Charlie e os Marretas – Charlie e os Marretas

Escrito por em 09/06/2014

Sempre existiram e sempre vão existir aquelas pessoas que ficaram presas nos anos 70, e entoam o coro de que a música contemporânea é horrível, tal estilo musical “morreu”, música digital é inferior, esse tipo de coisa. Mal sabem elas que vários estilos musicais, que tiveram auge nos anos 70, estão passando por um revival muito interessante. É o caso do funk, por exemplo, que aqui no Brasil tem encontrado uma nova faceta, por meio de bandas e artistas como Garotas Suecas, BNegão & Os Seletores de Frequência, OQuadro, Curumin até Bixiga 70, mesmo essa sendo mais voltada para o afrobeat. Todos eles têm um pezinho no groove setentista, misturado com influências diversas, como música eletrônica, ritmos brasileiros, rock, entre outros. E a nova banda que entra para esse time é a paulistana Charlie e Os Marretas, que lança agora seu primeiro disco, autointitulado.

 Já com cinco anos de existência na cena paulistana independente, a banda formada por Charles Tixier (bateria, MPC e voz), Gabriel Basile (percussão e voz), André Vac (guitarra, voz e composições), Guilherme Giraldi (baixo e composições), Tomás de Souza (teclados e voz), Filipe Nader (sax alto e barítono) e Natan Oliveira (trompete e trombone) conquistou um público fiel e bastante festivo, que curte o som da banda não só pela nostalgia, como também por causa da energia de suas performances ao vivo, sempre contagiantes. Os shows da Charlie trazem em seu repertório clássicos do funk, como James Brown, Tim Maia e The Meters, aliado a alguns nomes menos desconhecidos, mas que também influenciam o som da banda, como Ripple e Blackbyrds. Para complementar a bagagem musical do grupo, eles também têm um projeto paralelo como banda de apoio do cantor e compositor recifense Di Melo, com quem aprenderam a montar um show-espetáculo de peso, minuciosamente calculado para hipnotizar a plateia e colocar todo mundo pra dançar.

E o disco de estreia é a trilha sonora perfeita para quem quer festejar ao som do groove pesado do funk setentista. Depois de uma breve introdução, somos recebidos pela faixa instrumental “Demetrius”, que já deixa bem evidente todo o potencial da banda em fazer um som dançante, mas sem entregar o ouro logo de cara. “Bote Um Funk” vem em seguida, uma música metalinguística, que convida à dança e nos presenteia com diversos solos de sax swingados.

Entre as nove faixas do disco não encontramos muita diversidade de atmosfera. Ela é única, uma grande vibe festeira que permeia Charlie e Os Marretas do começo ao fim. Como toda banda talentosa e criativa, eles também se apropriam de outros estilos musicais, como é o caso do rock (em “Chegou a Hora”encontramos um solo de guitarra sujíssimo) e do hip hop, como é possível conferir em “Baile da Pesada”e nos diversos samples usados nos interlúdios do disco. Difícil é escolher uma faixa preferida, pois são todas excelentes, divertidas e dançantes. E no fim de tudo ainda fica a ideia pra aquela galera nostálgica: “Mas a mensagem fica / O chão ainda treme / Meu peito ainda canta / Balança e não teme / Pois ele anda solto / Nas ondas pelo ar / O funk não morreu / É só saber procurar”.

Diana Ragnole, estagiária em Programação Musical.

A seguir, a lista de músicas que tocam de segunda a sexta, às 9h45, na Rádio UFSCar.

Segunda-feira

1. Intro

2. Demetrius

Terça-feira

3. Bote Um Funk

4. Chegou A Hora

Quarta-feira

5. Baile da Pesada

6. O Vô Te Ensina

Quinta-feira

7. Marretón

8. Black Geeza

Sexta-feira

9. Quimpassi

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