Maglore – III

Escrito por em 13/07/2015

A banda soteropolitana formada por Teago Oliveira nas guitarras e na voz, Felipe Dieder na bateria e Rodrigo Damati no baixo, está de volta com o seu aguardado lançamento, intitulado apenas como III. O título, referência óbvia ao terceiro lançamento de estúdio da banda, é também o marco de uma nova fase dos músicos, já que, além de radicados na cidade de São Paulo, a Maglore agora é um trio, após a saída do baixista Nery Leal e do tecladista Leo Brandão.

E os novos ares parecem ter influenciado nas composições do grupo. A volta da Maglore, após os sucessos de Veroz (2011) e Vamos pra Rua (2013), vem mais urbana e decidida do que nunca. As melodias fáceis e os arranjos delicados ainda continuam como uma das marcas intrínsecas ao grupo, assim como os versos e rimas, que conseguem falar de relacionamentos e de dilemas da vida sem soar como iniciantes ou demasiadamente depressivo.

Mas diferente do que ouvimos em seus álbuns antecessores, a banda agora se distancia de caracteristicas que a colocavam como um expoente MPB de sua geração, buscando no perigoso encontro do pop com o rock a sua maior fonte de inspiração. Vale ressaltar também, a importância da parceria Maglore e Rafael Ramos, já que o novo registro se apresenta, de longe, como o mais acurado e certeiro da discografia do grupo.

Não que as referências regionais de outrora não estejam mais presentes em III, mas digamos que o esforço em buscar por brasilidade tenha sido redirecionado a fazer do novo disco um exemplo de música pop de qualidade.

“O Sol Chegou” abre o álbum com ares de Raul Seixas, rock de poucos acordes e muito o que dizer. “Mantra”, primeiro single do disco e revelada ainda em 2014, é de uma precisão radiofônica exemplar – tem tocado bastante, e os comentários sempre são positivos. Mesmo ponto também para “Dança Diferente”, que de forma poética e realista, trata sobre o fim de um relacionamento – com cada um tomando seu próprio rumo.

“Aconteceu” e “Invejosa” lembram os californianos do Best Coast em seus melhores momentos, carregam também a marca das texturas setentistas, confirmada pela gravação inteira em fita de rolo no estúdio Tambor (RJ). “Serena Noche”, levada pela gostosa linha de baixo, é a baladinha do disco, com Teago cantando em castelhano mais uma de suas boas canções. “Café com Pão” e “Tudo de Novo” resumem o motivo pelo qual a  Maglore é uma das poucas que consegue falar de amor sem ser piegas e batido. E, por fim, “Vampiro da Rua XV” fecha o pacote com uma daquelas “música/estória” sobre o divertido conto do homem/vampiro solitário.

Sim, é bem verdade que não dá pra dizer que o som da Maglore é rebuscado, inovador ou algo do tipo. Mas também não dá pra negar que a banda é extremamente eficiente em trazer um som de qualidade a ouvidos brandos, coisa que – diga-se de passagem – bem pouca gente consegue fazer, sem levantar certas suspeitas. Se a tua praia é um poprock tranquilo, de letras bem escritas e sem grandes complicações, não perca tempo e fique ligado na nossa programação que você precisa mesmo ouvir logo este disco!

Raul Ribeiro

Estagiário em Programação Musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta, às 10h, na Rádio UFSCar:

Segunda-feira

  1. O Sol Chegou
  2. Se Você Fosse Minha

Terça-feira

  1. Invejosa
  2. Mantra

Quarta-feira

  1. Aiai
  2. Serena Noche

Quinta-feira

  1. Dança Diferente
  2. Aconteceu

Sexta-feira

  1. Tudo de Novo
  2. Café com Pão
  3. Vampiro da Rua XV
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