Kalouv – Pluvero

Escrito por em 14/04/2014

Resenhar um disco instrumental não é tarefa lá muito fácil. Claro, quando a música tem letra fica fácil se apoiar na mensagem em detrimento de  uma análise mais profunda de seus ambientes sonoros. Até porque, é com a letra que se dá, geralmente, o primeiro momento de identificação com uma música; é por isso, consequentemente, que discos instrumentais não costumam conseguir a propagação que deveriam.

Apesar de tanta adversidade, o cenário brasileiro de música instrumental vai muito bem, obrigado, encabeçado por uma galera que faz música por paixão – e aí, de vez em quando, sai um disco que nos obriga a aceitar o desafio de resenhá-lo. Pluvero é um desses discos.

Segundo álbum dos habilidosos instrumentistas da Kalouv, o grupo acerta sua fórmula ao se manter longe de um dos maiores pecados de seu gênero: o excesso. Pluvero não é meramente uma janela para o virtuosismo de seus integrantes, isso fica até em segundo plano, o grande trunfo do álbum é manter-se simples, numa leveza que carrega, sem pressa, seus ouvintes por meio das muitas mudanças de andamento entre e dentro das faixas (exemplo disso é “Algul Siento II”, com seus 12 minutos que passam sem se fazer pesar).

É essa condução leve que suprime a necessidade de uma letra. Com o foco maior na melodia e na criação de espaços sonoros, o grupo consegue gerar uma identificação com o ouvinte comum, que costuma ficar acuado com o tanto de coisa acontecendo ao mesmo tempo na maioria dos discos instrumentais. Kalouv aborda a música como geradora de sentimentos e para isso utiliza-se de elementos do jazz e do post-rock dosados de forma homeopática, de forma a forçar o ouvinte a flutuar pelos seus sons. O uso de diferentes instrumentos e seus timbres para evocar diferentes emoções é pontual e realmente transformam a audição de Pluvero em algo quase palpável. Dá pra ver – e mais que isso, sentir – as longas faixas se construindo na sua frente, cada uma como um pedaço da extensa paisagem que agrega o álbum inteiro.

Talvez uma das obras instrumentais mais bem resolvidas que escutei esse ano, Pluvero garante ao ouvinte que disponibiliza um tempo para essa viagem maravilhosa por terras distantes e nostálgicas. O álbum acaba de forma catártica e depois ainda tem direito a um posfácio para instigar qualquer um a apertar o replay.

Henrique Gentil

Bolsista de programação musical.
A seguir, a lista de músicas que você confere de segunda a sexta, às 9h45, na Rádio UFSCar.

Segunda-feira
1. Areno
2. Namazu
Terça-feira
3. Esquizo
4. Durango
Quarta-feira
5. Boa Sorte Santiago
6. Altro
Quinta-feira
7. Algul Siento I
8. Limiar
Sexta-feira
9. Algul Siento II
10. Es muß Sein

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