Mustache & Os Apaches – Mustache & Os Apaches

Escrito por em 21/10/2013

Já resenhei diversos discos de folk esse ano. Desde o trabalho elegante e melancólico da inglesa Laura Marling ao som poético e folclórico do Bona Fortuna, passando pela pegada mais hippie do Edward Sharpe & The Magnetic Zeros, dentre outros. Todos incríveis, mas nenhum deles se compara ao disco de estreia dos paulistanos do Mustache & Os Apaches. A banda se saiu vitoriosa no desafio de adotar os estilos jug band e o vaudeville sem cair no óbvio ou no brega e sem parecer anacrônica, muito pelo contrário, seu disco de estreia faz isso de forma criativa, contemporânea e divertida.

Nesses tempos de banda larga, facebook e conexões 24h por dia, a internet se tornou a principal ferramenta de divulgação de bandas e artistas novos e independentes. É de graça, de longo alcance e quem curte compartilha num clique. Mas o legal da Mustache & Os Apaches é que sua fama começou na rua, como toda jug band que se preza. Seus shows espontâneos nas ruas da famigerada capital paulista já foram suficiente para gerar uma clientela heterogênea e interessada que passou a divulgar o som. Espertíssimo da parte dos músicos, uma vez que isso permite contato direto com o público e também já deixa evidente todo o potencial ao vivo da banda, pois banda só pode ser chamada de boa se mandar bem ao vivo. Isso foi em 2011 e nos dois anos seguintes o esforço deu frutos: aparições na TV, colaborações em diversos projetos, entre eles o É O Que Temos, da Bárbara Eugenia, outra linda que fez um disco ótimo, turnê na Europa (pois é, meu bem) e, o que nos interessa aqui, o disco de estreia.

O disco Mustache & os Apaches tem uma vibe extremamente boemia, coisa que já vem da tradição burlesca e da jug band também. A banda fazia apresentações sensacionais ao ar livre e se as músicas já eram ótimas no lo-fi, as versões de estúdio então… vixe!.

“Harry Nilsson”, faixa de abertura, faz uma espécie de introdução ao disco, ao contar o dia tedioso do personagem que vai à cidade depois de se barbear, apesar do gato dele estar meio magro demais, quem sabe ele não encontrou a jug band mandando um som pelas ruas?. A música seguinte, “Nega Lilu”, é praticamente a Nega do Cabelo Duro do indie folk nacional, David Nasser poderia considerar isso uma bela homenagem.“Come To Sing With Us” prepara o terreno para a próxima canção, fazendo um convite irrecusável e, então, temos “Twaaaaaang”, o single! a música é absolutamente viciante, divertida e dá vontade de sair dançando toda vez que toca, um folk completamente despretensioso, com uma letra metade cantada, metade scat, na qual a banda arrasa na arte do banjar. Não tem nem do que falar mal. Isso porque ainda nem falei do videoclipe, que aliás ficou sensacional.

Continuando o disco, temos o momento instrumental com a música “Escapa do Bom”, que traz guitarras melancólicas e uma vibe mais estradeira. A influência da tradição vaudeville, da “voz do povo”, fica bem evidente nas faixas “O Gato”, “Le Bateau e Despedida” que fecham o disco com um swing digno dos anos 20, com piteira e cinta-liga. O disco ainda conta com três faixas bônus, entre elas “Smoke Joes Cafe”, que tende um pouco mais pro blues e uma versão da famosa “Gigolo” pra encerrar com bastante humor.

Mustache & Os Apaches é diversão, nostalgia, swing e muita boemia. Som que te pega de surpresa às 19h, na Paulista, te faz comprar uma breja e improvisar um foxtrote no meio da galera. Em breve, o mundo vai desabar, mas garanto, está tudo bem, saiu o disco do Mustache & Os Apaches!

Diana Ragnole
Estagiária em Programação musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta às 9h45, na Rádio UFSCar.

segunda-feira
Harry Nilsson
Nega Lilu
terça-feira
Come to Sing With Us
Twang
quarta-feira
Escapa do Bom
O Gato
quinta-feira
Le Bateau
Despedida
sexta-feira
I’m Alone Because I Love You
Smokey Joe’s Cafe
Gigolo

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