Lurdez Da Luz – Lurdez Da Luz

Escrito por em 23/03/2010

capa-lurdez-luzEnfim, foi lançado o disco solo de Lurdez da Luz, nesse começo de 2010. Início de novo ciclo, ano do Tigre chinês, ano de Oxalá e ano de grande influência de Vênus, com um toque de feminilidade a mais. Em sintonia com tudo isso, a metade feminina do Mamelo Sound System nos apresenta um disco extremamente feminino e amoroso, com todo o charme e a força que vem junto.

O disco, que leva o nome de sua criadora, é composto por 9 faixas as quais caminham por diversos temas com a sinceridade característica de Luana Dias, paulistana da Luz. Se inicia com “Por um punhado de palavras”, introdução celebrativa ao estilo afro-futurista do Mamelo Sound System, na qual já declara que seu produto é “interno e bruto” e “vem de parto natural”. Logo em seguida, “Ah Uh (Onomatopéia)” é faixa curta, alternando momentos falados e tons lascivos acerca do desejo e das expressões extremas e sinceras do corpo. O gênero spoken word ressurge durante vários momentos do disco, conversando com o flow do rap de forma mais livre.

“Andei” traz a participação de Stefanie (Simples/Pau de Dá em Doido), e “Ziriguidum” traz o parceiro Rodrigo Brandão (MSS), Rob Mazurek (SP Underground) e M Takara, além da produção de Mike Ladd. Outros parceiros na feitura do disco são o já conhecido DJ PG (também do MSS), DVBZ, Marcelo Cabral, Daniel Bozzio e Scott Hardy. “Corrente de água doce” traz Jorge Du Peixe dividindo os vocais com Lady Lurdez da Luz, e “Saudade” traz Brandão, de novo, em uma das faixas mais charmosas do disco.

A temática masculina aparece em dois momentos e de formas diferentes. Em “Meu Mundo Numa Quadra”, dedicada ao “homem de sua vida”, Lurdez reinventa a faixa original de M Takara, num misto de declaração de amor e conselhos para um futuro fantasioso de seu filho, seu anjo, seu dengo – Rogê. “Eu Sou O Cara” traz um eu lírico masculino, com a MC – entre efeitos vocais e interlúdios instrumentais – assumindo o papel do homem dos sonhos, “o cara mais corajoso que já se ouviu falar”. O que não deixa de ser mais um conselho de mãe para filho.

O disco termina com “Fim da Egotrip”, começando com “meu nome é o de menos agora”, Lurdez da Luz dedica o momento para celebrar e honrar todos que a estão ouvindo e a todos e, principalmente, todas que ela mesma já ouviu.

Por fim, Lurdez da Luz continua na sinceridade elegante e mundana que já percebíamos no Mamelo Sound System. Entretanto, agora se expõe como mulher, mãe, parceira. É um disco cheio de coisas ainda a serem descobertas, com todas as influências possíveis e misturadas, e letras que falam de tanta coisa ao mesmo tempo, que não ligamos todos os pontos e sutilezas logo de primeira. O Hip Hop nacional continua subindo de nível e as mulheres aparecem cada vez mais. Muita classe, Luana. Como já dizíamos por aqui – “essa mina é poeta”. Representou mais uma vez, agora ficamos à espera de mais uma visita a Sanca Vice. Quanta beleza nessa vida!

Yasmin Muller
Radialista e DJ da Rádio UFSCar

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