Chapa Mamba – Chapa Mamba

Escrito por em 29/04/2014

Desde os anos 90, com a queda dos preços dos equipamentos de gravação, vemos surgir um punhado de bandas e artistas que se aventuraram em gravar o próprio som em casa, num esquema baixo orçamento e baixa qualidade. Uma parte dessa galera tocava o que hoje conhecemos por “rock de garagem”, uma tradução praticamente literal do que acontecia na época. Algumas bandas e artistas se destacaram bastante nesse esquema, como foi o caso da banda norte-americana Sebadoh, um ícone do lo fi (que, inclusive,  vai tocar no Brasil em breve), responsável por influenciar outras bandas que seguiram o mesmo caminho.

Tanto lá nos EUA quanto aqui na terra tupiniquim é possível encontrar centenas de músicos lo fi que disponibilizam seu trabalho na internet, esse universo de riquezas escondidas. Mas, como todo bom trabalho de garimpo, é necessário uma boa busca para levantar nomes interessantes e promissores no cenário. Um exemplo bem atual é a banda goiana Boogarins, de rock psicodélico; e o músico e produtor Lê Almeida, que fundou sua própria gravadora caseira, a Transfusão Noise Records. O Lê Almeida é responsável por gravar e apresentar diversas bandas e artistas lo fi do cenário indie nacional, então confiamos bastante naquilo que leva sua marca, como é o caso da banda carioca Chapa Mamba.

A Chapa Mamba acabou de lançar seu disco de estreia, autointitulado, “rockão” de garagem, que traz essa vibe noventista lo fi combinada com um pouco de rock setentista, de forma quase esquizofrênica e estranha. As músicas são bastante espontâneas e descompromissadas, tocam em assuntos aparentemente aleatórios, digressivos. Mas a coisa é assim mesmo, não é pra pensar muito. É rock, é cru e é massa.

O duo carioca é formado por Stêvão “Stêvz” Vieira na guitarra e voz e por Bruno Lima na bateria e voz. Eles não pareceram preocupados em fazer um disco com alguma lógica. As músicas são quase todas curtas, com pouco mais de 3 minutos e variam de canções metalinguísticas como “Faça Você Mesmo” e “Ninguém Presta”, até faixas bastante chapadas como “Cerveja Quente” e “Batata Quente”. Por mais que essa descrição soe superficial ou jocosa, na verdade mostra que o disco é um registro da própria identidade da Chapa Mamba, seu processo de produção, vida pessoal, gostos e opiniões. Não tem como pedir coisa mais específica que isso, afinal cada banda é uma banda.

Muitas bandas interessantes do cenário indie nacional surgiram da mesma maneira espontânea e descompromissada, como a Boogarins, que já citamos, o Porcas Borboletas, Apanhador Só, The Baggios, Vivendo do Ócio, entre outras. E estão aí, enriquecendo o catálogo independente do rock nacional. Dessa forma, a Chapa Mamba é uma dupla a se ficar de olho. Lo fi e do it yourself for life.

Diana Ragnole

Estagiária em Programação musical.

A seguir, a lista de músicas que tocam de segunda a sexta-feira, às 9h45, na Rádio UFSCar

Segunda-feira

1. Beleléu

2. Forca

Terça-feira

3. Faça Você Mesmo

4. Novela

Quarta-feira

5. Terra de Cego

6. Cerveja Quente

Quinta-feira

7. Batata Quente

8. Ninguém Presta

Sexta-feira

9. Interurbano Blues

10. No Tempo da Vovó

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