Mahmundi – Mahmundi

Escrito por em 16/05/2016

Mahmundi, nome da cantora carioca, radicada em São Paulo, até então pode soar como novidade pra você. Ainda embalada pelo clima otimista que pairava um Brasil pré-crise institucional, seus dois primeiros EPs, Efeito das Cores (2012) e Setembro (2014), atingiram em cheio aqueles que estavam ligados no que de melhor se produzia ao redor do País. Um resultado, porém, que não deixou de falar sobre o fato de que a cantora estava devendo um disco de estúdio que correspondesse ao seu potencial pra ir além de nichos e seletos grupos.

E seu recém-lançado primeiro disco, autointitulado, é produzido pela própria cantora, que opta por manter as conexões com os amigos e músicos que a acompanharam até aqui, como Felipe Vellozo, Lux Ferreira e Lucas de Paiva. Com cinco canções inéditas e outras cinco que representam um apanhado de suas melhores musicas, a obra conta com um lado A mais enérgico e um lado B mais íntimo. Assim como em seus dois primeiros trabalhos, o novo álbum é também todo construído com boas escolhas de timbres, texturas e linhas melódicas ligadas principalmente ao R&B e à música pop dos anos 80, por vezes até tirando uma onda com esse teor tão radiofônico da década. Em certos momentos do disco, a impressão que fica é que se Guilherme Arantes e Marina Lima voltassem a ser novidade nos dias de hoje e se deparassem com o trabalho de bandas como Metronomy e Toro y Moi, o resultado final seria algo bem parecido com o que cariocas como Silva e Mahmundi têm buscado trazer há alguns anos.

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Que delícia é poder ouvir o som da Mahmundi com um apuramento técnico muito maior o que o encontrado em seus dois primeiros trabalhos. É como se a parceria com o selo StereoMono, da Skol Music, trouxesse o peso e a orientação que a obra definitivamente precisa pra chegar no mundo real. O destaque e refinamento vocal presente em todas as canções do disco é de cara a primeira diferença dos trabalhos anteriores. “Hit”, primeira do disco, introduz o desafio de fazer canções de amor sem soar piegas, se opta por não entregar um refrão fácil logo de cara pra fugir do lugar comum, ironicamente não deixa de ser tão chiclete quanto clássicos da década de 80. “Azul” e “Eterno Verão” trazem coesão e entendimento ao disco, a cantora quer fazer do verão o novo hit, o novo sofisticado, resgatar aquela delicia de passear à tarde ouvindo uma boa música no calor da praia.

Enquanto que “Desaguar” vem potente, mas acaba sofrendo de um certo exagero nos timbres e camadas sonoras, “Meu Amor” e “Leve” correm pelo caminho contrário e entregam o melhor da Mahmundi; a primeira apresenta o beat mais gostoso do álbum – um R&B moderno e um tanto tropical – e a segunda chega sem muito compromisso, como o próprio título da canção sugere. “Sentimento” e “Calor do Amor”, duas canções premiadas com o Prêmio Multishow de 2014 e 2013 respectivamente, continuam como fortes candidatas a melhores hits da década, a primeira é de uma sinceridade e entrega incríveis, e a segunda vem mais forte e totalmente repaginada pra chegar aos ouvidos daqueles que ainda não se embalaram pela canção. Ainda no que diz respeito às novidades, “Wild” é, provavelmente, a melhor surpresa do disco, com um tanto de trip hop e ousadia, a faixa destoa de tudo aquilo que havíamos escutado da artista.  Vale ficar na torcida pra que os próximos trabalhos da Mahmundi sigam exatamente por aí.

Independente da reciclagem por vezes exagerada e de optar por se manter confortável diante de um mundo caótico como o nosso, as canções são ótimas e isso é inegável. Fácil de se apaixonar e difícil de não continuar escutando por dias e dias. Se não surpreende pelo tom quase que retrospectivo da obra, ao menos não entrega menos do que o esperado de uma das artistas que mais nos cativaram nestes últimos quatro anos. Mahmundi, enfim, entrega o seu aguardado primeiro disco e, com o mesmo misto de malandragem e doçura que a trouxe até aqui, pede pra você deixar que o calor do amor tome conta do seu coração.

Raul Ribeiro, programador musical na Rádio UFSCar


A seguir, a lista de faixas que você escuta de segunda a sexta às 10h. Você também pode ouvir o álbum na íntegra no domingo às 15h, aqui na 95,3 FM, escute diferente!

Segunda-feira

1 – Hit

2 – Azul

Terça-feira

3 – Eterno Verão

4 – Desaguar

Quarta-feira

5 – Meu Amor

6 – Calor do Amor

Quinta-feira

7 – Leve

8 – Quase Sempre

Sexta-feira

9 – Wild

10 – Sentimento

 

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