Mombojó – Amigo do Tempo

Escrito por em 20/12/2010

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Amigo do Tempo é um disco corajoso. De seu título a suas letras e sonoridade, ele é um reflexo claro do que o Mombojó se tornou e é, no presente. Aqui, a sinceridade fala mais alto e a maturidade aparece. “Sinto não ser dos mais saudosistas, qualquer caminho sou eu”. Esse é um verso de Entre a União e a Saudade, faixa de abertura de Amigo do Tempo, primeiro álbum da banda pernambucana desde 2006, quando Homem-Espuma foi lançado. O segundo disco desagradou parte do público e da crítica, ávidos pelo sambinha moderno e nordestino de Nada de Novo” de 2004, que lançou a banda no cenário nacional, com sua disponibilização gratuita pela Internet – para a época, um diferencial.

O verso já citado explicita a postura do agora quinteto – após a morte d’O Rafa, em 2007, e a saída de Marcello Campello, um ano depois -, de independência, no real sentido da palavra. Produziram o disco sem leis de incentivo, com a ajuda de amigos como China, Guizado e Pupillo, e com os cachês que conseguiram pelo Del Rey – projeto paralelo de releituras de clássicos da Jovem Guarda.

O Mombojó aqui abandona a preocupação com o “agradar” ou com ser o que já foi, abandona a nostalgia e começa, finalmente, a trilhar seu novo caminho, agora como uma Banda adulta – com maiúsculo mesmo. Esse caminho pode ser visto como arriscado, mas na verdade é o mais iluminado. Em Amigo do Tempo faltam hits. fora Casa Caiada – primeiro single, lançado no começo desse ano -, o resto do disco não é composto por faixas que ficam na cabeça e no assobio após a primeira escuta. Mas compensa o ouvinte com um todo bastante convincente, as 11 faixas juntas funcionando em perfeita consonância. A produção é mais sofisticada que nos dois primeiros discos e, principalmente, mais ousada. A utilização de novos elementos, ruídos, instrumentos e também outras estruturas dentro das canções, com formatos menos clássicos e populares, tornam o álbum cada vez mais surpreendente.

Após a beleza da faixa de abertura, Antimonotonia nos leva à experimentação hipnótica do Mombojó, um mantra provocativo e beirando o agressivo, mas só pra que você “inspire-se na ousadia e afaste a monotonia da sua semana”. O álbum segue por faixas que misturam a brasilidade pop dos meninos pernambucanos com a pitada guitarrística do Del Rey, chegando à Praia da Solidão, lenta e leve, a solidão em sua forma mais calma e dócil – “E foi assim que eu quis o sol só pra mim”. Triste Demais se aproxima da época de Nada de Novo, agora revisitado em um tom menos ingênuo e esperançoso, mas com tanto sentimento.

Amigo do Tempo faz valer a longa espera pelo Mombojó. Mas ouça mais de uma vez, antes de formar sua opinião. E entenda o que eles mesmos falam, no começo do disco: “Qualquer caminho sou eu”. E, claro, é mesmo.

Yasmin Muller
Programadora Musical da Rádio UFSCar
@djyasmina

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Disco da Semana 5 de julho de 2010

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