HOLGER – HOLGER

Escrito por em 24/11/2014

Junte influências diversas e aparentemente desconexas: samba e punk, baião e rock psicodélico, sintetizadores e cavaquinho. Adicione a isso um toque de música pop e doses generosas de diversão e despretensão. Deixe a essência indie dar a liga à essa mistura e o resultado é o mais novo disco da Holger. O quarteto paulistano que se consolidou em 2012 com seu indie rock tropical volta agora com o terceiro disco, autointitulado. A banda lança um trabalho que busca trazer inovações no seu repertório de influências, sem perder a essência que colocou o grupo junto lá em 2008.

A tropicalidade emana desde a primeira até a última faixa, as música são simples, mas bem produzidas, bem pensadas e cativantes. O time de produção do disco é de primeira, e conta com a dupla americana Alex Pasterna (da banda Lemonade) Michael Cheever (Le Chev), além do velho conhecido do grupo, Eduardo Camargo.

As letras, todas em português, quase sempre se relacionam com o próprio processo de criação musical do grupo, por isso o disco recebeu o nome da banda. As músicas que abrem e encerram o disco, respectivamente “Trapaça” e “Tão Legal”, são as duas composições que mais evidenciam esse aspecto da Holger, deixando claro que a banda tem um processo desapegado de fazer música, revisitando antigas composições, antigas influências, mexendo aqui e ali até chegar no resultado final. Se tem algo que a Holger não faz é seguir a receita à risca. Existe um padrão, sim, que garante uma unidade sonora para o disco, mas o grupo em nenhum momento se deixa enquadrar pelo óbvio.

Durante o disco, a Holger resgata referências não só do começo de sua carreira, mas também do passado musical de seus integrantes. Em faixas como “Monolito” e “Casa Nova”, o sintetizador predomina, trazendo uma vibe oitentista de bandas como New Order, e com letras mais reflexivas. Um pequeno flerte com os antecedentes de post-rock de alguns dos músicos. E quanto ao indie rock desapegado que colocou a banda sob os holofotes, ele volta aparecer principalmente em “Boca Suja”.

Destaque para as faixas “Jurema”, um samba que vai ganhando toques de psicodelias “flaminglípticas” ao longo do seu refrão; e “Preguiça”, que traz batidas influenciadas por Olodum, com sua letra leve e jovem, uma espécie de hino do estilo de vida que os personagens e eu-líricos das músicas da Holger parecem viver.

Numa perspectiva mais técnica, Holger é o disco mais complexo da banda até agora. A capacidade dos músicos e dos produtores em conseguir colocar influências tão diversas condensadas em um pouco mais de meia hora é impressionante. Não existe prova maior da habilidade inovadora e criativa do grupo. Mais impressionante ainda é a despretenção que envolve isso tudo, as músicas da banda são divertidas e dançantes, extremamente fáceis de absorver e de gostar. Holger sai em boa época também, nada melhor que um som indie tropical para colocar de trilha sonora do verão que está pra chegar.

 

Diana Ragnole, estagiária em programação musical.

 

A seguir, a lista de músicas que vão ao ar de segunda à sexta, às 9h45:

segunda-feira

  1. Trapaça
  2. Cidade Perdida

terça-feira

  1. Café Preto
  2. Jurema

quarta-feira

  1. Casa Nova
  2. Monolito

quinta-feira

  1. Boca Suja
  2. Cama Dura

sexta-feira

  1. Bruto
  2. Preguiça
  3. Tão Legal
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