Rael – Ainda bem que eu segui as batidas do meu coração

Escrito por em 01/04/2013

O segundo disco solo de Rael (que não é mais “da Rima”) saiu estes dias, e pode causar certo estranhamento à primeira vista – pelo menos para aqueles que perderam o primeiro “MP3: Música Popular do 3º Mundo”.

Seguindo uma linha de evolução lógica do seu antecessor, Rael segue em sua mistura do hip hop com o pop. Desta vez contando com a excelente produção de Beatnick e K.Salaam (os mesmos que trabalharam com Emicida no ótimo “Doozicabraba e a Revolução Silenciosa”), e uma série de participações especiais, o rapper/cantor tem em suas mãos um poderoso e dançante álbum que se entrega à radiofonia sem esquecer seu compromisso social com a periferia.

 Ainda bem que eu segui as batidas do meu coração tem força justamente por contrastar – e muito – com o que se aprendeu a esperar da cena hip hop paulistana. Diferente da atmosfera acinzentada tão comum na cena do rap paulistano, a sonoridade do trabalho de Rael é cheia de cor.

 Bem mais maduro que “MP3…”, o disco mostra um Rael muito mais afinado com sua banda, como observado pelo próprio artista em entrevista. Os três anos que separam os dois álbuns certamente serviram para que ele deixasse aflorar sua musicalidade, coisa que já é perceptível desde o começo, no sensual R&B da excelente faixa de abertura “Ainda Bem”, e no já conhecido afrobeat de “Caminho” – faixa que rende muitas comparações ao seu conterrâneo Criolo.

 Apesar de ser dançante na maior parte do tempo, são nos momentos de introspecção que Rael brilha mais. Bebendo muito da fonte da bossa nova, “Semana” é o carro chefe de “Ainda bem…”. As participações especiais também dão um fôlego a mais para o disco, como na inusitada colaboração entre Emicida e Péricles em “Oya”, o “samba-hop” carismático que encerra bem o álbum junto com “Leão de Judah”.

Mesmo não sendo mais “da Rima”, Rael não sacrifica letra em prol de melodia. O embalo pop do disco não tira o mérito de letras como a de “Anda”. Ora pregando o autocontrole em “Só Não Posso”, ora criticando asperamente a hipocrisia social em “Quizumba” e “Diferenças”, Rael é simples e econômico nas palavras. E é essa combinação entre rimas simples e melodias pop pegajosas que destacam o cantor na cena paulistana: para ele não basta apenas ter o que falar, é necessário que escutem o que tem a dizer, e é através da radiofonia que ele garante que até o burguesinho de cidade grande cante realidades da periferia. “Causa e Efeito” tá aí pra justificar.

Por fim, “Ainda Bem…” é um álbum poli rítmico, mas mantem uma base firme no hip hop e no compromisso social que vem junto com o gênero. Acompanhado de uma banda afiada e versátil, Raal afirma seu posto como cantor, sem perder a legitimidade do rapper.

Henrique Gentil
Bolsista em programação musical da Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta, às 9h45, na Rádio UFSCar.

segunda-feira

1. Ainda Bem

2. Caminho

3. Semana

terça-feira

4. Tudo Vai Passar (feat Msario)

5. Anda

6. Só Não Posso (Remix)

quarta-feira

7. Quizumba

8. Causa e Efeito

9. Diáspora

quinta-feira

10. Coração (feat Mariana Aydar)

11. Ela me faz

12. Diferenças

sexta-feira

13. Pedindo Pra Deus

14. Oya (feat Emicida & Péricles)

15. Leão de Judah

Marcado como

Opinião dos Leitores

Deixe um Comentário

Seu endereço de email não será publicado. Campos Obrigatórios *


Rádio UFSCar

Tocando agora
TITULO
ARTISTA