Nação Zumbi – Nação Zumbi

Escrito por em 19/05/2014

É sempre um drama quando bandas apoiadas na figura central de um músico sofrem a perda de sua estrela. Já vimos isso várias vezes na história da música, bandas clássicas como The Doors e Nirvana não sobreviveram sem Morrison e Cobain. Mas também existem aquelas que deram a volta por cima e se reinventaram, como foi o caso do New Order, reunião dos ex-Joy Division pós morte de Ian Curtis.

E tivemos um fenômeno semelhante aqui no Brasil, com a histórica banda Nação Zumbi, que perdeu seu líder Chico Science em um acidente de carro. A partir de então, o talentoso Jorge du Peixe assumiu os vocais principais, e a Nação Zumbi manteve-se uma banda ativa e escrevendo novas músicas, mas que sempre tinham um quê nostálgico que deixava inevitável a comparação com o auge do movimento manguebeat, que os músicos pernambucanos protagonizaram. A banda ficou nesse limbo criativo durante vários anos, até que, em 2007, depois de lançar o disco Fome De Tudo, entraram num longo hiato para decidir que rumo tomar. E foi só agora, em 2014, que vemos o resultado dessa ponderação: o disco autointitulado, que sai pelo projeto Natura Musical.

Cá entre nós, seria um desperdício ter músicos do nível de du Peixe e Lúcio Maia trabalhando numa banda fadada ao fracasso de tentar repetir o sucesso alcançado nos anos 90. Mas ainda bem que não foi isso o que aconteceu. O Nação Zumbi conseguiu se reinventar e lançar um disco atual e criativo e sem perder a essência, o que é fundamental.

O álbum tem uma linha temática bastante evidente e clássica: o amor. As interpretações são múltiplas e as abordagens variam. Há desde músicas românticas, como a baladinha “Um Sonho”, até canções mais lascivas, como o single “Cicatriz”. Os batuques percurssivos e intensos combinados com a psicodelia eletrônica dão uma trégua, e o destaque fica com a guitarra versátil de Lúcio Maia e com a voz ineditamente limpa de du Peixe. O tratamento vocal é uma preocupação bem evidente, e soa diferente do que costumava ser no começo dos anos 00, quando Jorge assumiu os vocais e cantava de forma mais metálica e quebrada; nesse novo disco ele chega quase melódico, com um quê de Zeca Baleiro e MPB.

O som todo é bastante orgânico, mas nem por isso leve. Faixas como “Pegando Fogo” e “Bala Perdida” mostram que a energia revolucionária do Nação ainda existe e não deixa nada a desejar se comparada com o auge da banda. A maior diferença realmente se faz nas letras, as rimas ariscas e a manifestação política deram espaço aos sentimentos pessoais e profundos das relações amorosas. Isso não é uma crítica, pelo contrário, é extremamente revigorante ver uma banda com décadas de estrada ser capaz de escrever sobre um tema tão abrangente e amplo de forma mais aberta, sem perder a originalidade.

De certa forma, Nação Zumbi é um disco um pouco mais acessível, pela ausência das experimentações musicais e pelo tratamento mais limpo da sonoridade. Mas nem por isso é um trabalho manjado ou tedioso. Recomendo bastante para quem ouvia a banda quando ela era liderada por Chico Science, e também para quem nunca ouviu nada dos músicos pernambucanos antes (o que é uma afronta a nossa música, mas enfim). Todo mundo precisa ouvir.

 Diana Ragnole, estagiária em Programação Musical.

 A seguir, a lista de músicas que você confere de segunda a sexta, às 9h45!

 Segunda-feira

1- Cicatriz

2- Bala Perdida

Terça-feira

3- O Que Te Faz Rir

4- Defeito Perfeito

Quarta-feira

5- A Melhor Hora da Praia

6- Um Sonho

Quinta-feira

7- Novas Auroras

8- Nunca Te Vi

Sexta-feira

9- Foi de Amor

10- Cuidado

11- Pegando Fogo

 

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