Seu Pereira e Coletivo 401

Escrito por em 12/11/2012

O Coletivo 401 vem direto da capital paraibana. Um ônibus cheio de passageiros ilustres, todos amigos de Seu Pereira: Esmeraldo Marques (o Chico Correa), Thiago Sombra (baixista da Chico Correa & Electronic Band) e Victor Ramalho (baterista e percussionista que já emprestou seus talentos para nomes como Totonho e Glaucia Lima) compõem a banda que acompanha Jonathas Falcão, influente compositor no cenário musical da Paraíba. E, como se essa “banda dos sonhos” não bastasse, o álbum também está cheio de participações especiais, como as de Kiko Dinucci e Russo Passopusso.

Seu Pereira e Coletivo 401 surgem para misturar. É música tão influenciada pelo rock e o funk quanto pelo samba e música nordestina de raiz e, por isso, transita com facilidade entre todos esses ritmos sem nunca se aquietar num só. A prova disso é justamente como o álbum começa e termina: “Papai e Mamãe” abre o disco com um samba-funk bem cadenciado, “Peri da Silva” encerra com um riff pesado e um solo de guitarra arrasador, graças ao talento dos músicos envolvidos o trabalho não perde sua unidade.

O ritmo dançante é lugar comum aqui. A grande maioria das músicas são estupidamente contagiantes, fruto de uma cozinha rítmica bem intrincada que sabe bem quando acentuar e quando deixar a guitarra suingada do Chico Correa aparecer – ele  também sabe quando entrar em primeiro plano e quando ficar de fundo. Os vocais de Jonathas Falcão são bem expressivos e carregam orgulhosamente o sotaque nordestino.

Seu Pereira é música e poesia. Dá para perceber a preocupação com as letras, sobretudo na excelente “Cabidela” que aborda a questão da fome, da violência, da miséria nas favelas, no sertão, na cidade…a letra é sombria, acompanhada do frenético instrumental, tem um efeito pesado no emocional de quem ouve, mas a música é tão única que não dá para extrair um pedaço da letra sem perder muito do seu impacto. Basta dizer que o silêncio após “Agora eu quero que tu diga o nome de 5 meninas” é asfixiante.

“Clara Herança”, a faixa que conta com a já mencionada participação de Russo Passopusso e Kiko Dinucci, também tem uma letra bem forte de exaltação às origens, à mistura e à brasilidade, resumindo de forma apropriada a filosofia sonora de Seu Pereira (“Toco um rock americano americanizado brasileiramente / Toco um rock americano africanizado”). A sentida “Já Era” e a divertida “Mulher E.T.” támbém merecem destaque. Até mesmo o trocadilho no refrão de “Guerrilheiro” é justificado.

Enfim, a proposta do Seu Pereira e seu Coletivo 401 é clara: te colocar para dançar e refletir enquanto dança. O álbum é uma belezinha que desce fácil e te faz apertar o replay sem nem perceber. E é a cada novo replay que ele te prende pelas letras. Podemos dizer que é um álbum completo, com músicos mais que aptos a executar essa mistureba toda que é o som do Seu Pereira, legal mesmo deve ser conferir os caras tocarem ao vivo!

Henrique Gentil
Bolsista em Programação musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você ouve de segunda a sexta às 9h45, na Rádio UFSCar:

segunda-feira
1. Papai Mamãe
2. No Mato
3. É Pouco
terça-feira
4. Martelada
5. Menina E.T.
quarta-feira
6. Batalha Diária
7. Já Era
8. Rabissaca
quinta-feira
9. Guerrilheiro
10. Cabidela
sexta-feira
11. Clara Herança
12. Peri da Silva

Revisão: Sheila Castro

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