Phillip Long – A Blue Waltz

Escrito por em 30/06/2014

Depois de um início de carreira bastante curto e prolífico (foram quase 10 trabalhos lançados, entre discos e Eps, em meros 4 anos), o cantor e compositor paulistano Phillip Long, que ficou bastante conhecido no cenário independente nacional com o seu indie folk melódico, volta agora com seu mais recente trabalho, o disco A Blue Waltz. Declaradamente inspirado na obra a banda inglesa The Smiths, A Blue Waltz surge como uma espécie de recomeço na carreira do músico.

 A melancolia ainda está lá, bastante evidente, e o bucolismo típico do folk e do country americano ainda encontra seu espaço nessa nova faceta da carreira de Phillip Long, com seus antigos parceiros melódicos como a gaita, o violino e o banjo permeando as canções do novo disco. Entretanto, tudo isso que compunha os principais aspectos das músicas do paulistano abriu caminho para a melancolia quase mórbida de Morrisey. A semelhança com o trabalho do inglês é tão gritante que eventualmente rola a dúvida se Long não está simplesmente copiando seu estilo, e não apenas se inspirando nele. O ritmo arrastado e lamentoso das canções, até o timbre da voz, tudo nos leva de volta a 1986, principalmente em canções como “Tidal Wave” e “Why So Romantic With Death?”.

Mas como já foi apontado, Long não deixa completamente pra trás seu antigo trabalho e influências folks, na parte instrumental do disco nós encontramos seu passado, e é nessas combinações entre o novo e o velho que A Blue Waltz mostra seus melhores momentos. Falo de faixas como “A Kind of Blue”, “What Lovers Shoud Do” e “Cold Ground (Take Her Away)”, que trazem até um certo alívio para o trabalho.

 A Blue Waltz é exatamente o que o nome sugere: lento, marcado, delicado e melancólico. Chega a ser ligeiramente enfadonho, pois todas as músicas têm a mesma atmosfera, mas isso não é necessariamente ruim, pois a simplicidade das composições dá bastante destaque  aos instrumentais discretos e também para as letras das canções, que sempre foi o forte dos Smiths, e que é o que merece destaque nesse novo trabalho de Phillip Long.

Os motivos pelos quais ele escolheu dar essa virada radical na sua carreira passam despercebidos, na verdade é difícil saber se vamos ter novos frutos nesse mesmo estilo ou se foi apenas um curto desvio que há de voltar ao que já conhecemos do velho Phillip. De um jeito ou de outro, um trabalho tão renovador é sempre bem-vindo, pois além de mostrar a capacidade inovativa do cantor e compositor, também nos dá um descanço do seu antigo estilo, que precisava de uma repaginada para não cair na mesmice.

Diana Ragnole, estagiária em Programação Musical.

A seguir, a lista de músicas que tocam de segunda a sexta, às 9h45, na Rádio UFSCar.

Segunda-feira

1. Tidal Wave

2. A Kind Of Blue

Terça-feira

3. If The Band Leaders Are Dead

4. What Lovers Should Do

Quarta-feira

5. Love Is A Ritual

6. Noble Soul

Quinta-feira

7. Naturally Sad

8. I Hope You Have A Better Life

Sexta-feira

9. Why So Romantic With Death?

10. Cold Ground (Take Her Away)

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