Pata de Elefante – Na Cidade

Escrito por em 13/12/2010

pata de elefante na cidade cdO Pata de Elefante estreia, nessa semana, o seu novo álbum, “Na Cidade”, gravado e mixado nos estúdios Trama e masterizado nos estúdios Abbey Road. A banda gaúcha vem ganhando espaço desde 2004, quando lançou seu primeiro álbum homônimo, repleto de folk-rock e com uma sonoridade bem menos pesada do que nesse último disco. No segundo trabalho “Um olho no fósforo outro na fagulha”, o peso das patadas ficariam pouco mais evidentes; as distorcidas guitarras com melodias marcantes apresentavam um disco com o já característico som dos caras.

A banda segue em ascensão, “Na Cidade” apresenta novos ritmos e não fica nem um pouco no quadrado rock n’ roll. Experimentando novos instrumentos como sax, trombone, piano, vibrafone e, notadamente, em quase todas as faixas, um órgão Hammond. Combinação que evidencia as influências setentistas.

A primeira faixa, com o peculiar nome “Diga-me com quem andas e te direi se vou junto” abre o novo repertório com uma pancadaria funkeada: percussão e bateria integrando o groove recente da banda. Um groove de qualidade, com wahs calculados, boa levada de baixo e o órgão Hammond em progressão. Em seguida, com “Squirt Surf”, eles retomam o surf music, aquele já peculiar que se vê nos primeiros discos da banda gaúcha e contam com a participação de três garotas junto aos os músicos da gravação e um quarto elemento no baixo fuzz.

As próximas duas faixas são baladas bem estruturadas. Em “Grandona”, a guitarra vem cantando e acaba rasgada com o flanger ligado (aparato novo nesse disco). A outra tem um tom meio deprê, mas não deixa a desejar, “Um pouco antes de Dormir” me remete um pouco às baladinhas grunges.

A já antiga “Pesadelo no Bambus” é um dançante rockabilly western, com uma gotinha de psicodelia, uma das faixas mais bem trabalhadas do disco, com solos de Gabriel Guedes. A próxima faixa, apropriadamente intitulada “Sai da Frente” é a maior pedrada do álbum, violentíssima. O baterista Gustavo Telles pisoteia amortecendo nossos ouvidos para o agressivo riff de Daniel Mossmann, tensionado no limite. Pra aliviar, vem a tranquila “De Volta Pela Manhã”, que vai crescendo com o notório empurrão dos instrumentos de sopro, até culminar num impressionante fade psicodélico.

Mantendo o nível, vem a tonalidade de um simplório, mas classudo jazz-funk com a pegada do Pata. Pra quem conhece a banda, “Psicopata” tem uma peculiar linha de baixo mas com um novo tipo de virtuosismo nas guitarras. Na sequência, vem a música mais brasileira do álbum, “Vazio na Cerveja”. Numa levada parecida com a das lendárias bandas Black Rio e Brazilian Octopus, essa é na minha opinião a melhor faixa.

Destaque para a percussão em “A Luz de Velas”, outro nome que caracteriza bem a música, bem soturna. “Reforma no Banheiro” é um ecoante blues que não passa despercebido, assim como a última faixa, “Grande Noite”. Destacamos na programação um gigante álbum do Pata de Elefante, apresentando um rock de qualidade. Coisa fina, original. Sonzera!

Cauã R. Alves,
Bolsista da Rádio UFSCar

Disco da Semana 12 de abril de 2010

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