Figueroas – Lambada Quente

Escrito por em 04/05/2015

Prepare suas chinelas de couro e o seu rebolado quente, que o Figueroas tá colando aqui na nossa seção de discos da semana pra não deixar ninguém parado. Lambada Quente (com essa capa trabalhada na tosquera, referenciando o clássico Krig-Ha, Bandolol do Raul Seixas) é o som que chega lá do estado de Alagoas, mais precisamente da cidade de Maceió, e se você ainda não ouviu falar de Givly Simons é porque tá precisando remexer esse quadril um pouco mais.

Gabriel Passos, alagoano de 20 e tantos anos de idade, já tentou ser um cara sério nessa vida. Queria ser estrela do rock, com sua voz e seu violão mandar os sucessos dos anos 60 e ainda surfar numa vibe indie alternativa pra descolar uns fãs com suas músicas autorais. Não deu certo. Foi pra casa, aposentou o all star e só saiu de lá quando já era Givly Simons, alcunha gringa que tirou sabe lá de onde (e faz questão de afirmar não ser um personagem de si próprio), o cara do bigode sabotage (Beastie Boys) style, do estilo breguíssimo de se vestir e da lambada mais quente e nonsense do Brasil.

Givly Simons, que tá bem longe de ser músico estudado e qualquer coisa do tipo, depois de quebrar a cara tentando copiar o sonzinho gringo que ouvia na internet, decidiu que o lance mesmo era ser fiel a sua própria história. Mandar aquele som que vinha das ruas de Maceió, relembrar um pouco mais de sua infância e estudar os clássicos da lambada e do carimbó (como Aldo Sena e Edson Wander, imortalizados no refrão da quinta música do disco). Pra fazer a coisa toda acontecer, Givly ainda precisava de um parça de responsa que manjasse dos paranauê musical e soubesse como produzir o som que desejava. Se juntou então ao amigo Dinho Zampier, tecladista do Wado, e juntos formaram o Figueroas, esse projeto que não tem nem de longe a responsa de nomes como Felipe e Manoel Cordeiro, mas que em quesito de gingado e simpatia dá um show de credibilidade.

E pra quem já tem na ponta da língua o papo furado de que o som não passa de uma zuera momentânea sem importância, é porque ainda não se ligou na galera que tá aí pra somar no projeto do Givly. Figueroas, apesar do aparente descaso lo-fi, vem como um lançamento da heróica Läjä Records, selo do Fábio Mozine, que é um dos caras que mais movimentou e já atribuiu a cena underground brasileira. E se você ainda acha pouco, é importante dizer que o álbum foi 90% gravado no Costella, do Chuck Hipolitho (Forgotten Boys, Vespas Mandarinas) que atuou também como engenheiro de som dos caras, garantindo que o álbum não soasse como uma zuera de fundo de quintal qualquer. A banda ainda conta com Raphael Coelho nas baterias e percussões, Felipe Barros no baixo, Rafa Moraes na guitarra e Nathan Oliveira nos sopros – uma banda paulistana com cara de alagoana, formada pelo próprio Dinho Zampier pra tocar o projeto em São Paulo.

E se você ainda não se ligou na ironia fina do cara, recomendo fortemente que confira um pouco mais do flerte mainstream do Figueroas. Givly recentemente esteve no programa do Ratinho, do SBT, pra colocar todo mundo pra dançar e vivenciou um dos momentos mais sem noção da TV brasileira ao prezar pela integridade do seu single “Melô do Jonas” em plena TV aberta. Assista, é sério. Deixo a dica de “Bangladesh” também, com o clipe mais divertido de 2014 e das guitarradas de “Lambada Quente” e “Lomba da Massa”, duas músicas que representam muito bem o trabalho fino de todo mundo no projeto.

Pra finalizar, basta dizer que o cara ainda é gente finíssima e, como um artista pop que se preze, sabe cantar e dançar (tudo do seu jeito, óbvio). Deixo aqui registrado a minha alegria ao ver que ainda existem pessoas que não se levam tão a sério e que, ao invés de ficarem trancados em seu mundinho egoísta e particular em busca da nova fórmula: grana + fama, buscam no jeitinho brasileiro de agradar, um bom motivo pra colocar todo mundo pra dançar e se divertir no fim da noite.

Raul Ribeiro

Estagiário em Programação Musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta, às 10h, na Rádio UFSCar:

Segunda-feira

  1. Gatinha Gatinha
  2. Lambada Quente

Terça-feira

  1. Bangladesh
  2. Lomba da Massa

Quarta-feira

  1. Graças a Aldo Sena e Edson Wander
  2. Fofinha

Quinta-feira

  1. Melô do Jonas
  2. Lambada Italiana

Sexta-feira

  1. Melô do Agadê
  2. Titinena
  3. Bicho Feroz

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