Guizado – Calavera

Escrito por em 20/12/2010

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Guizado – Calavera [2010]

Guilherme Mendonça (ou Menezes, como assina aqui) é o trompete da nova música brasileira. Ele e Gralha, do ProjetoNave, são os dois trompetistas presentes na grande maioria das novas expressões musicais desse nosso Brasil de meu Deus (perdoem, é tempo de Copa do Mundo, bem se sabe). Parceiro de Curumin, Karina Buhr e DonaZica e responsável por um dos melhores discos do – incrível – ano de 2008, Punx, Guizado nos brinda com seu segundo disco, em parceria com a Trama e seu Álbum Virtual – que torna disponível para download gratuito e legal na web.

Calavera significa Caveira, em Espanhol, e o título simboliza dois fatores importantes desse novo trabalho: tanto a influência étnica da musicalidade hispânica, oriental e bálcã – e, porque não, latino-americana e nordestina -, quanto o tom etéreo, onírico, sobrenatural e até noturno presente nas 11 faixas. Mas, para além das mudanças de vibrações recém-citadas, o grande diferencial aqui é a incursão de Guizado pelo terreno da canção. Somente 5 faixas de Calavera são instrumentais e nos vocais temos, além do próprio Guizado, a participação de Karina Buhr – Girando – e Céu – Skate Phaser.

O disco se inicia com Amplidão, mais de 6 minutos de riffs poderosos e letras sensoriais, conteúdo que continuaria sendo a tônica da poesia de todo o álbum. Em seguida, vem Asfalto Quente, a primeira das instrumentais, misturando o orgânico e o eletrônico – aqui numa faceta mais analógica do que digital, característica também importante desse segundo passo solo de Guizado. Girando contrapõe duas linhas melódicas – a dos sintetizadores e a dos trompetes, que parecem se desafiar em um duelo de vida e morte, até desaguar no vocal carregado de sotaque e expressão de Buhr. Emanação dos Sonhos é a melhor faixa do disco, na opinião desta que vos escreve. Uma mistura de expressionismo alemão com jazz paulistano que descamba num carnaval afrofuturistaantropofágico.

Rolê Beleza encanta com sua harmonia doce e ritmo calmo, assim como Calavera, faixa-título que nos leva a um México pesado e orgânico, e Vendaval tem aquela grandiosidade de fim de disco. Por fim, as faixas instrumentais parecem nos atingir mais diretamente do que as canções, que parecem se repetir, em alguns momentos, em suas melodias e letras. Mas, o disco ainda assim traz sensações e cores difíceis de se encontrar por aí. Calavera te faz uma companhia deliciosa quando for andar por aí, pode confiar.

Yasmin Muller
Programadora Musical da Rádio UFSCar
@djyasmina

Você escuta as faixas do Disco da Semana Nacional de segunda à sexta às 11h pelos 95,3 FM da Rádio UFSCar e, é claro, pelo nosso streaming ao vivo

Disco da Semana 21 de junho de 2010

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