Dom La Nena – Ela

Escrito por em 08/04/2013

Pouco mais de 36 minutos de música são suficientes para Dominique Pinto mostrar o talento  intrínseco nas 13 faixas que compõem o álbum de debuto.

Dom La Nena (Dominique a pequena) foi apelidada assim aos treze anos de idade, quando foi morar em Buenos Aires sozinha para continuar os seus estudos de cello, com Christine Walevska, que, na época, vivia na capital sul americana.

Dominique nasceu em Porto Alegre, começou a estudar piano aos 5 anos, morou na França onde apaixonou-se pelo cello que se tornou o seu instrumento principal, se formou na École Normale de Musique de Paris e regressou a Argentina.

De volta a França participou da gravação de um álbum da ícone da música francesa Jane Birkin, primeira ocasião para ela sair de um repertório composto só de música erudita, na sequência acompanhara a diva para uma turnê mundial durante dois anos, aliás, fundamentais para formação dela.

“Ela” começou a tomar forma enquanto Dominique estava de férias em Porto Alegre, o álbum foi  produzido pelo cantor e compositor Piers Faccini. Com participações de Thiago Pethit e Kiko Dinucci, dois nomes que se tornaram referências no panorama da nova música brasileira, e também a cantora francesa Camille.

Um disco simples, mas nada ingênuo, moderado na voz sussurrada de Dominique, porém com uma ênfase nos sons delicados e graves dos instrumentos eruditos e acústicos, um pop barroco elegante e moderno.
Em algumas faixas emerge a inocência dos últimos trabalhos de Adriana Calcanhoto, dedicados e inspirados pelo universo infantil, como nas composições “Canção Boba” ou “Anjo Gabriel”.

A “Saudade”, sentimento que muitos estrangeiros não conseguem entender, é explicada na melancolia esquecida da faixa homônima que fecha o disco.

A evocativa “Batuque” junto com o leve “Sambinha” mostram as raízes de um Brasil vivido um pouquinho de cada vez, mas que deixou marcas indeléveis na arte desta jovem artista, assim como em “Buenos Aires”, uma valsa cantada em espanhol,com cheiro do velho mundo, mostra o lado europeu de uma vida errante na qual as muitas referências acumuladas formaram um caráter artístico eclético, com um estilo autêntico.

Mas é no primeiro single, lançado no final do ano passado, intitulado “No meu país” que  Dominique revela a sua história: “Não venho daqui/ não venho de lá/ não venho de nenhum lugar/ Não sei onde nasci/ não lembro onde cresci/ mas sei que sempre tive um lar”, embora a vida errante na qual a bagagem se tornava maior a cada migração e muitas coisas foram perdidas ao longo do caminho, Dominique se tornou uma jovem artista autêntica e inspirada!

Paz!

Mauro Lussi

Coordenador de programação musical e DJ da Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta, às 9h45, na Rádio UFSCar.

segunda-feira
1. Anjo Gabriel
2. No meu país
terça-feira
3. O Vento
4. Batuque
quarta-feira
5. Dessa vez
6. Conto de fadas
7. Ela
quinta-feira
8. Buenos Aires
9. Menina dos olhos azuis
10. Sambinha
sexta-feira
11. Canção boba
12. Vocé
13. Saudade

Revisão: Sheila Castro

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