Rinoceronte – O Instinto

Escrito por em 08/07/2013

Escolher um disco pra resenhar pode ser um processo meio complicado: num mês morno a gente passa por muita banda medíocre antes de achar algo digno de nota. Por isso, é sempre muito legal quando um disco muito bom cai do dia pra a noite na minha mesa – não é sempre que isso acontece, mas o fator surpresa sempre pesa na primeira impressão.

Foi assim com o power trio santa-marienses da Rinoceronte. Antes mesmo que eu pudesse começar a pesquisa acerca do disco da semana, um pequeno CD jogado de canto aqui nas mesas da programação da Rádio UFSCar me chamou a atenção. Com uma arte de capa bem trabalhada, decidi dar uma chance pra esse tal de “instinto” do Rinoceronte. Coloquei o disco pra tocar. Confesso que o que ouvi depois me agradou, e muito.

O álbum, que mais tarde descobri ser o segundo registro da banda no formato de LP, é uma viagem atmosférica pela selva de concreto, habitat natural do rinoceronte em questão, conduzida por riffs de guitarras distorcidos como dita o hard rock setentista, e uma cozinha ritmica pulsante como dita o stoner. Uma espécie de mistura entre Black Sabbath, Led Zeppelin e uma boa pitada de Kyuss e Them Crooked Vultures, com vocais em português. Aliás, é necessário ressaltar as melodias de vocais bem trabalhadas na língua pátria: o Brasil carece de bandas de stoner rock que mandam versos em português, e isso é um diferencial da Rinoceronte, que soube harmonizar bem o som pesado com a língua.

Pedrada do começo ao fim, o power trio não deixa a energia abaixar em momento algum. Do primeiro riff de “Chemako” às batidas fortes que encerram “Qualquer lugar”, os três stoners do Rio Grande do Sul assaltam o ouvinte com peso e precisão hipnóticos. Alemão, baterista do grupo, maltrata “carinhosamente” a bateria, com peso – e ritmo – que orgulhariam John Bonham. Segurando as pontas muito bem e dando solo firme para que Paulo Noronha sole e riffe a vontade na guitarra, Vinicius Brum não apenas se  impõe com suas linhas de baixo precisas, como também fornece backing vocals cruciais pra criar aquela ambientação tão anos 70 que a banda busca.

Apesar das limitações de formação que qualquer power trio enfrenta, a Rinoceronte não fica presa apenas no velho esquema guitarra-baixo-bateria, experimentam também com bandolim e teclados na faixa “Quanto mais vive” (um dos destaques dessa jóia de álbum) – música que pode muito bem ser descrita como um “Led Zeppelin em esteróides”.

Enfim, O Instinto é rock pesado de qualidade produzido no Brasil. O que mais você podia esperar de uma banda que pega seu nome de um animal que é considerado um tanque de guerra natural? É música pra se ouvir no volume máximo pegando a estrada, pisando fundo e balançando a cabeça.

Henrique Gentil
Bolsista em programação musical da Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta, às 9h45, na Rádio UFSCar.

segunda-feira
Chemako
Dose de algo mais
terça-feira
Quanto mais vive
Dizem por aí
quarta-feira
O Instinto
As cores
quinta-feira
Futurista
No amanhã
sexta-feira
Qualquer lugar

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