Rua – Limbo

Escrito por em 13/10/2014

Limbo. O espaço intermediário entre o terreno e o espiritual. O sonho. O grupo pernambucano Rua acertou em cheio na escolha do nome para seu segundo disco, pois sua sonoridade milimetricamente calculada com certeza nos transporta para um estado semelhante ao límbico.

Desde 2011, com seu primeiro trabalho, “Do Absurdo”, a banda já se firmava como um dos grupos mais interessantes a brotar da cena pernambucana nessa década. Seu som, que desafiava classificações, era um equilibrado misto de trip hop, mpb, rock progressivo, jazz minimalista e ritmos nordestinos numa obra incisiva e coesa, que ria da cara de quem quisesse lhes rotular. Três anos depois, Limbo continua a trabalhar as mesmas referências, mas atinge um novo patamar.

Nos primeiros acordes de “Febril”, faixa de abertura, Limbo já nos transporta para seu próprio universo particular. Um universo onde a poética e a espacialidade etérea prevalecem. A cozinha rítmica cíclica e climática, por vezes arrastada, impulsiona o disco para frente, mantendo sempre o ouvinte em estado de suspensão enquanto a poesia das palavras de cada música se revela entre floreios eletrônicos e guitarras etéreas inquietas. O mais interessante é que cada faixa parece conduzir à outra, numa audição ao mesmo tempo desafiadora e confortável.

A metáfora, aqui, é palavra de ordem, tanto visual quanto sonora. Não à toa, a lírica de Limbo é minimalista e críptica. O disco valoriza a obtenção do sentido através do sentimento, em letras que não se entregam de forma óbvia. O instrumental, aqui, é crucial para o entendimento da obra.

“Ortopedia”, faixa mais acessível do álbum, é um bom exemplo disso. A música se alterna entre três mantras principais, representados por suas respectivas seções instrumentais que complementam seu sentido, culminando na cacofonia sonora que acompanha o verso de conclusão, “As canções de amor / esvaziam o amor”, entoado apenas uma vez, de forma a passar despercebido pelo ouvido menos atento, mas encerrando a canção de forma sensacional.

Longe de rótulos ou definições, Limbo ergue-se como uma das obras mais interessantes deste ano e certamente lança olhares curiosos em direção aos pernambucanos da Rua.

Henrique Gentil

Bolsista em programação musical da Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta, às 9h45, na Rádio UFSCar

segunda-feira

Febril

Dança a um Fim

terça-feira

Ortopedia

Programa

quarta-feira

Canto IV

Caverna

quinta-feira

Palavra

É Tempo

sexta-feira

Limbo

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