RUSSO PASSAPUSSO – PARAÍSO DA MIRAGEM

Escrito por em 15/09/2014

Bahia é a palavra-chave quando falamos do trabalho de Russo Passapusso. Há mais de dez anos, o músico baseia sua carreira nas ondas do rap, do reggae, do samba, do rock e da mpb. Participante do BaianaSystem e do Bemba Trio, também está há tempos inserido no cenário dos soundsystems, e emana baianidade em tudo o que faz.  Agora em 2014, contemplado pelo projeto Natura Musical, ele acaba de lançar seu mais novo disco, o Paraíso Da Miragem, justamente em homenagem aos seus dez anos de dedicação à música. Para isso, nada mais justo que contar com todo mundo que fez essa década acontecer, então o disco traz a participação do DubStereo, Curumin, Zé Nigro, Lucas Martins, Marcelo Seco, Junix, B Negão, Edgard Scandurra, Anelis Assumpção, Marcelo Jeneci e seus companheiros do Ministereo Público, BaianaSystem e do Bemba Trio.

Paraíso da Miragem é um disco fácil de ouvir, fácil de gostar, com uma leve pitada psicodélica e que, inevitavelmente, dá vontade de dançar. Russo Passapusso volta até a Jovem Guarda para buscar inspiração, dando ao seu trabalho uma pegada nostálgica e leve. Uma vez que seu disco é uma homenagem à sua trajetória musical, é esperado que seus diversos estilos e influências fiquem evidentes, mas o que temos é muito samba, muito groove e umas pitadinhas de rock e reggae.

O groove, aliás, é digno de Jorge Ben, de forma que algumas faixas podiam muito bem ser confundidas com seu trabalho. É o caso do samba-rock “Paraquedas” e da psicodélica “Flor de Plástico”, que parece ter saído do Tábua de Esmeralda. Nada mais justo, em tempos de revival dos grooves da black music, valorizar os swings brasileiros é mais do que válido. Junto com a faixa Matuto, essas três são as faixas com referências jorgebenzísticas mais óbvias.

Mas encontramos também as influências do rap e da cultura do soundsystem, principalmente na música de encerramento, a “Autodidata”, como se para mostrar que todo o trabalho de Russo está sendo contemplado. Aliás, prestando atenção nos nomes nas letras das músicas, fica bem claro o aspecto intimista do Paraíso da Miragem, como se Russo contasse sua história pessoal e musical (que estão bastante relacionadas) por meio desse trabalho.

Trata-se de uma auto-homenagem que passa longe de ser prepotente. Russo celebra a beleza da mistura cultural da música brasileira, principalmente a baiana, e do seu próprio trabalho. E o resultado é leve e gracioso, e que traz uma sensação de nostalgia por coisas que ainda estão por vir.

 

Diana Ragnole, estagiária em Programação Musical.

 

A seguir, a lista de músicas que tocam de segunda à sexta, às 9h45:

segunda-feira

1. Paraquedas

2. Remédio

terça-feira

3. Flor de Plástico

4. Anjo

5. Sem Sol

quarta-feira

6. Areia

7. Sangue do Brasil

8. Relógio

quinta-feira

9. Sapato

10. Devagar

sexta-feira

11. Matuto

12. Autodidata

 

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