Metá Metá – MM3

Escrito por em 06/06/2016

Sem aviso prévio, o trio paulista, formado por Kiko Dinucci, Thiago França e Juçara Marçal, mais conhecido como Metá Metá, lançou no final de maio seu terceiro álbum de estúdio chamado apenas MM3. Pensado no final de 2015, o disco foi gravado em março deste ano, em apenas três dias, no Estúdio Red Bull em São Paulo, por Rodrigo Funai e o assistente Diego Saints. Além da formação original, o trabalho conta com as participações de Marcelo Cabral no baixo, Sergio Machado na bateria, além de Rodrigo Campos e Siba na composição de algumas faixas.

MM3, segue o fluxo de seu sucessor MetaL MetaL de 2012, como também do Metá Metá, EP lançado no ano passado. Se por um lado o álbum saiu de maneira muito singela, por outro o seu conteúdo é poderoso, agressivo, barulhento e muito pesado. Metá Metá nunca esteve tão punk, o próprio processo de gravação seguiu essa linha, como afirmou o guitarrista Kiko Dinucci, para a Rolling Stone,A ideia, contudo, era deixar a banda afiada e resolver tudo rápido, ao vivo, com dois ou três takes. É uma questão de desapego: não temos a pretensão de fazer um disco perfeito, de estar com tudo certo.” Estamos falando de um álbum que dialoga com a MPB, gravado de maneira ao vivo, sem o apego à perfeição. Porém, o mais fantástico, é a intensa energia presente no trabalho. A banda parece ser o Rage Against The Machine tupiniquim, a fúria é a mesma, porém, o Metá Metá brinca com diversos ritmos e navega do jazz ao rock sem perder a linha, sem exagero. Já Juçara Marçal, diva da música negra, transforma-se em uma agressiva cantora de rock rasgando notas que penetram na sua alma, ao mesmo tempo que o sax de França soa como uma confusa guitarra distorcida.

Com nove faixas intensas, o disco parece ter sido gravado no meio de um deserto mágico onde os artistas comandam o vento e são eles que decidem quando haverá uma tempestade ou não. Isso não foi à toa, já que o trabalho passou a ser concebido após o grupo ter se apresentado no Marrocos, o que justifica a presença de riffs e arranjos com da música oriental.

metameta2

“Três Amigos”, primeira faixa do disco, traz bastante dessa influência. Ela começa com o riff hipnótico do baixo, à la “Set The Controls For The Heart of The Sun” do Pink Floyd, o que abre passagem para os outros instrumentos prepararem o terreno para a tempestade de areia que começa na segunda metade da canção. Porém, o álbum não fica estagnado no deserto, tem também a forte presença, de maneira até mais evidente, da vida caótica de São Paulo; faixas como “Angoulême” e “Corpo Vão” trazem uma estética torta para o som, com arranjos diatônicos e momentos de pura confusão mental, principalmente em “Angoulême”. No entanto, não é só destruição e loucuras no deserto que compoẽm o disco. Metá Metá vai além e trabalha com as canções de forma bem livre, a penúltima faixa, “Toque Certeiro”, já traz um clima mais carnavalesco e dançante, a bateria parece uma marchinha de carnaval ao lado da guitarra suingada do afrobeat.

No final das contas, definir em palavras o que é MM3 passa a ser uma tarefa muito complexa, tendo em vista que a banda como um todo e suas canções são de uma versatilidade invejável. O disco vai do deserto sombrio, passando pelo caos da vida moderna, ao suingue do carnaval, não só de uma faixa à outra, mas de um verso ao outro. Pela primeira vez podemos ver o Metá Metá tão solto,  daí vem a maior influência do jazz, não necessariamente em timbres e arranjos, mas na maneira como os músicos conseguem, dentro da canção, dialogar entre si de uma forma tão espontânea que faz até parecer fácil. Sem dúvida, o Metá Metá está revolucionando a música brasileira de forma sincera e coerente.

Hugo Safatle, programador musical na Rádio UFSCar 95,3 FM


A seguir, a lista de faixas que você escuta de segunda a sexta, às 10h. Você também pode ouvir o álbum na íntegra no domingo, às 15h, aqui na 95,3 FM, escute diferente!

Segunda-feira

1 – Três Amigos

Terça-feira

2 – Angoulême

3 – Imagem do Amor

Quarta-feira

4 – Mano Légua

5 – Angolana

Quinta-feira

6 – Corpo Vão

7 – Osanyin

Sexta-feira

8 – Toque Certeiro

9 – Oba Koso

 

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