Marcelo Camelo – Toque Dela

Escrito por em 24/04/2011

Em 2008, quando o hiato da Los Hermanos já havia sido anunciado, Marcelo Camelo lançou seu primeiro disco solo. Em sua carreira musical, Camelo não costuma seguir nenhum paradigma, pelo contrário, tenta ser o mais relativo possível. Com o começo da carreira solo, sua liberdade criativa permitiu que ele se reinventasse ainda mais.

Dizer que seu novo disco canta o amor não é nenhuma novidade. Mas, certamente, “Toque Dela” é seu conjunto de canções que soa mais pessoal. A direta declaração do já antigo amor vem sem pressa, tranquila e fluida.

É pessoal, inclusive, no som, quando o próprio Camelo toca as bases de baixo, bateria, percussão, violão e guitarra. Mais seco que seu primeiro trabalho, o novo disco continua com o instrumental da banda Hurtmold, que deixa as bordas mais definidas. Curiosamente, ao mesmo tempo que é um disco mais “de banda” que o anterior, às vezes com três guitarras, é cheio de tons acústicos, costurado com assobios, ukuleles, metalofones, naipes de sopros e noises poéticos.

Gravado ao longo de 2010, no estúdio El Rocha, o disco conta com a participação de Marcelo Jeneci na sanfona ou no piano elétrico; o suíço Thomas Rohrer na rabeca; e o norte-americano Rob Mazurek na corneta, figuras interessantes na criação atual do som paulista.

Três das músicas do CD citam “a cidade”, nesse caso São Paulo, onde Camelo, de origem carioca, mora atualmente. Quatro falam do sol. “Morena” e “Pretinha” também são referências comuns ao amor, que aparece sete vezes nas letras. Aí chega “Vermelho”, faixa em que Mallu Magalhães participa, e a relação está completa, ele se assume sem medo e mostra que a música é uma jornada ao seu universo afetivo.

A declaração direta continua nas suaves “Acostumar”, “Pra Te Acalmar” e “Tudo Que Você Quiser”. Ao abrir o simbólico lado B do disco, nos deparamos com a climática e sensível “Três Dias” composta em parceria com o cartunista e poeta André Dahmer.

O disco entra em uma vertente mais artística do que musical, capta palavras, sons, ideias e fotografa o momento. O desenho poético é simples sem ser óbvio, o que deixa sua estética bem espontânea.

Ouvir de longe seu companheiro de banda Rodrigo Amarante e mais de perto sua namorada Mallu talvez lhe tenha feito bem e lhe tenha dado a oportunidade de criar não apenas um disco sobre o toque dela, mas com um toque dela.

Sara Antonelli
Estagiária em Programação Musical
Rádio UFSCar

A seguir, a lista da músicas que você ouve de segunda à sexta-feira, às 10h00 na Rádio UFSCar:

Segunda
A Noite
ô ô

Terça
Tudo Que Você Quiser
Acostumar

Quarta
Três Dias
Pra Te Acalmar

Quinta
Vermelho
Pretinha

Sexta
Despedida
Meu Amor é teu

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