Cláudia Dorei – Respire

Escrito por em 07/06/2010

claudia-dorei_respireAqui está o trip hop tropical! Claudia Dorei carioca radicada em São Paulo há nove anos, tem relações de longa data com o Teatro e o Cinema – aliados à música, é claro. Já trabalhou com trilhas sonoras e agora – na verdade, no final de 2009 – lança seu primeiro disco, chamado Respire, 11 faixas produzidas por ela, gravadas por Buguinha Dub e masterizadas por Gustavo Lenza, e disponíveis gratuitamente para download em www.myspace.com/claudiadorei.

Respire é um disco feito com calma, de calma e na calma. Logo ouvimos no início de Pérolas: “quando te vi me inundei de calma”. Dorei trabalhou nele por bastante tempo com sua banda e fazendo shows antes de efetivamente gravá-lo. O curioso é que nesse trip hop tropical não ouvimos bateria – nem mesmo eletrônica ou programada, como é comum nesse ‘estilo musical’ originalmente inglês – e sim beatbox. MC THG é o encarregado dos beats do disco inteiro, fator já diferencial por si só. Além disso, ouviremos trompete, trombone, flauta, sintetizadores e, claro, guitarra e baixo. Os arranjos são minimalistas, feitos de grandes pequenezas temáticas em todos os instrumentos. O conceito de loop é bastante presente, criando uma nuvem base para os lampejos coloridos da voz de Claudia e dos instrumentos diversos, sempre com o auxílio de efeitos diversos – delay, reverb, tudo isso já conhecido nesse universo sonoro de viagem organo-sintética.

As onze faixas formam um disco coeso com cara de “obra”, no sentido artístico da palavra. As letras trazem um universo narrativo próprio e pessoal de Claudia Dorei – que compôs todas as faixas do disco, várias em parceria – com temas ligados ao amor mas que podemos perceber com tantas outras formas além da romântica. É um amor atual. Sem idealizações e diminuição do eu, consciente da finitude de tudo. Em Eu sou canta o refrão “eu sou eu/antes de você/eu sou” após começar com um verso que diz “me chama de amor da vida inteira” e em seguida conclui convidando e complexificando tudo com “bem vindo aquilo que nao me cabe/bem vindo aquilo que desconheço”. Gentileza traz o lema do famoso Profeta Gentileza à tona, num refrão marcante e melódico – “Gentileza gera gentileza”. Demorou tem jeito e cor de sol nascente, trazendo a sensação do calor do sol surgindo no frio do crepúsculo, sempre ao mar.

O final fica com a tão bonita e cheia de esperança Foi Bom. Mistura de fim e começo, de despedida e boas vindas, de belezas e dores, com a clareza consciente de quem não é mais criança mas mantém a leveza. A calma da última frase do encarte do disco “É bom poder ficar aqui te vendo/vendo a chuva cair”. Dorei retoma ainda ao final da faixa: “Foi bom/foi bom/enquanto você me via/É bom/só é bom/quando você me vê”. É o choro-riso, aqui. Respire.

Yasmin Muller
Programadora Musical da Rádio UFSCar
@djyasmina

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