Monster Coyote – Neckbreaker

Escrito por em 26/10/2015

O Brasil é o país do samba e do carnaval, esse é o esteriótipo clássico. Mas o que nem todo mundo sabe, é que nosso querido país de tamanho continental, é o berço de diversas bandas de rock extremo. Ratos de Porão e Sepultura são algumas dessas bandas que trilharam uma jornada de destaque no cenário internacional, mas eles não são os únicos. Dos anos 2000 pra cá, muitas bandas conseguiram se projetar na gringa com o seu rock extremo, seja ela de metal, hardcore, stoner ou qualquer outra forma de pancadaria. Nesse contexto, nós temos o Monster Coyote, diretamente de Mossoró/RN. O power trio potiguar ganhou destaque em 2011, com seu primeiro EP Stoner to The Boner e, logo em seguida, em 2012, com o álbum The Howling. Com uma sonoridade que mescla metal com o stoner, eles conquistaram o público nacional e internacional, se tornando uma referência para o stoner rock tupiniquim.

Esse ano, a galera atacou novamente e lançaram mais uma tijolada chamada Neckbreaker. Produzido e mixado por Cássio Zambotto e masterizado por Brad Boatright, Neckbreaker traz um Monster Coyote mais maduro. O disco seria algo como a continuação melhorada dos trabalhos anteriores. Não que eles sejam ruins, mas nesse terceiro disco a banda aparenta ter redescoberto o seu próprio som. Com nove faixas que parecem ser uma só, o álbum segue sem pausas para respirar. Uma faixa complementa a outra. Porém tudo está na medida certa, a cadência, seguida da destruição é uma característica evidente. Os riffs dissonantes também fazem parte desse novo tempero. E tudo, simplesmente tudo, muito pesado (como deve ser um bom stoner rock). O vocal gutural de Kalyl, baixista da banda, vem diretamente das profundezas do inferno. Uma novidade é a voz de Amilton, o guitarrista, que também solta o berro. O clima de destruição é evidente, que faz  jus ao título Neckbreaker, que traduzido seria algo como Quebrador de Pescoço.

“Rapture”, faixa que abre esse trabalho, é uma breve introdução do que está por vir. Eu vejo essa faixa como uma neblina sombria que se aproxima e você não sabe o que vem junto com ela, mas saca que a casa vai cair. “IDDQD”, segunda faixa, é a confirmação, o riff hipnótico e os ritmos quebrados mantêm nossa atenção e prepara o terreno para o vocal sombrio e furioso tomar conta do ambiente, nesse momento fugir não é uma opção, mas o bate cabeça é muito bem-vindo. A partir desse momento, nada fica mais calmo, pelo contrário, o peso vai tomando diversas formas mas sem nunca deixar a peteca cair.

“The Worst Blind”, primeiro single lançado é definitivamente um excelente cartão de visitas. Daniel Araújo, baterista, senta a mão e faz as quebras de ritmo sem medo de ser feliz, ora puxando pra velocidade do crossover ora puxando pro compasso do stoner. O mesmo vale pra guitarra,  chove riffs e o solo impetuoso é brutal, assim como a canção e o disco por completo.

Cada detalhe foi muito bem pensado e muito bem trabalhado, a intensidade do peso, as transições e quebras de ritmo, a brutalidade dos vocais e a progressão do trabalho por completo. Neckbreaker não é o tipo de álbum que uma faixa agrada e outra não. É uma obra singular, feita para ser ouvida do começo ao fim. Se você nunca ouviu Monster Coyote, essa é a hora de sentir o drama dessa obra que é, no mínimo, mítica.

Hugo Safatle, estagiário em programação musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta, às 10h. Você também pode ouvir o álbum na íntegra no domingo, às 15h, aqui na 95,3 FM, escute diferente!

Segunda-feira

1- Rapture

2- IDDQD

Terça-feira

3- Hand Of Disaster

4- The Worst Blind

Quarta-feira

5- Capgras

6- Leap Of Faith

Quinta-feira

7- Spiritual Karma

8- I Fucked A Witch

Sexta-feira

9 – The Shepherd Who Saves The Wolf, Dooms His Sheeps

 

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