Felipe Cordeiro – Se Apaixone pela Loucura de seu Amor

Escrito por em 18/11/2013

Quando dizemos que algo é brega, inevitavelmente consideramos isso como algo ruim, que não vale a pena, cafona, fora de moda, que não combina. Mas atualmente, brega é um adjetivo que ganhou uma conotação completamente inversa quando nos referimos à música paraense. Lá no Pará, brega é um estilo de música consolidado que, assim como qualquer outro, tem suas características próprias, história, temas, instrumentos recorrentes e compositores famosos.

Já se comenta há algum tempo sobre a cena brega crescente de Belém, que aos poucos foi chegando para nós da região do trópico, por meio de alguns artistas que fizeram sucesso na cena musical pop indie, sabendo utilizar muito bem o hype do estilo, como foi o caso de Gaby Amarantos e Banda Uó. E agora cada vez mais recebemos artistas do brega nortenho, como Gang do Eletro, Luê, Lia Sophia e Felipe Cordeiro, foco dessa resenha.

O Felipe Cordeiro é um caso especial, pois seu pai, Manoel Cordeiro, já era um nome conhecido da cena musical paraense bem antes do brega receber essa atenção toda. O artista seguiu os passos do pai, alguns até dizem que o aprendiz superou o mestre, mas não vamos entrar no mérito dessa questão aqui.
Felipe lançou recentemente seu disco Se Apaixone pela Loucura de seu Amor. Já pelo nome dá pra ter uma ideia de que é um disco brega. O amor dramático, a paixão, a sedução e a pegação na balada (balada não, porque balada é coisa de paulista, o apropriado aqui seria dizer na aparelhagem) são temáticas recorrentes na música brega e, muitas vezes, explorados com bom humor, pois dialogam diretamente com o público. Nesse disco temos vários exemplos disso, pois o amor é o tema guia do trabalho, sendo abordado de várias maneiras ao longo das faixas.

O disco começa com “Problema seu”, faixa na qual o eu lírico dispensa a amante de forma animada, dizendo que “você pra mim é problema seu”. Seguimos com “Louco Desejo”, uma música que lembra um pouco as composições da Jovem Guarda que, por si só, também têm uma conotação brega, com tecladinhos, órgão e guitarradas sessentistas, representando a faceta da paixão. “Ela é Tarja Preta” é uma composição em parceria com o pai Manoel, a cantora Luê e o ex-Titã Arnaldo Antunes, tanto que a canção entrou no seu último trabalho, o Disco, numa versão mais elaborada da que encontramos em Se Apaixone. Essa música canta sobre uma “femme fatale” da festa, uma mulher tarja preta, que “pode fazer mal pra você”. O disco também conta com uma faixa instrumental, “Lambada Alucinada” em que Felipe mostra todo o seu virtuosismo com a guitarra, mas sem deixar escapar o aspecto pop e dançante que caracteriza suas composições. A jovem guarda volta a aparecer em “Marcianita“, canção escrita nos anos 60 e que foi regravada diversas vezes ao longo da história da música brasileira, em versões com pegadas bem variadas e que recebe aqui um tratamento brega.

Os artistas da cena brega paraense levam o mérito por mostrarem que é possível descentralizar a produção musical no Brasil, atentando para a rica diversidade de ritmos típicos do norte do país, da região amazônica. Eles estavam lá o tempo todo, praticamente dando sopa. E artistas como Felipe Cordeiro se apropriaram e exploraram essa gama de ritmos tradicionais brasileiros, um verdadeiro tesouro nacional, para consolidar um cenário musical absolutamente original e único, valorizando o que há de melhor na cultura do nosso país.

Diana Ragnole

Estagiária em Programação musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta às 9h45, na Rádio UFSCar.

segunda-feira
1. Problema Seu
2. Louco Desejo
terça-feira
3. Ela É Tarja Preta
4. Lambada Alucinada
quarta-feira
5. Saudade de Você
6. É Fogo
7. Marcianita
quinta-feira
8. Brea Époque
9. Trelelê
sexta-feira
10. Alta Voltagem
11. Um Beijo
12. Não Dá

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