Holger – Ilhabela

Escrito por em 26/11/2012

Há dois anos, a Holger lançava “Sunga”, seu aclamado álbum de estreia. Donos, na época, de uma sonoridade única aqui no Brasil (ou pelo menos no mainstream brasileiro), que misturava guitarrinhas do rock indie com ritmos brazucas como o axé, a Holger se espacializou nessa sonoridade tropical pop e despretensiosa. Agora o aguardado sucessor de “Sunga” chega aos ouvidos do público, e certamente será posto à prova pela tal da hype.

O melhor adjetivo para definir “Ilhabela” é “coeso”: um álbum que se mantém constante do começo ao fim. É um passo seguro dado pela banda. O grupo aparece aqui sem drásticas mudanças na sonoridade de estreia, exceto por uma maior presença de elementos eletrônicos em comparação às músicas de “Sunga”.

“Ilhabela” ainda aposta na tropicalidade que definiu a banda. Optando por escancarar as influências do axé, o disco é a trilha sonora perfeita para o carnaval indie (se é que indie pula carnaval). Infelizmente para a Holger, o que era novo em 2010 já não soa tão fresco assim em 2012. Traçar paralelos com o trabalho do Vampire Weekend e, sobretudo, com o próprio “Sunga”, é inevitável – e é aí que “Ilhabela” perde um pouco de seu brilho.

Mas, afinal, qual o problema desse novo disco não trazer nada propriamente novo para o jogo? A Holger, despretensiosa como desde seu início, produziu aqui um álbum contagiante. É trilha sonora certa a animar qualquer festa, bem como qualquer viagem ao litoral – e, a julgar pelo título do álbum, esse é o intuito.

Nos primeiros acordes de “Tonificando”, que abre o disco, o grupo já te convida pra dançar, e, quando a percussão estilo marchinha entra em cena, é impossível ficar parado. “Abaía” dá boa continuidade à energia tropical do disco, que, não demora muito, desdobra no melhor momento do álbum, com a ótima sequência de “Great Strings” (que, apesar do título, tem como destaque os sopros que entram no fim da faixa), “Another One” (música pra fim de festa, pra se assistir o nascer do Sol) e “Infinita Tamoios” (com a letra mais divertida – se não besta – do álbum, o refrão mais contagiante, e uma verdadeira escola de samba acompanhando as guitarrinhas).

Depois desse bom começo o disco começa a cansar com a mesma sonoridade e sua despretensão calculada (“Treta” é o melhor exemplo disso), mas recompensa quem escutou até o final com a belezinha de faixa título “Ilhabela”, simplesmente a melhor do álbum – e uma das melhores da própria banda.

Enfim, “Ilhabela” pode até parecer ser um pouco mais do mesmo, mas é um “mesmo” de qualidade. A despretenção divertida que acompanhava a banda já começa a soar calculada, e em certos momentos, monótona. Entretanto, a Holger ainda sabe captar aquela energia tropical como ninguém, e, quando acerta na dose, produz faixas excepcionais. “Ilhabela”, apesar de não superar as expectativas criadas com “Sunga”, ainda é capaz de te propiciar um bom banho de mar.

Henrique Gentil
Bolsista em Programação musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você ouve de segunda a sexta às 9h45, na Rádio UFSCar:

Segunda-feira
1. Tonificando
2. Abaía
3. Se Você Soubesse
Terça-feira
4. Great Strings
5. Another One
Quarta-feira
6. Infinita Tamoios (feat. Li Saumet)
7. Me Leva Pra Nadar (feat. DW Ribatski)
8. Pedro
Quinta-feira
9. Full Of Time
10. Bambalira
Sexta-feira
11. Treta
12. Ilhabela

Revisão: Daniel Monteiro


Opinião dos Leitores

Deixe um Comentário

Seu endereço de email não será publicado. Campos Obrigatórios *


Rádio UFSCar

Tocando agora
TITULO
ARTISTA