Diogo Strausz – Spectrum: Vol.1

Escrito por em 09/02/2015

Quando se é jovem e com um certo interesse/talento nato pra produção musical, sempre existe aquela esperança de que um dia quem vai  comandar a parada toda é, veja só, você mesmo. Escolhendo os timbres certos, fazendo parcerias, lançando artistas… enfim, tirando uma de Phill Spector diretamente de seu próprio quarto. Sim, é verdade que na grande maioria dessas aventuras, o que se espera é uma série de tentativas frustradas e, muito provavelmente, quilos de canções que você fará questão de esconder dos outros no futuro. Felizmente e para o bem da movimentada cena independente do RJ, este não é o caso de Diogo Strausz e seu recém-lançado Spectrum: Vol. 1, disco de estreia do jovem produtor de 25 anos que, desta vez, se meteu a dar a cara para bater e acabou sendo destaque aqui na Rádio UFSCar, no disco nacional desta semana.

Após anos de aprendizagem com a extinta R.Sigma e dois anos de muito trabalho por trás de lançamentos, como  Rainha dos Raios, de Alice Caimmy e Serviço, do antigo parceiro de banda Castello Branco, Strausz manda seu primeiro disco solo em um registro que não poderia deixar de ser um grande apanhado de suas melhores canções. Trabalhado em conjunto com as vozes que conquistou durante todo o tempo em que esteve por trás dos panos, o disco desfila diversidade pelas 12 faixas que o compõem. Canções que vão desde o mestre do groove Curtis Mayfield ao brasileiríssimo Dorival Caymmi, tudo isso sem deixar de saudar a dupla do Simian Mobile Disco, uma das influências na pegada eletrônica que motiva o músico.

Toda essa mistura, registrada até na capa álbum, já era esperada de um cara que, entre outras iniciativas, produziu uma interessante música com a Mahmundi e um divertido remix de Eleanor Rigby, nos tempos em que atacava de DJ. O que talvez não se esperasse, era que o registro trouxesse canções tão sólidas, como o single dançante e setentista “Não Deixe de Alimentar”, em parceria com Ledjane Motta & Maria Pia, que mais parece uma canção perdida da Black Rio em uma releitura moderna cheia de artimanhas eletrônicas. “Narcissus”, da parceria de respeito com os irmãos gêmeos do Medulla, Keops & Raony, é outra que facilmente colocaria a galera para dançar na baladinha indie da cidade. Tem também o folk classudo “Right Hand Of Love”, com os gringos Jacob Perlmutter e Brent Arnold, e “FCK” com o carioca Apollo, canção que deixaria os brothers da DFA Records de cara com o talento do jovem produtor. Pra finalizar o lado A do compacto, tem o saudoso drum’n’bass “Me Ama”, faixa com cara de início dos anos 00, que traz a voz do também produtor Kassin.

O lado B, por outro lado, apresenta uma faceta bem menos extrovertida do artista, que faz questão de trazer as suas raízes para o primeiro disco também. As instrumentais “Ítalo” e “Vendetta”, de guitarrada surf music e cara de filme tarantinesco, a sincera “Vovô”, única do álbum em que ouvimos a voz de Diogo; e a gostosa e divertida radiofônica “Se Renda”, música feita em parceria com o seu velho – Leno, ídolo da Jovem Guarda, da dupla Leno e Lilian, um nostálgico pop construído com trompetes e violinos, aquela faixa para deixar o breguíssimo Kenny G com os cabelos em pé no canto do motel.

Vale a pena ressaltar aqui também os destaques deste lado mais contido de Strausz, que ficam por conta das parceria com a família Caymmi. “Assombrado”, com Danilo Caymmi, é uma daquelas na vibe que marcou a carreira do eterno Dorival, samba de intimidar e de dar tapa na cara. Por fim, “Diamante” fecha o disco na parceria de sucesso com a cinematográfica Alice Caymmi,  canção que poderia facilmente ser tema de releitura aleatória e brazuca de filmes de espionagem ao estilo “Bond, James Bond”.

Se, sem medo de soar incoerente, podemos afirmar que falta mesmo aquela unidade necessária pra um artista que se pretende lançar para o seu público, seja este qual for, é preciso dizer que, muito provavelmente, essa nem seja a intenção de Strausz. O músico, muito mais interessado em demarcar seu território como produtor, do que sair por ai fazendo shows com vozes sampleadas das parcerias que, certamente, não terão sempre agenda disponível; nos trouxe um disco quase que “portfólio”, com o perdão da intenção levemente redutora que tal denominação poderia trazer. Se a ideia era mostrar canções sinceras, trabalhadas com uma fineza e originalidade única, o que não faltará para Diogo Strausz neste novo ano, serão ofertas e oportunidades de ouro para expandir ainda mais o seu território musical. Sem dúvida, uma contribuição importantíssima para a cena carioca que, já há um bom tempo, vem nos revelando novos talentos.

Raul Ribeiro

Estagiário em Programação Musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta, às 10h, na Rádio UFSCar:

Segunda-feira

  1. Chibom
  2. Narcissus

Terça-feira

  1. Não Deixe de Alimentar
  2. Right Hand Of Love

Quarta-feira

  1. FCK
  2. Me Ama

Quinta-feira

  1. Ítalo
  2. Vovô
  3. Assombração

Sexta-feira

  1. Se Renda
  2. Vendetta
  3.  Diamante
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