Ligiana Costa – Floresta

Escrito por em 29/04/2013

O Brasil vê surgir uma série de cantoras e compositoras que buscam exprimir seu estilo em músicas autorais e de qualidade. De diversos lugares e origens o que elas têm em comum é a busca por uma identidade musical, a partir das raízes artísticas brasileiras. Nomes como Tiê, Karina Buhr, Malu Magalhães, Céu, Tulipa Ruiz, Blubell, entre outras, são exemplos destas vozes femininas emergentes. E, entre elas, podemos incluir também a paulistana de coração brasiliense, Ligiana Costa. Ligiana não é só cantora e compositora, mas também musicóloga, de forma que seu segundo disco, Floresta, tem um excelente trabalho teórico em cima das composições, um diferencial que chama a atenção.

A produção e o arranjo do disco ficam por conta do maestro Letieres Leite. Ele foi inteiramente gravado em Salvador, utilizando o conceito de “gravação ao vivo”, na qual Ligiana canta e os instrumentistas tocam, todos juntos, como se fosse realmente a gravação de uma apresentação ao vivo. O álbum soa bastante intimista, pois as finalizações sonoras foram feitas desta forma, sem separar os elementos sonoros.

Floresta tem uma variedade de arranjos e referências bastante interessante. Letieres e Ligiana definiram que todas as faixas teriam base num power trio composto por bateria, baixo, piano ou guitarra, mas com arranjos e nuances que destacam outros elementos musicais. Isso garantiu uma unidade ao disco, mas preservando o caráter único de cada música. E o trabalho de Ligiana como musicóloga também se encontra presente. As músicas frequentemente apresentam influências sonoras e culturais de diversos países, temperando as composições que exprimem bastante brasilidade, darei alguns exemplos:

 A música “Canção de Sousândrade” é uma homenagem ao escritor e poeta brasileiro, Joaquim de Souza Andrade, numa faixa com destaque para o trio de cordas melancólico. Podemos perceber uma influência da música flamenca na faixa “Esmeralda”, não só no violão dedilhado, mas também na letra da canção e no backing vocal que lembra uma melodia árabe. Ligiana interpreta a faixa “Rouge” em francês, uma música bastante jazzística que entre a metade e o final é cantada em português.

Mas não só de intelectualidade se fazem as canções de Ligiana. As temáticas universais como o amor, as experiências pessoais e histórias cantadas se encontram presentes em todas as faixas, tornando Floresta um disco bem acessível. O equilíbrio entre popular e culto atingido neste trabalho é perfeito. Os ritmos universais, a mistura de referências culturais e o balanço suave das canções criam identificação rápida com o ouvinte. As composições são muito bem pensadas e elaboradas, sobrando pouco espaço para espontaneidade, mas sem deixar de fora emoção e o caráter autoral que tornam a interpretação de Ligiana tão distinta.

 Diana Ragnole

Estagiária em Programação musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta às 15h45, na Rádio UFSCar.

 

segunda-feira

1 – Malabares

2 – Desperta

terça-feira

3 – Rouge

4 – Esmeralda

quarta-feira

5 – La mizé pa dous

6 – Canção de Sousândrade

quinta-feira

7 – Salsa Petrarca

8 – Vem a tempestade

sexta-feira

9 – Corda e mearim

10 – Boi de Catirina

11 – Um pássaro

Revisão: Sheila Castro

 

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