O Terno – O Terno

Escrito por em 08/09/2014

Para quem acompanha o cenário musical independente brasileiro, é difícil não se lembrar d’O Terno. A banda foi, por boa parte de 2012, uma das novidades mais bem faladas da cena musical, conquistando olhares interessados com uma campanha publicitária muito inteligente e divertida (incluindo aqui o ótimo clipe de “66”), somada a um disco de estreia sólido e promissor. De fato, o legado de seu primeiro álbum prometia bastante para o futuro do power trio paulistano.

Dois anos se passaram e o grupo finalmente submete seu segundo trabalho à prova de forma bem corajosa, por sinal. “O Terno”, o disco, primeiro composto inteiramente por composições próprias, é fruto de um processo de amadurecimento consciente de uma banda que encontrou o som que lhe define, como seu próprio título já denota.

O que seria, então, essa nova cara que os três jovens paulistanos desejam imprimir à banda? Certamente, “seriedade” é palavra-chave aqui. Em comparação a “66”, o álbum autointitulado diminui consideravelmente as doses de bom humor e piadinhas que faziam a audição de sua estreia tão divertida. Trocam isso por uma lírica mais bem desenvolvida, com letras abordando temáticas mais sérias, ainda mantendo a sagacidade característica de sua estreia. Além disso, o experimentalismo sonoro é mais bem trabalhado, com a banda explorando referências até então inéditas no trabalho do grupo, muito embora o rock n’ roll setentista e a tropicália ainda sejam suas principais fontes de inspiração.

Evolução clara que seja, percebe-se também que o grupo foi inteligente e habilidoso o suficiente para realizar esse salto conceitual sem perder sua essência, agradando assim aos fãs que já haviam conquistado, e abrindo ainda mais o leque para um novo público, com um disco que é maior e ainda melhor que sua estreia.

Digo que ‘O Terno” é um disco mais sério que “66”, mas isso não quer dizer que ele ainda não arranque boas risadas durante sua audição. A música que abre o álbum já é um bom exemplo disso. O tratamento brega, a letra “dor-de-corno”, tudo converge para criar esse efeito cômico. Aliás, “Bote Ao Contrário” é um bom exemplo de como a banda aprendeu a de fato criar impressões com o som, através de um trabalho muito bem apurado de timbres e efeitos de produção que atuam como reforço e complemento à letra, tratamento que abrange o álbum inteiro. Maturidade exemplar na abordagem da composição, e grande ponto alto do novo Terno.

Sem nenhum hit como “66”, o grupo aposta aqui na unidade do disco. É um trabalho que soa coeso, bem casado, daqueles discos pra se ouvir na íntegra. Claro, algumas faixas se destacam, como “O Cinza”, primeiro “single” da bolacha, que desenvolve um impressionante trabalho de dinâmicas entre guitarras sujas e versos flutuantes, e de letra que remete a “Sampa” , do Caetano, tanto na temática quanto em qualidade. “Eu Confesso” também chama a atenção, carregando a letra mais divertida do disco, e se aproximando bastante d’O Terno de 2012. Entretanto, “Desaparecido” é, realmente, a obra prima do grupo até então: impressiona com sua narrativa macabra, com o uso do instrumental, e, é claro, com sua mensagem – uma faixa de encerramento perfeita, que ainda dá um gancho pro replay.

Posso assegurar, O Terno superou o teste do tempo, e, com esse disco novo, garantiu seu lugar ao sol como uma das bandas mais interessantes a surgir do cenário independente paulistano – e olha que a concorrência é grande, hein!!

Henrique Gentil, bolsista em Programação Musical.

A seguir, a lista de músicas que tocam de segunda à sexta, às 9h45:

segunda-feira

1. Bote Ao Contrário

2.O Cinza

3. Ai, Ai, Como Eu Me Iludo

terça-feira

4. Quando Estamos Dormindo

5. Eu Confesso

6. Brasil

quarta-feira

6. Pela Metade

7.Vanguarda?

quinta-feira

9. Quando Eu Me Aposentar

10. Medo Do Medo

sexta-feira

10. Eu Vou Ter Saudades

11. Desaparecido


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