Jr. Black – RGB

Escrito por em 06/04/2010

CapaRGBJr. Black surgiu no cenário musical de Recife há alguns anos, lançando o primeiro CD, Nêgo Bom, com a banda Negroove, em 2004. Após um bom tempo de demoras e complicações – o disco estava previsto para o final de 2009 -, é lançado o primeiro disco solo, RGB, do cantor e compositor.

Do Negroove, com seu samba moderno, Jr. Black passou para DJ Dolores, fazendo parte de sua banda como vocalista e participando de diversas turnês internacionais com o genial produtor, também pernambucano. Ao que parece, a parceria com Dolores ampliou ainda mais os horizontes de Jr. Black, levando suas sonoridades a se mesclarem entre brasilidades grooveadas com batidas eletrônicas e sintetizadores, como nos mostra RGB.

O disco é iniciado com faixa homônima, um groove ao mesmo tempo moderno e retrô – lembrando um pouco o hip-hop funk dos anos 80 de Afrika Bambaataa e companhia – cantada meio em português meio em inglês, já anunciando o que vem pela frente. Já sentimos também a vibe da produção do disco, que fica a cargo do Sungatrio, formado por China, Chiquinho – do Mombojó -, e Homero Basílio – da Orquestra Sinfônica do Recife. A base é entre sintetizadores, guitarras leves e programações e tem entre outros convidados frequentes do disco figuras como Felipe S., Marcelo Machado – também do Mombojó -, Dengue, Vitor Araújo e Catarina Dee Jah.

A faixa “Iceman” já nos traz uma sonoridade um pouco mais setentista, bebendo no funk mais clássico, mas nunca sem misturar sua referência a uma modernidade bem-humorada. “Batida de Mocotó” lembra DJ Dolores, com um refinado trabalho de bases eletrônicas e um vocal quase falado, no estilo spoken word do nordeste. “Uzumaki Girl” chega com lascívia e fala de um amor japonês, trazendo Catarina Dee Jah e seu sotaque charmoso para representar a “índia do sol nascente” na narrativa, com as vozes ganhando força expressiva frente a um arranjo instrumental quase minimalista.

“Rampa” é música de Felipe S. com letra de Black, e o momento calmo do disco. Violão, assobios, letra romântica. Um “quê” de Mombojó, mas a canastrice sensacional de Jr. Black torna a música um misto quase indissociável de breguice e delicadeza. “Dança Bonito” é a “menina dos olhos” do disco, um groove de mais de 7 minutos que cresce em sua psicodelia e “saculejo”. O disco fecha com “O Bucólico Passeio da Rua Acre”, uma história de infância viajante, com elementos coloridos como garrafas, baldes, escovas, bandeirolas e palmas, nos dando tchau. Só alegria, um batidão delicioso. Isso que é “rebolation” de verdade.

Yasmin Muller
Radialista e DJ da Rádio UFSCar
@djyasmina

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