Catarina Dee Jah – Mulher Cromaqui

Escrito por em 10/06/2013

Descoberta interessante da semana: Catarina Dee Jah. Ela começou como DJ, mas acabou buscando no trabalho como cantora e compositora a ferramenta para se expressar. Seu disco Mulher Cromaqui demorou uns bons cinco anos pra sair e conta com uma verdadeira miscelânea de estilos, o que justifica o nome do álbum, pois com a utilização de um chromakey é possível se criar todo o tipo de imagens de fundo. As músicas aderem estilos que vão desde o rap a mpb, passando pelo  rock e hip hop, além da influência da música eletrônica. Um caos sonoro maravilhoso.

Trata-se também de um trabalho bastante pessoal, Catarina canta sobre si, sobre suas experiências de vida. Ela, que era esposa de músico, saiu de casa para defender seu estilo, seu ponto de vista, para fazer sua música. Em Mulher Cromaqui ouvimos não só sobre isso, mas também sobre sua inconformidade em relação à representação da mulher na mídia (daí o nome do disco, que é uma brincadeira com o frenesi em relação às mulheres frutas). E Catarina canta tudo isso com muita animação, paixão, bom humor, criatividade e volúpia.

Ela é uma artista antropofágica, pega referência de tudo e de todos e as transforma em músicas que tenham a sua cara. As influências latino-americanas estão bem presentes nas faixas “Intercumbia” (com participação da banda Academia da Berlinda) e “Intercâmbio Cultural” (com participação de Jr. Black),  se trata da mesma música, só que com melodias diferenciadas  que dialogam entre si.

Catarina é bem desbocada, canta mesmo! Suas músicas tem um conteúdo sexual bastante forte, mas sem perder a classe e sem ser apelativo. Faz isso com conteúdo politizado, nas músicas “Mulher tiragosto”, “Raça desunida”, “Vem que vem” e “Sarará” isso fica bem evidente. Aliás, suas composições também tem um quê de politicamente incorreto, isso dá um charme especial para suas músicas, deixando-as divertidas e bem desbocadas, como  é o caso da faixa “Kay Fora”, um rap no qual ela manda o cara ir “tomar no… pônei”, e que no final, o refrão em questão ainda é cantado por uma criança. Como não amar?

“Amufinada” é uma música pras recalcadas, nela Catarina canta sobre suas experiências e sobre a liberdade de expressão das mulheres. A música segue num crescente, começa dançante e termina em revolta, com uma batida mais pesada. Em contraponto às canções agitadas, temos “La Mi Ré Do Ré La”,  quase uma baladinha pop, é uma canção de amor e desprezo, alegre e ao mesmo tempo melancólica e bem radiofônica; e também “Hey Mãe”, a composição de longe mais triste do álbum, uma poesia marginal sobre a desilusão.

 Mulher Cromaqui é um disco muito diversificado, daqueles que cada faixa é uma coisa diferente e inesperada. É também a expressão da alma da DJ Catarina, mas por mais pessoal e passional que seja, ainda é um álbum que consegue dialogar muito bem com o ouvinte, comovendo, divertindo e surpreendendo a cada música.

Acesse o myspace da cantora ou seu Facebook.

Diana Ragnole

Estagiária em Programação Musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta às 9h45, na Rádio UFSCar.

segunda-feira

1. Kay fora

2. Sarará

terça-feira

3. Amufinada

4. Intercâmbio cultural

quarta-feira

5. La Mi Ré Do Ré La

6. Hey mãe

quinta-feira

7. Toca-te dentro

8. Vem que vem

9. Mulher tiragosto

sexta-feira

10. Dara

11. Intercumbia

12. Raça desunida

Revisão: Sheila Castro

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