Dom La Nena – Soyo

Escrito por em 01/06/2015

Aconteceu assim: no primeiro semestre de 2013 chegou na minha caixa de entrada uma newsletter do selo independente Six Degree Records divulgando o trabalho e os lançamentos dos vários artistas afiliados, entre eles se destacou, aos meus olhos, o nome exótico de Dom La Nena. Nunca tinha ouvido falar desta artista, mas depois de uma rápida pesquisa na web, descobri que ela é gaúcha e desde cedo se deixou levar por sua paixão pelo cello. Sua trilha começou em Buenos Aires e ela deu continuidade aos seus estudos  com a renomada violoncelista americana Christine Walevska.

Com apenas 13 anos de idade, começava a longa e ainda breve trajetória, fora do mercado mainstream e com dois discos,  tornou-se a artista mais falada na imprensa especializada.

Agora Dominique Pinto, seu verdadeiro nome, reside em Paris com o marido, o diretor de audiovisual Jerome, responsável pela direção de alguns de seus clipes, que captam a leve essência que permeia as singelas e delicadas composições de Dom La Nena.

Assim como no disco de lançamento Ela, nas faixas de Soyo reencontramos aquelas melodias que nos transportam para um mundo magicamente perfeito, no qual as emoções aparecem sem disfarce, por isso, às vezes, não refletem os nossos desejos, já que a realidade é feita também de contradições e desilusões. La Nena já aprendeu a lidar com esses aspectos da vida sublimando-os em sua música, começando pela saudade, esse fardo que acompanhará para sempre aqueles que, como ela, escolheram um caminho distante daquela zona de conforto que identificamos como casa, em troca de uma vida nômade em busca de novas experiências e de novos aspectos de nossa identidade.

Neste trabalho, a gaúcha fez questão de abrir o álbum com a música “La Nena soy yo”, reafirmando que Dominque Pinto tornou-se Dom La Nena. Nos últimos dois anos, a artista fez mais de 100 apresentações ao redor do mundo e foi inevitável que a tímida e talentosa jovem do primeiro disco assumisse plenamente seu papel de artista e encontrasse amigos e colaboradores que a guiaram nesse percurso, dois entre muitos foram Marcelo Camelo, que assinou a produção do último trabalho, e o genial Kiko Dinucci.

Soyo é cantado em português, espanhol, francês e inglês, caraterística de uma vontade de não querer esbarrar em fronteiras artística e culturais.

Todo mundo, afinal, compartilha, ou deveria compartilhar, dos mesmos sentimentos e emoções. Códigos e regras fazem parte de quem enxerga a vida como um projeto que deve ser cumprido sem ousadia, o que revela medo de acontecimentos inesperados, a coragem reside em quem renuncia o certo pelo desconhecido e inexplorado.

Soyo é mais uma pérola levada à praia de ondas imprevisíveis em um mar turbulento.

Paz!

Mauro Lussi

Programador musical da Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta, às 10H, na Rádio UFSCar:

Segunda-feira

  1. La Nena Soy Yo
  2. Vivo Na Maré

Terça-feira

  1. Menino
  2. Juste Une Chanson

Quarta-feira

5.Golondrina
6.Lisboa

Quinta-feira

7.Llegaré
8. Volto Já

Sexta-feira

9. Era Una Vez
10. Carnaval
11. El Silencio

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