Céu – Tropix

Escrito por em 25/04/2016

Os timbres eletrônicos e a voz doce e familiar anunciam: a cantora paulistana Céu, queridíssima dos brasileiros e gringos apreciadores da polêmica “MPB”, está de volta. Como em férias prolongadas ou mesmo em um hiato criativo de quatro anos, a artista, enfim, revela seu mais novo trabalho, após o cinematográfico Caravana Sereia Bloom, lançado em 2012.

E neste intervalo que já deixava os fãs ansiosos por um novo disco, a cantora teve tempo de se preparar para voltar aos holofotes com Tropix, lançado pelo selo musical Slap e produzido em parceria com o baterista Pupillo (Nação Zumbi) e o produtor frânces, versado nos timbres eletrônicos, Hervé Salters (General Elektriks). Álbum que, se em sua temática não destoa da tendência da vez, ao menos escâncara, logo no título, a questão trabalhada por muitos no atual cenário musical brasileiro: é possível ser moderno, digital, pixelado, sem deixar a famigerada tropicalidade brasileira de lado?

O que a princípio pode soar como um gringo de férias no Brasil, procurando por seu iPhone da última geração pra tirar fotos bacanas do Corcovado, na verdade é um questionamento muito comum a artistas que hoje se comprometem a produzir um disco ou concretizar uma música. Tropix, lançado no final de março, é um apanhado de sons que remetem a décadas passadas, 80 e 90 principalmente, trabalhados por um produtor gringo que está na vanguarda da música dita eletrônica, nada de novo até então. Mas é como se Céu, que já flertou um monte com a música jamaicana e com aquilo que de mais “requintado” os críticos fazem questão de colocar, tentasse encontrar uma saída ainda não explorada em sua própria discografia, o que por si só já é ótimo, para dar vida a mesma poesia cotidiana e despretensiosa de sempre.

ceu1O som das baladas de outrora se unem a elementos mínimos e ritmos tropicais, tudo somado – é claro – as imagens e as cenas adultas do amor em seus mais diversos momentos. Um acerto também foi evitar cair na armadilha de se produzir a famosa “árvore de natal” quando a opção é por reverenciar o passado. Ficou mínimo, ficou leve e ficou clean, ou seja, ponto pra modernidade.

Se o caso é fazer do tropical o novo digital, “Perfume do Invisível”, o abre alas e primeiro single do disco, já carrega todo o apelo trabalhado em faixas que, apesar de distintas, convergem para um mesmo conceito. Depois continua com o porto seguro de “Arrastar-te-ei”, passa pela criativa “Amor Pixelado” e segue com “Varanda Suspensa” na qual o casamento “tropixal” parece ter chegado em sua melhor forma. As participações especiais de Tulipa Ruiz, no pot pourri pink floydiano do disco, e de Fernando Almeida (Boogarins), na faixa “Camadas”, não são de todo mal, mas também não chegam a impressionar. O destaque fica mesmo por conta da brasileiríssima “A Nave Vai”, composta por Jorge dü Peixe (Nação Zumbi); e pelo pós punk meio indie/meio new wave na versão incrível de “Chico Buarque Song”, da injustiçada banda Fellini.

Se no ano passado Tulipa Ruiz entregou um discasso de baladas pra tocar nas “pistas modernas”, e com isso foi premiada com o Grammy latino de melhor disco pop no começo deste ano, tudo indica que 2017 é o ano da paulistana Céu finalmente levar pra casa o seu também. E se a ideia do tropical-digital está longe de parecer inovadora e inédita, ao menos um belo trabalho de produção musical e um talento inquestionável para cantar e escrever continuarão, como sempre, sendo mais do que ótimos motivos para se ligar nos trabalhos da cantora.

Raul Ribeiro, programador musical na Rádio UFSCar


A seguir, a lista de faixas que você escuta de segunda a sexta às 10h. Você também pode ouvir o álbum na íntegra no domingo às 15h, aqui na 95,3 FM, escute diferente!

Segunda-feira

1 – Perfume do Invisível

2 – Arrastar-te-ei

Terça-feira

3 – Amor Pixelado

4 – Varanda Suspensa

Quarta-feira

5 – Pot-Pourri: Etílica/Interlúdio

6 – A Menina e o Monstro

Quinta-feira

7 – Minhas Bics

8 – Chico Buarque Song

9 – Sangria

Sexta-feira

10 – Camadas

11 – A Nave Vai

12 – Rapsódia Brasilis

Marcado como

Opinião dos Leitores

Deixe um Comentário

Seu endereço de email não será publicado. Campos Obrigatórios *


Rádio UFSCar

Tocando agora
TITULO
ARTISTA