Flavião e o Retrofuturismo – Trans

Escrito por em 01/05/2011

Barra Funda, São Paulo, Brasil – lugar que se tornou o epicentro dos novos artistas da baixa São Paulo. No coração da Barra, uma pequena garagem multimídia conhecida como o ateliê La Tintota permite a criação musical do Retrofuturismo.

Flávio Lima, um mineiro viajado que cresceu aos pés do som brasileiro, se junta aos já experientes Daniel Todeschi (The Surfmotherfukers), Caleb (Lavoura, DJ Frustrado), Fernando TRZ (Lavoura, Cérebro Eletrônico, Gil Duarte e Sistema Asimov de Som) e Paulo Lima (Lavoura e Mercado de Peixe) para formar Flavião e o Retrofuturismo.

No espaço da Rua Camarajibe (Barra Funda), duas portas de ferro na entrada com o pé direito alto dão ao espaço uma cara de oficina, lá alguns dos integrantes de variadas bandas, além de produzirem um som, fazem gravuras, esculturas, compõem músicas e criam palcos de teatro. Foi desse cenário que o Retrofuturismo emergiu, a sonoridade do ambiente trouxe, então, a experiência que foi base do segundo disco, “Trans”.

Da disposição em associar música e arte, Flavião e o Retrofuturismo trazem música livre e se aproximam da arte através do afeto e criatividade. “Trans” captura o espírito colaborativo e, juntos, os retrofuturistas fazem um art-rock bem brasileiro. O experimental e as peculiaridades da música brasileira dão ainda espaço para referências múltiplas como a eletrônica (drum and bass, house, electro), o folk rock, o new jazz e o pós-punk.

Diferente do primeiro álbum que gritava a vivência paulistana, “Trans”, sem perder o lado urbano de São Paulo, volta a sonoridade para um patamar de essência brasileira, como em “O Verão”, a sexta faixa, que mistura o acústico, a elétrica e uma batida tão solar quanto tranquila, que invade a mente num desaguar sonoro contínuo.

“Abraça o sol” segue com a brasa e até se adianta em um som claro que lembra bossa/samba. Aliás, o disco é todo sol, mar e verão com a exceção de “São Paulo Capital”, que pelo título e letra dá impressão de ser a parte pesada do disco, e acaba sendo bem o contrário, porque em questões sonoras a música passa até pelo lado francês conduzido por um batuque dançante.

“Trans” não tem medo de soar eletrônico ou orgânico quando melhor convêm, por vezes, a fusão dos dois acontece sem pudores. Tudo muito livre e contemporâneo. São músicas que brotam com o cotidiano das grandes cidades, sonhos e percepções com ramificações sociais e políticas.

Sara Antonelli
Estagiária em Programação Musical
Rádio UFSCar

A seguir, a lista da músicas que você ouve de segunda à sexta-feira, às 10h00 na Rádio UFSCar:

Segunda
1.Sol de Dentro
2.Quisera

Terça
3.São Paulo Capital
4.Nao Me Escondo

Quarta
5.Ode
6.O Verão

Quinta
7.Abraça o Sol
8.Por Aí

Sexta
9.O Mesmo Mar

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