesperada combinação de dream pop com toques de ritmos tropicais. A faixa “Plano:pilotis”, por exemplo, começa como um jazz suave, combinando a voz bastante etérea de Camila Zamith com um baixo bem swingado, a bateria em tempo quebrado e, uma guitarra que parece viajar a música inteira; mas ao mesmo tempo a batida remete um pouco à bossa nova e de repente, no final da música, ainda surge um trombone melancólico muito discreto, antes da faixa terminar com uma distorção de guitarra um tanto “noisy” que cresce aos poucos e suprime os demais instrumentos. Parece piração minha, mas não é.

De alguma forma todas as faixas do álbum estão relacionadas com a cidade de Brasília, de onde a banda vem originalmente. Seja por meio das letras que retratam estilo de vida da cidade, o cotidiano de seus cidadãos; ou ainda de forma indireta, pois a banda cria um tipo de música alternativa que não é comum na região, que é mais conhecida pelos rocks oitentistas e politizados.

Esta sonoridade especial atraiu a atenção da mídia fonográfica gringa e a banda recebeu elogios por parte do The Guardian, da BBC Radio e da National Public Radio. O Nunca te vi de boa foi lançado no Japão, nos Estados Unidos e na Europa pela gravadora britânica especializada, vejam só, em artistas brasileiros, Far Out Records. E aqui no Brasil o disco foi lançado de forma independente agora no começo de 2013.

O reconhecimento internacional é sempre bem vindo, obviamente. Mas o Brasil tem este hábito absurdo de só reconhecer seus trabalhos e produções quando eles recebem reconhecimento externo, o que é um erro e uma auto-depreciação absolutamente desnecessárias. Essa neurose está sendo aos poucos superada, ainda bem. Torço aqui para que a banda Sexy Fi receba os devidos elogios da crítica brasileira não somente por causa do seu sucesso com a crítica gringa, mas sim pela sua ótima estreia e pela sua grande versatilidade em agregar estilos tão variados e transformá-los nesse som específico e original.

Diana Ragnole
Estagiária em Programação musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta às 9h45, na Rádio UFSCar.

segunda-feira
1 – Pequeno dicionário das ruas
2 – Plano:pilotis
terça-feira
3 – Roriz 2010
4 – Bofe story
quarta-feira
5 – Diogo’s lament
6 – Loro on loro
quinta-feira
7 – Macumba
8 – Brasília grafitti
sexta-feira
9 – Looking asa sul, feeling asa norte
10 – Togetherness

Revisão: Sheila Castro

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