Porcas borboletas – Porcas borboletas

Escrito por em 15/07/2013

É com muita empolgação que recebemos o terceiro disco da banda uberlandense Porcas Borboletas. Seu último disco, de 2009, e suas turnês e shows inesquecíveis deixaram todo mundo com gostinho de quero mais. Agora em  2013 saiu este disco autointitulado que supera todas as expectativas. Trabalhando uma sonoridade rockeira simples e crua, o álbum traz as duas faces da moeda: faixas divertidas, bem radiofônicas e, ao mesmo tempo, músicas melancólicas, quase sombrias, pontuadas por um quê de experimentalismo e poesia.

O disco tem uma divisão de atmosferas bem interessante, indo do divertido ao poético, formando uma onda de emoções bem elaboradas, um bom trabalho em termos de playlist. O disco tem início com uma homenagem evidente, a faixa “Mal criado a David Bowie”, que, segundo a letra, é o artista responsabilizado pela má criação do eu-lírico e, provavelmente, da banda. Na sequência temos a épica “Todo mundo tá pensando em sexo”, faixa que arranca uma risada com sua letra divertida e despretensiosa. E pra fechar essa leva de canções animadas e que lembram muito Titãs no auge da banda, temos a “Tudo que eu tentei falhou”.

A partir de então, o álbum ganha um tom mais sério, mais sombrio, e também mais experimental. O grande exemplo disso é a faixa “Aninha”, que se destaca pela sua melancolia, pelo toque eletrônico etéreo e pelo vocal quase sussurado. Destaque também para a faixa “Only life”, bastante especial por ser um poema do Paulo Leminski musicado. A música começa com um xilofone à la Phillip Glass (não sei se é uma referência direta), para depois se tornar um rock melancólico sessentista.

Nas faixas seguintes temos uma viagem no tempo-espaço. As faixas “Valéria” e “Go to Cuyaba” trazem um pouco do espírito da estrada, citando lugares e trajetórias românticas pelo país. E, além disso, têm uma pegada meio épico-brega, caracterizada pelo teclado constante nas faixas, que remete às músicas românticas da Jovem guarda. Uma quebra bastante interessante e com toque de humor.

As referências titânicas voltam em “Fim do mundo”, um rock apocalíptico quase dissonante, e ficam mais evidentes em “Infelizmente”, faixa que volta ao início divertido do disco, ainda que de forma quase melodramática.

O álbum também tem uma música da banda de punk rock uberlandense, Dead Smurfs, a faixa “Wellington”, é uma versão rock bem animada e festeira, fechando o terceiro disco do Porcas e Borboletas com a esperança de um final feliz, divertido, despretensioso e inconsequente.

Iguaçu, Itanhaém, Cuiabá, Paraguai, rua Augusta, todos os postos de gasolina do Brasil. Porcas Borboletas visitam estes e diversos outros lugares em suas canções, fazendo do seu terceiro disco a trilha sonora perfeita para pegar a estrada. Jovem guarda, Titãs, David Bowie, Bob Dylan, Leminski e outras influências diretas e indiretas permeiam as composições dos uberlandenses, levando a viagem do plano geográfico para o histórico. Se foi tudo intencional, eu não sei, mas de qualquer forma, a banda conseguiu fazer seu melhor disco até agora; animado e sombrio, experimental e poético, festeiro, estradeiro e original.

Diana Ragnole

Estagiária em Programação musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta às 9h45, na Rádio UFSCar.

segunda-feira

1. Mal criado a David Bowie

2. Todo mundo tá pensando em sexo

3. Tudo que eu tentei falhou

terça-feira

4. Aninha

5. Festa terror

quarta-feira

6. Only life

7. Valéria

quinta-feira

8. Go to Cuyaba

9. Fim do mundo

sexta-feira

10. Infelizmente

11. Giro

12. Wellington

Revisão: Sheila Castro

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