Cibelle – Las Venus Resort Palace Hotel

Escrito por em 26/04/2010

6a00d8341c76e453ef0120a867255a970b-500wiCibelle Cavalli Bastos ou mais simplesmente Cibelle, paulistana residente em Londres, cantora, compositora e multi-instrumentista entre as mais criativas dos últimos anos está de volta com o seu terceiro trabalho.

Quando em 2003 lançou o seu primeiro álbum, depois de algumas participações em “São Paulo confessions” do genial DJ e produtor sérvio Suba – infelizmente falecido antes do tempo, pioneiro da música eletrônica no Brasil – fiquei apaixonado pela nova mistura de sons que iam do samba clássico passando pelas nova tendências da música global.

Três anos depois, a jovem diva do Novo Mundo voltou para me surpreender mais uma vez com “The Shine of Dried Electric Leaves” no qual começava a colaboração com vários artistas da cena musical internacional do calibre de Devendra Banhart, Cocorosie e muitos outros, e entrava numa nova fase mais voltada à experimentação e pesquisa musical.

No CD recém lançado, a impremeditável e inovadora artista inventou um alter ego chamado Sonja Khalecallon, nossa anfitriã no exótico e bizarro Las Vênus Resort Palace Hotel,  único lugar que resistiu ao fim do planeta, que se transformou numa selva onde os pássaros são fluorescentes e os macacos mutantes são multicoloridos. Junto com ela a banda Los Stroboscopious Luminous, um conjunto de músicos entre os mais inovadores do novo panorama musical nacional  – Catatau dos Cidadão Instigado e Pupilo dos Nação Zumbi entre outros – produzidos por Damian Taylor, diretor musical da Bjork e mixado por Thom Monahan (Au Revoir Simone, Devendra Banhart).

Las Vênus Resort Palace Hotel é um improvável cabaret onde todos os sons do mundo se transformam em música, o exoticismo e antropofagia de Oswald de Andrade se encontram no mesmo palco onde a Rainha dos Andes, Yma Sumac, se exibe junto com uma Carmen Miranda pós-moderna, plantando uma semente da qual nascerá uma árvore de frutas indefinível, assim como as onze músicas originais, mais três covers deste lindo álbum.

Covers que merecem ser citadas por ser escolhas incomuns para não dizer esquisitas, começando por “Mango Tree”, cantada na versão original por Ursula Andress no filme “Dr. No” da interminável série dedicada a James Bond; seguida por “Lightworks” escrita pelo excêntrico compositor Raymond Scott, um dos primeiros a se envolver com a música eletrônica já nos anos 50, e fechando com “It’s Not Easy Being Green” cantada originalmente por, nada mais nada menos, sapo Kermit dos Muppet’s Show.

Depois de ter ouvido o CD por inteiro, o primeiro pensamento que veio à cabeça é que a Cibelle aprendeu muito bem a lição dos seus ilustres antecessores tropicalistas.

Não deixe de ouvir esta pérola negra da música pop nacional!

Paz!
Mauro Lussi
Programador musical e DJ da
Radio UFSCar

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